Publicado em: 22/01/2024 às 13:10hs
Ao longo desta semana, o mercado internacional de soja enfrentou oscilações significativas após a divulgação de dados baixistas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) na última sexta-feira, 12. O relatório revelou números surpreendentemente altos para a safra e estoques nos EUA, enquanto indicava um corte abaixo do esperado na produção brasileira.
O tamanho da safra brasileira, impactado por condições climáticas adversas, continua sendo o ponto central de atenção do mercado. As estimativas do USDA e da Conab, que apontam para 155 milhões de toneladas, parecem estar acima da média das consultorias privadas, com a SAFRAS indicando uma produção de 151,3 milhões de toneladas.
Na presente semana, a Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja) mencionou uma estimativa em torno de 135 milhões de toneladas, enquanto uma consultoria associada à entidade apontou uma safra de aproximadamente 140 milhões de toneladas. Contudo, esses números parecem ser considerados exagerados pelo mercado.
Apesar do corte na produção, especialmente no maior estado produtor, o Mato Grosso, o impacto nos contratos futuros em Chicago foi limitado. Isso ocorre devido à perspectiva de uma safra robusta na América do Sul, incluindo as 150 milhões de toneladas do Brasil, que, embora abaixo das expectativas (inicialmente acima de 160 milhões), ainda representa uma colheita considerável. Adicionalmente, espera-se um aumento nas safras do Paraguai, Uruguai e, principalmente, da Argentina.
O relatório de janeiro do USDA trouxe informações cruciais para o mercado de soja:
O estado de Mato Grosso, impactado pelo intenso El Niño, enfrentou uma temporada com falta de chuva, resultando em dias quentes e períodos prolongados sem precipitação. Isso levou a uma projeção de produção para a safra 2023/24 em 39,01 milhões de toneladas, uma queda significativa de 13,93% em relação à safra anterior.
A quebra expressiva na produtividade, especialmente nas áreas semeadas até o final de outubro/23, reflete o regime de precipitação insuficiente, encurtando o ciclo da soja e prejudicando o potencial produtivo das plantas.
Até o dia 12 de janeiro, a colheita da safra de soja 2023/24 no Brasil atingiu 2,1% da área total estimada. Os trabalhos começaram mais adiantados em comparação ao mesmo período do ano anterior (1%) e superam a média dos últimos cinco anos (1,7%). No Paraná, a colheita atingiu 4%, comparada à média de 4,2%, enquanto no Mato Grosso, os trabalhos alcançaram 6%, superando a média de 4% para o período, segundo levantamento da SAFRAS & Mercado.
Fonte: Portal do Agronegócio
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