Publicado em: 23/02/2026 às 11:21hs
O mercado interno da soja encerrou a última semana em alta, impulsionado pela firmeza da demanda internacional e pela limitação na oferta nacional. De acordo com dados do Cepea, a melhora dos prêmios de exportação no Brasil aumentou o interesse pelo grão brasileiro, sustentando as cotações nas principais praças produtoras.
No entanto, produtores do Sul têm demonstrado maior cautela nas negociações. A irregularidade das chuvas e as perdas de produtividade em áreas atingidas pela estiagem têm levado a uma postura mais defensiva, segundo o Cepea. Apesar das dificuldades, as precipitações recentes beneficiaram lavouras ainda em desenvolvimento no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, o que ameniza parte das preocupações com a safra.
A Conab indica que, até 14 de fevereiro, a colheita nacional atingia 24,7% da área, abaixo dos 25,5% observados no mesmo período do ano anterior. A lentidão no ritmo de colheita e as incertezas sobre a produtividade reforçam a volatilidade do mercado interno.
Nos Estados Unidos, os contratos futuros da soja em Chicago seguem sustentados, mas enfrentam resistências técnicas após a recuperação registrada desde janeiro. A TF Agroeconômica destaca que, apesar da força compradora recente, há sinais de exaustão, podendo ocorrer correções pontuais sem alterar a tendência geral de alta.
O suporte fundamental vem do complexo de óleos e biocombustíveis. O óleo de soja acumulou alta de mais de 3% na semana, amparado pela forte demanda da indústria de biodiesel. Projeções do USDA indicam que o consumo do derivado pode chegar a 7,84 milhões de toneladas na safra 2026/27, aumento de quase 50% sobre o ciclo anterior. O esmagamento de soja nos EUA atingiu recorde em janeiro, enquanto as vendas semanais de farelo cresceram 35%, reforçando o bom momento do setor.
Entretanto, a ampla oferta sul-americana impõe limites. O Brasil já colheu cerca de 33% da área e deve produzir entre 178 e 181 milhões de toneladas, com exportações acumuladas de 4,56 milhões de toneladas no ano. A pressão da colheita brasileira, somada à expectativa de maior área plantada nos EUA em 2026/27, tende a manter o mercado com viés positivo, porém suscetível a oscilações.
O início da nova semana foi marcado por quedas nos contratos da soja em Chicago, influenciadas pelas baixas no farelo e pelas incertezas em torno da política tarifária dos Estados Unidos. Por volta das 7h (horário de Brasília), o contrato de março operava em torno de US$ 11,32 por bushel, recuando mais de 0,3%.
O mercado acompanha de perto as medidas do presidente americano Donald Trump, que, após decisão da Suprema Corte derrubar tarifas anteriores, anunciou novas taxas globais de até 15%. As medidas ampliam a cautela dos investidores quanto ao impacto nas relações comerciais com parceiros-chave, como China e Índia — fundamentais para o fluxo de exportações do complexo soja norte-americano.
No Brasil, analistas acreditam que o cenário pode favorecer os prêmios de exportação nos portos nacionais, impulsionando a competitividade do produto brasileiro. Ainda assim, a pressão da colheita e o ritmo das vendas externas devem manter a dinâmica de preços bastante volátil.
Apesar da forte movimentação ao longo da semana, o mercado encerrou a sexta-feira com leves perdas em Chicago. O contrato de março recuou 0,31%, fechando a 1.137,50 cents por bushel, enquanto o vencimento de maio caiu 0,24%. No entanto, o farelo registrou alta de 1,64%, e o óleo de soja cedeu 1,27%.
A TF Agroeconômica destaca que a queda reflete ajustes técnicos e cautela quanto à demanda chinesa, além da influência sazonal da colheita brasileira. Mesmo com o recuo pontual, a soja acumulou pequena valorização semanal de 0,02%. O relatório do USDA mostrou vendas externas dentro das expectativas, mas ainda 18,6% abaixo do volume do ano anterior, o que reforça o sentimento de precaução no curto praz
Fonte: Portal do Agronegócio
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