Exportações de soja superam 101 milhões de toneladas e ANEC projeta 114 milhões em 2026
Embarques da oleaginosa avançam sobre 2025, enquanto milho perde ritmo; programação de outubro prevê 6,18 milhões de toneladas de soja e 5,34 milhões de toneladas do cereal
Publicado em: 07/10/2026 às 19:20hs
O Brasil exportou aproximadamente 101,4 milhões de toneladas de soja entre janeiro e setembro de 2026, ante 95,1 milhões de toneladas no mesmo período de 2025. O crescimento de cerca de 6,6% mantém a perspectiva de embarques de 114 milhões de toneladas até o encerramento do ano, segundo o Informativo de Setembro da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (ANEC).
Apesar do avanço acumulado, o relatório aponta um mercado mais cauteloso para a soja disponível, com desaceleração das compras chinesas e aumento da concorrência norte-americana. No milho, os embarques de setembro ficaram abaixo dos registrados um ano antes, enquanto o consumo interno ganhou relevância nas estimativas de demanda.
Soja soma 7,11 milhões de toneladas exportadas em setembro
As exportações brasileiras de soja alcançaram 7,11 milhões de toneladas em setembro, ligeiramente acima dos 6,97 milhões de toneladas embarcados no mesmo mês de 2025.
Para outubro, a programação de navios indica 6,18 milhões de toneladas, abaixo dos 6,40 milhões registrados em outubro do ano passado. Esse volume representa uma previsão baseada no line-up portuário e pode sofrer alterações ao longo do mês.
A China permanece como o principal destino da oleaginosa brasileira, com 70% dos embarques entre janeiro e setembro. Na sequência aparecem Espanha, com 4%, e Tailândia, Turquia e Paquistão, com 3% cada.
Demanda chinesa mais lenta pressiona preços de exportação
A análise da S&P Global Energy apresentada no informativo mostra que a soja brasileira perdeu valor em setembro, embora a disponibilidade restrita da safra velha tenha limitado uma queda mais acentuada.
O indicador SOYBEX FOB Santos, avaliado pela Platts para carregamento em novembro, encerrou 30 de setembro a US$ 523,29 por tonelada, redução de 1,7% no mês.
O prêmio em Santos passou de 149 para 133 centavos de dólar por bushel sobre os contratos de Chicago entre o início e o fim de setembro.
Segundo a análise, margens de esmagamento pressionadas na China reduziram o interesse por novas compras de entrega imediata. Paralelamente, a entrada da safra dos Estados Unidos ampliou a concorrência no mercado internacional.
Os negócios com a safra brasileira de 2027, entretanto, ganharam espaço, apoiados por margens de esmagamento mais favoráveis para entregas futuras.
Oferta restrita e dificuldades logísticas limitam recuos
A menor disponibilidade de soja da safra 2025/26 nos corredores de exportação dificultou a originação de cargas e ofereceu sustentação aos preços brasileiros.
Em Paranaguá, chuvas e movimentação simultânea de soja, milho, trigo e sorgo ampliaram as filas de navios e provocaram gargalos operacionais durante setembro, conforme o relatório.
O mercado também passou a acompanhar mais intensamente o potencial da safra 2026/27. Na seção de acompanhamento agrícola do informativo, o plantio brasileiro aparece com 9,4% da área prevista no início de outubro, com Paraná em 28%, Mato Grosso do Sul em 15% e Mato Grosso em 14,4%.
A análise da S&P Global Energy CERA projeta 177 milhões de toneladas de soja para o novo ciclo, queda de 2,7% frente à temporada anterior. A estimativa considera expansão da área, mas produtividade menor diante dos riscos climáticos e do aumento dos custos de produção.
Exportações de milho recuam em setembro
Os embarques de milho somaram 5,31 milhões de toneladas em setembro, contra 6,98 milhões no mesmo mês de 2025, uma redução de aproximadamente 23,9%.
Para outubro, a programação indica 5,34 milhões de toneladas, volume ainda sujeito a revisão. O Egito lidera os destinos do cereal brasileiro no acumulado de janeiro a setembro, com 25%, seguido por Irã, com 14%, e Vietnã, com 10%.
No acompanhamento da produção, o informativo registra a colheita da segunda safra praticamente concluída, com 99,9% da área. A estimativa da Conab citada no documento aponta produção total de 144 milhões de toneladas na safra 2025/26.
Já a projeção de consumo de milho em 2026 foi elevada de 95 milhões para 98,2 milhões de toneladas, reforçando o peso da demanda doméstica.
Farelo de soja e sorgo ganham destaque na programação de outubro
As exportações de farelo de soja atingiram 1,94 milhão de toneladas em setembro, ligeiramente abaixo do volume de um ano antes. Para outubro, o line-up prevê 2,09 milhões de toneladas.
A Indonésia foi o principal destino do farelo brasileiro entre janeiro e setembro, com 17% dos embarques. Países Baixos e Tailândia responderam por 11% cada, e o Irã, por 10%.
O sorgo também se destaca na programação portuária: após embarques de aproximadamente 695 mil toneladas em setembro, a previsão para outubro alcança 1,44 milhão de toneladas.
Os volumes programados indicam a movimentação esperada nos portos, mas sua confirmação depende da execução dos embarques e das revisões do calendário de navios.
Fonte: Portal do Agronegócio
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