Publicado em: 02/04/2026 às 19:40hs
O crescimento das exportações de soja no Brasil em fevereiro foi acompanhado por uma alta significativa nos preços dos fretes rodoviários. O avanço da colheita da oleaginosa, aliado ao período chuvoso, contribuiu para a pressão sobre a logística e os custos de transporte. As informações constam no Boletim Logístico divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento.
O aumento no volume exportado de soja intensificou a demanda por transporte, pressionando os preços dos fretes em diversas regiões produtoras. Além da colheita em ritmo acelerado, as condições climáticas adversas, especialmente as chuvas, dificultaram as operações logísticas, contribuindo para a elevação dos custos.
O monitoramento dos principais corredores logísticos aponta o Arco Norte e o Porto de Santos como os principais canais de exportação de soja e milho no início de 2026.
Pelo Arco Norte, foram escoados 40,8% da produção de milho e 38,4% da soja. Já pelo Porto de Santos, passaram 33,5% do milho e 36,8% da soja exportados no período.
Com a previsão de safra recorde divulgada pela Conab, a tendência é de continuidade na alta dos fretes nos próximos meses. Segundo o superintendente de Logística Operacional da companhia, Thomé Guth, fatores externos como câmbio, geopolítica e preços do petróleo seguirão influenciando os custos.
No cenário interno, o avanço da colheita de grãos mantém a pressão sobre a demanda por transporte e infraestrutura.
No Mato Grosso, principal produtor de grãos do país, o elevado volume de soja manteve o mercado logístico aquecido, com fretes até 19% mais altos em relação ao mês anterior. Mesmo com chuvas, melhorias em infraestrutura garantiram o fluxo da produção.
Já no Mato Grosso do Sul, algumas rotas registraram aumentos superiores a 30%, refletindo a forte demanda por transporte.
Em Goiás, o excesso de chuvas impactou o ritmo da colheita e gerou gargalos logísticos. Em algumas regiões, os fretes subiram mais de 50%, especialmente na primeira quinzena de fevereiro, quando houve retenção de veículos por dificuldades de carregamento e descarga.
No Distrito Federal, os fretes rodoviários tiveram aumento de até 6%, influenciados pelo custo do diesel, reajustes no piso mínimo e fatores macroeconômicos.
Na Bahia, os preços dos fretes cresceram em função da maior demanda por transporte no Centro-Oeste, que redirecionou prestadores de serviço. A alta ficou limitada a cerca de 10% em relação a janeiro.
Na região do Matopiba, o avanço da colheita também impactou a logística. No sul do Maranhão, os fretes subiram cerca de 5% em algumas rotas na comparação anual.
Já no Piauí, o início do escoamento da soja elevou os preços em média 11% frente ao mês anterior.
Em Minas Gerais, os fretes tiveram alta geral na comparação mensal, acompanhando o crescimento das exportações, com destaque para produtos de maior valor agregado e café. No entanto, o transporte do café registrou queda em rotas com destino ao sul do estado.
No Paraná, houve oscilação nos preços, dependendo da demanda regional e da disponibilidade de cargas de retorno.
Já em São Paulo, os fretes apresentaram estabilidade e leve tendência de queda, com expectativa de melhora nas cotações com o avanço da colheita.
O boletim também aponta aumento nas importações de fertilizantes. Em fevereiro, o Brasil importou 2,38 milhões de toneladas, volume superior ao registrado no mesmo período do ano anterior.
Esse cenário garante maior segurança para o plantio das próximas safras, reduzindo riscos de desabastecimento.
A expectativa é de que março concentre o pico de valorização dos fretes, impulsionado pelo auge do escoamento da soja e do milho. A combinação entre safra robusta, demanda aquecida e desafios logísticos deve manter os custos elevados no curto prazo.
Boletim Logístico - Março/2026
Fonte: Portal do Agronegócio
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