Publicado em: 29/06/2026 às 11:30hs
O mercado internacional da soja iniciou a semana sob forte volatilidade, refletindo a expectativa pela divulgação dos novos dados de área plantada nos Estados Unidos pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), ao mesmo tempo em que a demanda aquecida por derivados da oleaginosa e os elevados prêmios de exportação mantêm sustentação aos preços no mercado brasileiro.
Enquanto os contratos futuros recuam na Bolsa de Chicago (CBOT), o mercado físico nacional continua apresentando maior resistência às quedas, impulsionado pela disputa entre exportadores e indústrias esmagadoras pela matéria-prima disponível.
De acordo com pesquisadores do Cepea, o aumento da demanda por farelo e óleo de soja nos Estados Unidos elevou as cotações desses produtos na CME Group, oferecendo suporte aos contratos futuros da soja em grão.
O movimento é impulsionado tanto pelo consumo doméstico quanto pelo aumento das compras internacionais. No cenário externo, novos episódios de tensão envolvendo embarcações no Estreito de Ormuz e a possibilidade de paralisações na Argentina reforçam a competitividade das exportações norte-americanas e brasileiras.
No Brasil, o interesse crescente pela soja destinada ao mercado externo intensificou a concorrência entre exportadores e indústrias de processamento, elevando os prêmios de exportação e contribuindo para a sustentação dos preços internos.
Apesar dos fundamentos positivos ligados à demanda, os contratos futuros da soja iniciaram a semana em queda superior a 1% na Bolsa de Chicago.
O mercado realiza ajustes de posição antes da divulgação do relatório de revisão de área cultivada nos Estados Unidos, prevista para esta terça-feira (30). A expectativa predominante entre analistas é de confirmação de uma ampliação da área destinada à soja e redução da área de milho, cenário considerado baixista para as cotações.
Além disso, o bom desenvolvimento da safra norte-americana segue pressionando os preços, favorecido pelas condições climáticas ainda consideradas satisfatórias para grande parte das lavouras.
Por outro lado, fatores como a valorização do petróleo, as tensões geopolíticas no Oriente Médio e o fortalecimento da demanda internacional pela soja norte-americana continuam limitando perdas mais acentuadas.
No Brasil, os preços permanecem relativamente firmes graças ao fortalecimento dos prêmios de exportação e à demanda internacional.
Segundo a TF Agroeconômica, o mercado encerrou a última semana com comportamento misto. Em Chicago, os contratos registraram pequenas oscilações, enquanto nas principais regiões produtoras do Sul do país prevaleceu a estabilidade.
No Rio Grande do Sul, o porto de Rio Grande manteve negócios ao redor de R$ 134,00 por saca, enquanto os preços no interior oscilaram entre R$ 129,00 e R$ 130,00.
No Paraná, o Indicador Cepea/Esalq encerrou a semana em R$ 127,64 por saca, com Paranaguá negociando a R$ 135,50. O estado concluiu a colheita com produção recorde de aproximadamente 21,8 milhões de toneladas, enquanto a chegada da safra de inverno começa a aumentar a disputa por capacidade de armazenagem.
Em Santa Catarina, a liquidez permaneceu reduzida, embora a demanda por farelo continue sendo favorecida pelo bom desempenho das exportações brasileiras de carne de frango.
O clima nos Estados Unidos permanece como principal variável para os próximos meses.
Chuvas recentes aliviaram parcialmente a umidade do solo em parte do cinturão produtor norte-americano, porém as previsões indicam um período mais seco durante julho, fase considerada decisiva para o potencial produtivo das lavouras.
No cenário global, o Conselho Internacional de Grãos (IGC) manteve sua estimativa para a safra mundial de soja 2026/27 em 442 milhões de toneladas, volume superior ao registrado no ciclo anterior e que continua limitando movimentos mais expressivos de alta.
Diante do ambiente de elevada volatilidade, a TF Agroeconômica recomenda que produtores adotem uma estratégia de vendas graduais, evitando concentrar toda a comercialização em um único momento.
A consultoria destaca que os preços internos continuam atrativos, mas alerta que uma eventual recuperação mais intensa em Chicago pode ser limitada pela ampla oferta mundial, pela elevada produtividade da Argentina e pelo possível aumento da área cultivada nos Estados Unidos.
Para as cooperativas, a orientação é aproveitar o bom momento dos prêmios de exportação para intensificar as vendas de forma escalonada, acompanhando diariamente a evolução do câmbio e dos prêmios nos portos.
As cerealistas, por sua vez, devem manter cautela nas recompras, aguardando possíveis oportunidades geradas pela volatilidade após a divulgação dos relatórios do USDA. Já para as indústrias esmagadoras, eventuais recuos da Bolsa de Chicago podem representar oportunidades para ampliar a cobertura de matéria-prima e reduzir riscos de custos futuros.
A combinação entre demanda internacional aquecida, prêmios elevados no Brasil e incertezas sobre a safra norte-americana deverá manter o mercado da soja bastante sensível às próximas divulgações do USDA e às condições climáticas nos Estados Unidos.
No curto prazo, a tendência é de continuidade da volatilidade em Chicago, enquanto o mercado brasileiro deve permanecer relativamente firme, sustentado pela demanda externa, pelo ritmo das exportações e pela disputa entre indústrias e exportadores pela soja disponível.
Fonte: Portal do Agronegócio
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