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Soja

El Niño pode atrasar plantio da soja em outubro com chuva irregular no Centro-Oeste

Falta de umidade limita semeadura em áreas de sequeiro de Mato Grosso, enquanto excesso de chuva pode reduzir as janelas de trabalho no Paraná e em outros pontos do Sul


Publicado em: 28/09/2026 às 10:45hs

El Niño pode atrasar plantio da soja em outubro com chuva irregular no Centro-Oeste

O plantio da safra brasileira de soja 2026/27 começou sob atenção redobrada às condições climáticas. O avanço do El Niño pode provocar cenários opostos nas regiões produtoras: chuvas irregulares no Centro-Norte e excesso de umidade em áreas do Sul.

O maior risco está concentrado em outubro, período em que a semeadura ganha ritmo nos principais estados produtores. Em Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul, a distribuição irregular das precipitações poderá obrigar parte dos agricultores a adiar a entrada das máquinas. No Paraná, o problema poderá ser o excesso de chuva, com redução dos períodos adequados para as operações de campo.

Dados da Pátria Agronegócios mostram que 0,73% da área nacional estava plantada, ligeiramente acima dos 0,64% registrados no mesmo período da temporada passada. A consultoria projeta que a soja ocupará 49,38 milhões de hectares no Brasil nesta safra.

Plantio da soja chega a 0,8% em Mato Grosso

Em Mato Grosso, maior produtor brasileiro de soja, a semeadura atingiu 0,8% da área prevista, ante 0,6% no mesmo período do ano passado, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

O avanço está concentrado principalmente em propriedades com áreas irrigadas por pivô central. Nas lavouras de sequeiro, os trabalhos permanecem lentos porque as chuvas registradas até agora não foram suficientes para recuperar o armazenamento de água no solo.

O estado recebeu precipitações no início de setembro, permitindo que produtores de algumas regiões começassem a semeadura. A partir da segunda quinzena, porém, a chuva perdeu força.

Segundo Ludmila Camparotto, meteorologista da Rural Clima, esse comportamento já era esperado diante da influência do El Niño. Novas instabilidades são previstas com a chegada de uma frente fria originada no Sul do País.

Chuvas devem retornar de forma irregular

A frente fria poderá provocar pancadas de chuva no sul e no oeste de Mato Grosso, favorecendo pontualmente a retomada dos trabalhos. A previsão, entretanto, indica distribuição irregular.

Isso significa que determinadas localidades poderão acumular umidade suficiente para o plantio, enquanto outras continuarão aguardando precipitações mais volumosas e regulares.

A semeadura em solo com pouca umidade aumenta os riscos de germinação desuniforme, falhas no estande e necessidade de replantio. Por esse motivo, parte dos produtores evita acelerar os trabalhos antes da confirmação das chuvas.

Camparotto prevê aumento das precipitações na transição de setembro para outubro, mas alerta que a frequência será diferente entre as regiões produtoras.

“Em algumas localidades, as chuvas serão mais frequentes. Em outras, o produtor terá que esperar um pouco mais para conseguir semear. É um cenário de irregularidade que ainda veremos muito neste ano”, afirmou a meteorologista.

Excesso de umidade pode limitar plantio no Paraná

No Paraná, segundo maior produtor nacional da oleaginosa, o plantio alcançou 2% da área prevista para a safra 2026/27. O índice está abaixo dos 3% registrados no mesmo período do ciclo anterior, conforme a Conab.

O estado foi o primeiro a iniciar a semeadura nesta temporada e apresenta umidade mais elevada que as áreas do Centro-Oeste. Nesse caso, o excesso de chuva pode interromper as operações e reduzir os dias disponíveis para o trabalho das máquinas.

De acordo com a Rural Clima, o solo paranaense já possui bastante umidade, e novas precipitações podem dificultar a continuidade do plantio nos próximos dias.

Além de impedir a entrada dos equipamentos, volumes excessivos podem comprometer o estabelecimento inicial das plantas, principalmente em áreas com drenagem insuficiente.

Goiás e Mato Grosso do Sul iniciam semeadura

Produtores de Goiás e Mato Grosso do Sul também começaram a colocar as sementes no solo, segundo Matheus Pereira, diretor da Pátria Agronegócios.

O avanço ocorre de maneira localizada, condicionado à umidade disponível em cada região. As chuvas espaçadas permitiram o início dos trabalhos em alguns municípios, mas ainda não garantem condições uniformes para acelerar a semeadura.

Apesar das limitações atuais, Pereira avalia que eventuais atrasos não representam, neste momento, um problema significativo para a safra.

“A maior parte da janela de plantio se concentra em meados de outubro. Tivemos muitas chuvas espaçadas, mas ainda é cedo para falar em problemas provocados pelo clima”, afirmou.

Outubro será decisivo para a safra de soja 2026/27

A evolução das chuvas nas próximas semanas será determinante para o ritmo nacional do plantio. Em outubro, a semeadura deverá ganhar escala no Centro-Oeste, região responsável por grande parcela da produção brasileira.

A regularização das precipitações será necessária para recuperar a umidade do solo e permitir o estabelecimento adequado das lavouras em Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul.

No Sul, o mercado acompanhará o volume e a frequência das chuvas. Caso as precipitações ocorram de maneira persistente, os produtores poderão enfrentar intervalos menores para semear e concluir outras operações agrícolas.

O calendário da soja também influencia a implantação da segunda safra de milho. Atrasos mais prolongados podem reduzir a janela disponível para o cereal, aumentando a exposição das lavouras às condições climáticas desfavoráveis no fim do ciclo.

Por enquanto, o plantio brasileiro permanece próximo do ritmo observado no ano passado. A confirmação de uma safra dentro do potencial projetado dependerá, entretanto, da distribuição das chuvas ao longo de outubro e dos próximos meses.

Fonte: Portal do Agronegócio

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