Publicado em: 09/04/2026 às 19:20hs
A colheita da safra brasileira de soja 2025/26 segue em ritmo acelerado e atingiu 82,1% da área plantada até a primeira semana de abril. O desempenho está levemente acima da média dos últimos cinco anos, embora ainda abaixo do registrado no mesmo período do ano passado.
O destaque é o estado de Mato Grosso, principal produtor do país, onde os trabalhos já estão praticamente concluídos, com 99% da área colhida.
As exportações brasileiras de soja ganharam força ao longo de março, alcançando 15,8 milhões de toneladas embarcadas — volume próximo ao registrado no mesmo mês de 2025.
Para abril, a expectativa é de exportações na casa de 14,9 milhões de toneladas. Já a programação de embarques (line-up) indica um volume potencial de até 16,7 milhões de toneladas, número que ainda pode passar por revisões nas próximas semanas.
O plantio da segunda safra de milho avançou de forma consistente e atingiu 99,2% da área estimada até o fim de fevereiro. Estados importantes como Mato Grosso, Goiás, Piauí, Tocantins e Maranhão já finalizaram a semeadura.
Com o avanço da colheita e escoamento da soja, os embarques de milho registraram queda, seguindo o comportamento sazonal típico do mercado.
Em março, foram exportadas cerca de 900 mil toneladas do cereal. Para abril, o line-up aponta um volume ainda menor, estimado em aproximadamente 192 mil toneladas.
A intensificação dos conflitos no Oriente Médio, especialmente na região do Estreito de Ormuz, tem gerado preocupações relevantes para o comércio marítimo internacional.
Apesar de não haver interrupção total das rotas, a navegação segue restrita e depende de autorizações específicas, o que aumenta significativamente a incerteza operacional.
Até o momento, os efeitos sobre as exportações brasileiras de milho são considerados limitados. Isso ocorre porque o principal período de embarques do cereal ocorre no segundo semestre, especialmente após a colheita da segunda safra.
No entanto, há risco de impactos mais relevantes caso o conflito se intensifique ou se prolongue nos próximos meses.
O aumento das tensões geopolíticas já tem reflexo direto nos custos logísticos. Os fretes marítimos, que tradicionalmente variavam entre US$ 35 e US$ 40 por tonelada, passaram a oscilar entre US$ 50 e US$ 60 por tonelada.
Além disso, os prêmios de seguro também registraram alta significativa, ampliando o custo total das exportações brasileiras, inclusive para mercados estratégicos como a China.
Mesmo com o anúncio recente de cessar-fogo e a possibilidade de reabertura do Estreito de Ormuz, o cenário ainda é de cautela.
A expectativa é de que a normalização das operações ocorra de forma gradual, condicionada à redução efetiva das tensões na região e à recomposição das condições de segurança para navegação e seguros marítimos.
Fonte: Portal do Agronegócio
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