Soja

Mercado da soja enfrenta volatilidade com avanço da colheita e oscilações em Chicago

Cenário agrícola e financeiro se entrelaçam: enquanto produtores brasileiros mantêm cautela diante de preços e clima, o mercado internacional reage às variações do petróleo e ao desempenho do óleo de soja


Publicado em: 03/02/2026 às 11:30hs

Mercado da soja enfrenta volatilidade com avanço da colheita e oscilações em Chicago
Foto: CNA
Clima irregular e preços freiam comercialização da soja no Brasil

O mercado da soja no Brasil segue dividido entre avanço de colheita, condições climáticas instáveis e baixo ritmo de comercialização. Segundo levantamento da TF Agroeconômica, produtores mantêm cautela, acompanhando a oscilação dos preços e a irregularidade das lavouras no campo.

No Rio Grande do Sul, a semeadura já alcança 98% da área estimada, com 46% das lavouras em floração. As recentes chuvas têm contribuído para a recuperação do potencial produtivo, melhorando o cenário que há dois meses preocupava o setor. No entanto, regiões como São Borja começam a registrar déficit hídrico. Mesmo assim, o estado mantém expectativas positivas, com preços médios de R$ 129,00 por saca nos portos e R$ 123,00 no interior.

Em Santa Catarina, a colheita ainda é incipiente, mas o estado se destaca pela infraestrutura de armazenagem e logística eficiente. Essa vantagem reduz a pressão de escoamento e dá aos produtores maior poder de negociação, principalmente por conta da forte integração com o setor de proteína animal. As cotações variam entre R$ 115,00 e R$ 130,00 por saca, conforme a região.

Já o Paraná colheu cerca de 5% da área, um ritmo mais lento devido às chuvas frequentes. Apesar disso, 90% das lavouras permanecem em boas condições, com expectativa de produção próxima de 22 milhões de toneladas. A liquidez segue baixa, e o preço no porto de Paranaguá gira em torno de R$ 128,00 por saca.

Em Mato Grosso do Sul, o clima seco preocupa especialmente o sul do estado, onde pouco mais da metade das áreas está em boas condições. A comercialização ainda é tímida — apenas 27% da safra foi vendida, com preços entre R$ 109,00 e R$ 112,00, pressionando a rentabilidade. Enquanto isso, Mato Grosso lidera a colheita nacional, com quase 25% da área já colhida, mas enfrenta gargalos de armazenagem e preços inferiores a R$ 100,00 por saca em algumas regiões.

Óleo de soja impulsiona recuperação em Chicago

No cenário internacional, o mercado da soja mostrou sinais de recuperação na terça-feira (3), após as fortes quedas do início da semana. Na Bolsa de Chicago (CBOT), os contratos futuros registraram alta de cerca de 5,75 pontos, levando o vencimento de março a US$ 10,66 e o de maio a US$ 10,78 por bushel.

O avanço foi impulsionado principalmente pela valorização do óleo de soja, que subiu mais de 2%, acompanhando a recuperação das demais commodities, como ouro, milho e trigo. Por outro lado, o farelo de soja manteve leve retração.

Os analistas apontam que o mercado segue sensível aos fundamentos: a chegada da nova safra brasileira pressiona os preços, enquanto o clima irregular na América do Sul — excesso de chuvas no Brasil Central e seca no Sul e na Argentina — adiciona incertezas às projeções de oferta.

Além disso, fatores geopolíticos e macroeconômicos globais continuam influenciando o comportamento dos investidores, deixando o mercado agrícola altamente volátil.

Pressão do petróleo faz soja recuar em sessão seguinte

Apesar da breve recuperação, o mercado voltou a registrar queda na sessão seguinte. Os contratos futuros da soja encerraram o dia em baixa na CBOT, com o vencimento de março recuando 0,38%, para 1.060,25 centavos de dólar por bushel, e o de maio caindo 0,42%, para 1.072,50 centavos.

De acordo com a TF Agroeconômica, a retração foi influenciada pelo desempenho negativo do setor de energia, especialmente pela queda do petróleo, que impacta diretamente os biocombustíveis. Como soja e milho são insumos da produção de biodiesel e etanol, a desvalorização energética reduz a atratividade dos grãos e pressiona suas cotações futuras.

O avanço da colheita brasileira, que já supera 10% da área total, e as boas condições climáticas na Argentina reforçam o cenário de oferta abundante, limitando o potencial de recuperação dos preços no curto prazo.

Perspectivas: safra robusta, mas rentabilidade pressionada

Com a safra sul-americana ganhando ritmo e a volatilidade internacional persistindo, o mercado da soja deve seguir dividido entre fundamentos positivos de produtividade e desafios comerciais.

Enquanto o Brasil caminha para mais uma safra recorde, produtores mantêm postura conservadora diante dos custos, das incertezas climáticas e do cenário financeiro global. A combinação entre boa oferta, oscilações do petróleo e flutuações do dólar seguirá determinando o rumo das cotações nas próximas semanas.

Fonte: Portal do Agronegócio

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