Soja

Crise reduz consumo de farelo de soja

A crise econômica e o consequente aumento do desemprego no país começam a refletir também nas vendas de insumos para o setor de produção de carnes


Publicado em: 07/06/2016 às 16:30hs

Crise reduz consumo de farelo de soja

O consumo interno de farelo de soja caiu 4% nos quatro primeiros meses do ano em relação a igual período do ano passado. Os dados são da Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais) e foram divulgados nesta quinta-feira (2).

As vendas de farelo somaram 4,88 milhões de toneladas nos quatro primeiros meses do ano. O produto é uma das matérias-primas importantes para a produção de ração.

A alta do farelo segue os passos da soja em grão, cujos preços estão com valores recordes.

Com milho e soja caros, as empresas estão adotando um movimento de redução da produção de carnes, com menor alojamentos de animais.

Além disso, a queda no consumo de farelo de soja ocorre porque as empresas, devido aos preços elevados, estão utilizando parte de seus estoques de segurança a fim de evitar maiores custos.

Afinal, a elevação interna dos custos não pode ser acompanhada por um repasse de preços para o consumidor, devido à recessão interna e ao desemprego.

As indústrias de carnes estão sendo afetadas tanto nos custos como na demanda.

Os custos internos de soja e milho são provocados por recordes de exportações nos últimos meses e consequente dificuldade de obtenção do produto no mercado interno.

A demanda externa por farelo, por exemplo, continua aquecida. Nos cinco primeiros meses deste ano, o Brasil exportou 6,9 milhões de toneladas dessa matéria-prima, 20% mais do que em igual período do ano passado.

No caso do milho, as exportações dos cinco primeiros meses atingem 12,2 milhões de toneladas, 138% mais do que em igual período anterior.

Preço externo cai, mas receita do agronegócio sobe 10%, aponta Cepea

O desempenho externo do agronegócio brasileiro continua com intensa movimentação, atingindo números recordes no ano.

O volume exportado salva as receitas obtidas pelo país, mesmo com a queda nos preços externos.

No primeiro quadrimestre deste ano, as receitas externas do agronegócio já somam US$ 28 bilhões, 10% mais do que em igual período do ano passado.

Pelos menos metade das receitas com as exportações totais do país vieram do agronegócio. Os dados são do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada).

Já o volume exportado teve alta de 44% no quadrimestre, em relação a janeiro e abril de 2015. Essa aceleração no volume exportado se deve, em boa parte, à soja, cujas exportações aumentaram 59% no período.

Mas o Cepea constatou que os preços em dólar continuaram em queda para todos os produtos acompanhados pela entidade.

Nos últimos 12 meses até abril, em relação a igual período imediatamente anterior, o volume exportado pelo agronegócio aumentou 31%.

Nesse mesmo período, o preço e o faturamento, em dólares, caíram 19% e 2%, respectivamente. A valorização do câmbio foi de 22%.

Devido a esses desempenho de volume, preços e variação do dólar, o faturamento em real teve alta de 28%.

O Cepea prevê uma continuidade das exportações neste ano, por conta dos contratos de vendas já fechados. Um ambiente mais favorável da economia, no entanto, deve inibir valorizações do dólar, o que reduziria a atratividade das exportações brasileiras.

Fonte: Folha de S. Paulo

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