Soja

Mercado da soja: Mato Grosso acelera vendas enquanto Chicago reage à possível demanda da China

Preços da soja caem no Brasil, mas expectativas de maior demanda chinesa e projeções do USDA sustentam mercado internacional


Publicado em: 11/02/2026 às 11:10hs

Mercado da soja: Mato Grosso acelera vendas enquanto Chicago reage à possível demanda da China
Foto: CNA
Vendas de soja avançam em Mato Grosso, mas preços recuam

A comercialização da soja da safra 2025/26 em Mato Grosso alcançou 49,49% da produção estimada até janeiro de 2026, segundo dados do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea). O avanço foi de 5,34 pontos percentuais em relação a dezembro de 2025.

De acordo com o Imea, o aumento das vendas está relacionado principalmente à necessidade de caixa dos produtores e ao avanço da colheita no estado. No entanto, o movimento foi limitado pela queda nas cotações da oleaginosa ao longo de janeiro.

O preço médio da soja no estado encerrou o mês em R$ 104,12 por saca, o que representa uma queda de 3,96% em comparação com o mês anterior. Para a safra 2026/27, a comercialização ainda é tímida, com apenas 1,46% da produção prevista negociada até janeiro e preço médio de R$ 102,33 por saca.

O Imea ressalta que os preços pressionados e o cenário global incerto mantêm os produtores cautelosos quanto às fixações futuras.

Chicago realiza lucros após forte alta impulsionada por expectativas da China

Na Bolsa de Chicago (CBOT), o mercado da soja passou por realização de lucros nesta quarta-feira (11), após fortes altas na sessão anterior. Mesmo com um relatório neutro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), as cotações vinham sendo sustentadas por expectativas de maior demanda da China pelos grãos norte-americanos.

Os contratos futuros de março encerraram a terça-feira (10) com alta de 1,05%, cotados a US$ 11,22½ por bushel, enquanto a posição de maio subiu 1,11%, chegando a US$ 11,37½ por bushel. Entre os subprodutos, o farelo registrou alta de 1%, e o óleo de soja avançou 1,02%.

Mesmo com o ajuste técnico observado na quarta-feira, o mercado segue atento à relação comercial entre Estados Unidos e China, às condições climáticas na América do Sul e aos cenários financeiro e geopolítico globais, que continuam a influenciar o comportamento das commodities agrícolas.

USDA mantém previsões, mas mercado reage a sinalizações diplomáticas

O relatório do USDA foi considerado neutro a levemente baixista, sem mudanças expressivas no quadro de oferta e demanda dos Estados Unidos. A safra norte-americana de 2025/26 deve atingir 4,262 bilhões de bushels (equivalente a 116 milhões de toneladas), com estoques finais projetados em 350 milhões de bushels.

No cenário global, o USDA elevou a estimativa da produção mundial para 428,18 milhões de toneladas, ante 425,68 milhões na projeção anterior. A produção brasileira foi revisada para 180 milhões de toneladas, frente às 178 milhões indicadas anteriormente.

Apesar do tom conservador do relatório, o mercado reagiu positivamente às declarações de autoridades norte-americanas. O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, destacou que a relação com a China pode ser produtiva, antecipando uma reunião com o vice-primeiro-ministro chinês He Lifeng. Já o secretário de Comércio, Howard Lutnick, afirmou que o governo busca um dólar mais fraco para estimular exportações e impulsionar o crescimento econômico.

Esses sinais diplomáticos, somados à possibilidade de Pequim ampliar suas compras de soja acima das 12 milhões de toneladas acordadas em 2025, reforçam o sentimento de otimismo entre os investidores, mesmo diante de fundamentos neutros.

Panorama geral do mercado

O cenário atual da soja combina avanço nas vendas internas com oscilações nos preços internacionais. Enquanto produtores mato-grossenses buscam liquidez em meio à queda das cotações, o mercado global acompanha de perto as relações comerciais entre EUA e China e as condições climáticas na América do Sul.

Especialistas avaliam que a volatilidade deve continuar no curto prazo, mas uma demanda externa mais aquecida poderá sustentar as cotações ao longo de 2026.

Fonte: Portal do Agronegócio

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