Esmagamento da soja nos EUA atinge nível recorde para março, porém estoques ficam abaixo das estimativas
No último dia 15, a NOPA divulgou dados de março levemente altistas para o complexo de soja dos EUA. Não pelos próprios números de esmagamento - que já eram altos e vieram em linha com as expectativas -, mas sim pela queda dos estoques de óleo de soja, muito abaixo das estimativas, de acordo com análises da hEDGEpoint Global Markets.
Publicado em: 03/05/2022 às 09:40hs
Margens de esmagamento da China caíram acentuadamente no mês passado, uma vez que as margens persistentemente fracas para os produtores de suínos do país estão afetando o restante da cadeia. Por sua vez, esse fator vem fazendo o USDA reduzir sua projeção de importações de soja pelo país. Assim, se por um lado a demanda doméstica vem se mantendo forte, com altas chances continuidade, por outro lado as exportações dos EUA (que tinham muito a ganhar com a quebra no Brasil), podem se ver limitadas.
O volume de esmagamento da soja está no mais alto patamar já registrado para o mês de março nos Estados Unidos. Segundo relatório divulgado neste mês pela Associação Nacional de Processadores de Oleaginosas (Nopa, na sigla em inglês), o volume é de 4,95 milhões de toneladas. Os estoques do grão disponíveis, no entanto, ficaram abaixo da expectativa.
“Não pelos números de esmagamento -- que já eram altos e vieram em linha com as expectativas --, mas sim pela queda dos estoques de óleo de soja, muito abaixo das estimativas, as exportações dos EUA, que tinham muito a ganhar com a quebra de safra no Brasil, podem se ver limitadas”, observa o analista de Grãos e Proteínas Animais da hEDGEpoint Global Markets, Pedro Schicchi.
Em análise publicada nesta semana, o especialista destaca que o esmagamento na China caiu acentuadamente no mês passado, uma vez que margens fracas para os produtores de suínos do país estão afetando o restante da cadeia. Por sua vez, esse fator vem fazendo o USDA reduzir sua projeção de importações de soja pelo país.
O quadro para o esmagamento nos EUA continua forte e a NOPA trouxe notícias altistas nesse sentido. Não exatamente os números reais de esmagamento, mas sim o declínio dos estoques de óleo de soja no país.
Com o óleo ainda liderando as margens de esmagamento - devido aos altos preços da energia e à projeção de aumento de mandatos para o biodiesel - os altos estoques ainda não eram um fator preocupante, mas poderiam se tornar em um ponto ou outro. Devido ao cenário na Argentina, o consumo interno nos EUA se vê sustentado durante todo o ano e, principalmente, uma vez que a oferta da nova safra entrar (Figura 6).
No entanto, o contraponto é que em termos do O&D da safra atual, o relatório NOPA deste mês realmente traz pouca mudança, já que o ritmo até agora indica uma estimativa próxima da leitura atual do USDA sobre o esmagamento dos EUA. Além disso, os altos preços combinados com o cenário pós-PSA na China vêm pressionando as margens de esmagamento no país e levando a leituras de menor importação pelo país, o que também pode começar a compensar parte do sentimento altista para os EUA.
Fonte: Conteúdo Comunicação
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