Publicado em: 08/01/2024 às 13:50hs
O mercado de soja brasileiro enfrenta um início de 2024 repleto de desafios e incertezas, conforme a análise do especialista Luiz Fernando Gutierrez Roque, da SAFRAS & Mercado. A principal fonte de dúvidas reside no tamanho da nova safra brasileira, prestes a iniciar sua colheita.
O fenômeno El Niño, marcado por condições climáticas adversas desde outubro de 2023, trouxe consideráveis impactos para o desenvolvimento das lavouras em diversas regiões do Brasil, especialmente nas áreas Norte, Nordeste e grande parte da região Centro-Oeste. A falta de umidade e as temperaturas elevadas durante o plantio e desenvolvimento das lavouras resultaram em reduções no potencial produtivo da safra. O que inicialmente apontava para uma safra recorde, com potencial superior a 160 milhões de toneladas, agora se revela como uma produção estimada em 151,3 milhões de toneladas, bastante aquém dos 163 milhões iniciais.
Roque ressalta que o mercado não depende exclusivamente da safra brasileira. A Argentina, após uma quebra histórica em 2023, apresenta um potencial produtivo próximo a 50 milhões de toneladas em 2024, uma recuperação significativa de aproximadamente 30 milhões de toneladas. Essa produção pode desempenhar um papel decisivo no primeiro semestre, influenciando a dinâmica do mercado sul-americano.
A possibilidade de a Argentina confirmar uma produção desse porte é o fator preponderante no momento, influenciando diretamente os contratos futuros em Chicago e podendo continuar a pressionar as cotações nos próximos meses. O retorno da Argentina ao mercado exportador também pode impactar os embarques brasileiros de soja, farelo de soja e óleo de soja, afetando os prêmios de exportação, elementos cruciais na formação das cotações.
Diante desse cenário, a SAFRAS projeta um primeiro semestre com margens apertadas para os produtores brasileiros, sem expectativas de uma recuperação significativa nos preços. Apenas perdas adicionais no Brasil ou eventos relevantes na Argentina têm potencial para alterar esse panorama, a menos que surpresas ocorram.
Quanto ao segundo semestre, a atenção se volta para a safra norte-americana, cujo plantio se inicia a partir de abril/maio. Embora seja cedo para definições precisas, a tendência inicial sugere um aumento na área de soja nos Estados Unidos, o que contribuiria para um crescimento do potencial produtivo norte-americano. Contudo, como ressalta Roque, nada é certo neste momento.
Para o Brasil, a SAFRAS espera um segundo semestre com preços menos pressionados devido à menor disponibilidade de soja causada pelas perdas produtivas. No entanto, o desfecho da safra norte-americana continuará sendo um fator decisivo nos últimos meses de 2024. Assim, ao longo do ano, a atenção deve permanecer elevada, especialmente diante do retorno de um grande player internacional ao mercado.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias