Soja

Exportações de soja devem ganhar força em março apesar de atrasos causados pelas chuvas

Safra brasileira de grãos 2025/26 pode alcançar novo recorde e aumento na programação de navios reforça expectativa de forte ritmo de embarques, segundo Conab e Anec


Publicado em: 11/03/2026 às 10:35hs

Exportações de soja devem ganhar força em março apesar de atrasos causados pelas chuvas

O Brasil deve ampliar o ritmo de exportações de soja nos próximos dias, mesmo após um início de ano marcado por chuvas intensas que atrasaram parte da colheita em algumas regiões produtoras. A expectativa é que o país continue se beneficiando da forte demanda internacional e da elevada produção nacional prevista para a safra 2025/2026.

As projeções indicam que o Brasil deve manter posição de destaque no cenário global de grãos, com produção próxima de níveis recordes, ainda que algumas estimativas de produtividade tenham sofrido leves ajustes em função das condições climáticas.

Produção de grãos pode superar 350 milhões de toneladas

De acordo com estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento, a produção brasileira de grãos, cereais e leguminosas no ciclo 2025/2026 deve ficar entre 353,1 milhões e 354,7 milhões de toneladas. O volume representa crescimento de aproximadamente 0,8% a 1% em comparação com a safra anterior, consolidando uma das maiores produções da história do país.

Esse desempenho reforça a relevância do Brasil como um dos principais fornecedores globais de alimentos, especialmente no mercado de soja.

Programação de navios aponta embarques elevados em março

O ritmo de exportações deve ganhar intensidade neste mês. Segundo levantamento da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais, a programação de navios nos portos brasileiros indica embarques de cerca de 16,1 milhões de toneladas de soja em março.

Para Israel Santos, gerente comercial da Cooperativa Agroindustrial dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano, as chuvas no início do ano provocaram um atraso natural na colheita, mas não devem comprometer o desempenho das exportações ao longo dos próximos meses.

Segundo ele, a movimentação nos portos brasileiros já demonstra recuperação significativa quando comparada ao mesmo período do ano passado.

Excesso de umidade pode impactar qualidade dos grãos

Apesar das perspectivas positivas para os embarques, o excesso de chuvas também trouxe desafios para parte dos produtores. A elevada umidade durante o período de colheita pode afetar a qualidade dos grãos e gerar prejuízos pontuais em algumas regiões.

Ainda assim, o cenário geral permanece favorável para o avanço das exportações ao longo de 2026.

Disputas comerciais globais podem favorecer o Brasil

A dinâmica do comércio internacional também tende a beneficiar o agronegócio brasileiro. As negociações comerciais entre Estados Unidos e China podem provocar mudanças no fluxo global da soja, abrindo oportunidades adicionais para o Brasil ampliar sua participação em outros mercados.

Segundo representantes do setor, a logística internacional envolve longos períodos de transporte e armazenagem, o que exige planejamento e qualidade no produto exportado. Esse cenário pode gerar um deslocamento entre oferta e demanda, permitindo ao Brasil diversificar destinos de exportação além do mercado chinês.

Exportações brasileiras bateram recorde em 2025

Dados da Secretaria de Comércio Exterior mostram que o Brasil embarcou 3,38 milhões de toneladas de soja em dezembro de 2025, volume 59,3% superior ao registrado no mesmo mês de 2024.

No acumulado de janeiro a dezembro de 2025, o país exportou aproximadamente 108,68 milhões de toneladas de soja em grão, estabelecendo um recorde histórico e registrando crescimento de cerca de 11,7% em relação ao ciclo anterior.

Quando considerados também os embarques de farelo e óleo, o volume total exportado ultrapassou 130 milhões de toneladas.

Projeções para 2026 indicam novo avanço das exportações

Para 2026, a expectativa do setor é de continuidade do protagonismo brasileiro no comércio global de soja. O aumento da área plantada e a manutenção de altos níveis de produção devem sustentar o crescimento das exportações.

Estados produtores, como Goiás, seguem ampliando sua participação no comércio internacional, reforçando a importância estratégica da soja para o agronegócio brasileiro.

Contratos bem estruturados reduzem riscos nas operações

Diante do aumento das negociações internacionais, especialistas alertam para a importância de contratos sólidos nas operações de exportação.

De acordo com a advogada especialista em Direito do Agronegócio, Lívia Quixabeira, produtores e empresas que investem em tradings precisam garantir segurança jurídica nas negociações para reduzir riscos e evitar prejuízos.

Segundo a especialista, o contrato define aspectos fundamentais da operação, como responsabilidades no transporte, critérios de análise da qualidade dos grãos, legislação aplicável em caso de disputas e os mecanismos de resolução de conflitos.

Gestão de risco e documentação são essenciais

Além da elaboração de contratos detalhados, o setor precisa adotar estratégias de gestão de risco para manter segurança nas operações internacionais. Isso inclui organização societária adequada, critérios rigorosos de qualidade e garantias sólidas de pagamento.

Entre as recomendações também está a possibilidade de utilizar mecanismos internacionais de arbitragem, como os da Câmara de Comércio Internacional, em caso de disputas comerciais.

Cenário econômico também influencia o agronegócio

O ambiente macroeconômico brasileiro também permanece no radar do setor. Segundo projeções divulgadas no Boletim Focus, do Banco Central do Brasil, o mercado financeiro mantém expectativas de inflação próxima de 3,9% para 2026, enquanto a taxa básica de juros Selic deve seguir em patamar elevado ao longo do período.

Esses indicadores impactam diretamente o custo do crédito, o investimento em produção e a competitividade das exportações do agronegócio brasileiro.

Fonte: Portal do Agronegócio

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