Soja

Farelo e óleo de soja recuam após altas em novembro; mercado segue pressionado por correção internacional

Preços do farelo e do óleo de soja caem em dezembro e início de janeiro, pressionados pela correção no mercado internacional e pelo aumento da oferta na América do Sul


Publicado em: 22/01/2026 às 17:00hs

Farelo e óleo de soja recuam após altas em novembro; mercado segue pressionado por correção internacional
Após fortes ganhos, soja e derivados passam por correção global

O mercado de farelo e óleo de soja registrou queda nas cotações nas últimas semanas, acompanhando o movimento de correção observado no cenário internacional.

De acordo com o relatório Agro Mensal, divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA, os preços desses subprodutos refletiram o mesmo comportamento nas bolsas externas e no mercado interno, após o forte avanço ocorrido em novembro.

Mesmo com oferta limitada durante a entressafra, a pressão vinda da Bolsa de Chicago (CBOT) reduziu o espaço para novas altas no mercado brasileiro.

O Itaú BBA destaca que o movimento é técnico e ajustado à paridade de exportação, em um ambiente de demanda mais moderada e melhor expectativa de oferta global com o avanço da safra sul-americana.

Farelo de soja: preços caem 7,4% em dois meses

Após a expressiva valorização em novembro, o farelo de soja passou por um período de ajuste nas cotações internacionais.

Entre dezembro e a primeira quinzena de janeiro, as quedas acumuladas foram de 5,4% e 2%, respectivamente, levando o preço do produto de US$ 319 por tonelada em novembro para US$ 296/t em janeiro.

No mercado interno, o comportamento foi distinto: alta em dezembro e recuo de 2,4% em janeiro. Em Rondonópolis (MT), o preço foi negociado a US$ 1.527/t, seguindo a tendência internacional de correção.

Óleo de soja segue a mesma trajetória de queda

O óleo de soja acompanhou o mesmo movimento de correção observado no farelo.

Em Chicago, o produto registrou desvalorização de 1,2% na parcial de janeiro, sendo cotado a US$ 0,49 por libra-peso.

No mercado brasileiro, a tendência também foi de queda: no Mato Grosso, o valor do óleo recuou 1,3%, para R$ 6.150/t.

Mesmo com estoques mais ajustados e exportações expressivas nos meses anteriores, o mercado interno passou a sentir os efeitos das baixas nas bolsas internacionais, que reduziram o potencial de valorização no curto prazo.

Esmagamento maior pressiona o mercado e mantém estoques estáveis

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) revisou para cima as projeções de esmagamento de soja nos EUA e no Brasil para a safra 2025/26, o que deve ampliar a oferta global de farelo e óleo.

Com o aumento da produção, a oferta mundial de farelo de soja deve crescer 2%, alcançando 288 milhões de toneladas, enquanto o consumo global avança 4%, para 284 milhões de toneladas. Assim, os estoques finais devem permanecer estáveis, em torno de 19 milhões de toneladas.

Para o óleo de soja, a previsão é de aumento de 2% na produção mundial, atingindo 71,1 milhões de toneladas, com destaque para as altas nas produções da China (+4%), Brasil (+3%) e Estados Unidos (+2%).

O consumo global deve crescer 3%, chegando a 70,3 milhões de toneladas, impulsionado pela maior demanda de biocombustíveis, enquanto os estoques finais devem cair 5%, para 6 milhões de toneladas.

Acordo Mercosul–UE deve favorecer o farelo brasileiro

O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia tende a ampliar o acesso do farelo de soja brasileiro ao mercado europeu, fortalecendo a competitividade do Brasil frente aos produtores locais.

A expectativa é que a redução de tarifas e barreiras comerciais estimule a industrialização interna, tornando os produtos brasileiros mais atrativos e melhorando o preço médio do farelo no médio prazo.

Contudo, o Itaú BBA ressalta que requisitos ambientais e possíveis cotas de importação podem limitar os ganhos, exigindo adequação regulatória e planejamento estratégico por parte do setor.

Fonte: Portal do Agronegócio

◄ Leia outras notícias
/* */ --