Soja

Mercado da soja enfrenta pressão do clima e do câmbio, mas China pode reaquecer exportações

Chuvas no Sudeste e seca no Sul afetam colheita e escoamento, enquanto o comportamento do câmbio e a demanda chinesa definem o rumo dos preços da soja no Brasil


Publicado em: 25/02/2026 às 18:00hs

Mercado da soja enfrenta pressão do clima e do câmbio, mas China pode reaquecer exportações
Foto: CNA
Clima adverso e logística desafiam produtores de soja

O mercado de soja iniciou a semana sob influência direta das condições climáticas e dos custos logísticos, de acordo com análise divulgada nesta segunda-feira (23) pela Grão Direto.

A previsão de chuvas acima da média no Sudeste e em partes do Centro-Oeste pode atrasar a colheita e dificultar o escoamento da safra recorde até os portos, elevando os custos de transporte e reduzindo as margens do produtor.

Enquanto isso, o calor intenso e a seca no Sul do Brasil exigem atenção especial. Segundo a análise, se houver perdas nas lavouras tardias, os prêmios portuários em Rio Grande e Paranaguá podem encontrar suporte e limitar as quedas de preço.

Alta nos fretes e impacto sobre os preços da soja

Com o pico de escoamento da safra coincidindo com o transporte de milho, a demanda por fretes agrícolas aumentou de forma expressiva. Esse cenário tende a manter os custos de transporte em alta, o que pode ser repassado ao produtor por meio de descontos no preço recebido pela soja.

A análise da Grão Direto recomenda o uso de estratégias comerciais que permitam ao produtor aproveitar oportunidades de venda antecipada, antes que o custo logístico reduza a rentabilidade.

China pode impulsionar exportações brasileiras

O mercado também volta suas atenções à China, que deve retomar as compras após o feriado do Ano Novo Lunar. Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o país asiático deve importar cerca de 112 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26.

De acordo com o especialista da Grão Direto, uma aceleração nas importações chinesas, seja para reposição de estoques ou como medida preventiva a tensões comerciais com os EUA, pode favorecer as exportações brasileiras.

Os prêmios portuários, atualmente estáveis, devem ser observados de perto como indicadores de reação da demanda e de melhores oportunidades de negociação.

Câmbio e inflação trazem volatilidade ao mercado interno

No campo macroeconômico, os indicadores econômicos do Brasil e dos Estados Unidos devem aumentar a volatilidade cambial ao longo da semana. O mercado acompanha o Relatório Focus do Banco Central e o IPCA-15, que podem influenciar as expectativas sobre a taxa Selic e o comportamento do real frente ao dólar.

A análise aponta que, caso a inflação venha acima do esperado, a manutenção de juros elevados poderia fortalecer a moeda brasileira, o que tende a pressionar ainda mais os preços da soja no mercado interno.

Projeções indicam semana de volatilidade e preços enfraquecidos

Com a combinação de fatores climáticos, cambiais e logísticos, o mercado de soja deve permanecer altamente volátil nos próximos dias.

Na Bolsa de Chicago, os contratos seguem pressionados pelo aumento projetado da área plantada nos Estados Unidos, o que reforça o cenário de queda nas cotações.

Segundo a Grão Direto, a tendência para a semana é de mercado interno enfraquecido, com possibilidade de encerramento em campo negativo caso não haja novos impulsos de demanda externa.

Fonte: Portal do Agronegócio

◄ Leia outras notícias
/* */ --