Publicado em: 21/11/2025 às 19:40hs
A Safras & Mercado revisou para baixo sua estimativa de produção de soja no Brasil para a safra 2025/26, projetando 178,76 milhões de toneladas. Apesar do corte, o volume ainda representa crescimento de 4% em relação à temporada anterior, que somou 171,84 milhões de toneladas.
Na previsão anterior, divulgada em 5 de setembro, a consultoria estimava 180,92 milhões de toneladas, mas as condições climáticas adversas no Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) motivaram o ajuste.
A área total plantada foi estimada em 48,31 milhões de hectares, avanço de 1,4% frente aos 47,64 milhões do ciclo 2024/25. A produtividade média nacional deve atingir 3.719 kg/ha, ligeiramente acima dos 3.625 kg/ha registrados anteriormente.
Entretanto, o analista Rafael Silveira, da Safras & Mercado, ressalta que o Centro-Norte do país enfrenta chuvas irregulares e atrasos no plantio, o que reduz o potencial produtivo. “Não se trata de uma safra perdida, mas de um desempenho mais limitado em algumas regiões, especialmente onde foi necessário replantio”, explica.
O Tocantins foi um dos estados mais afetados, com o potencial produtivo reduzido de 3.800 para 3.660 kg/ha, o que equivale a uma queda de 63,3 para 61 sacas por hectare. A produção esperada é de aproximadamente 5,7 milhões de toneladas.
Houve também redução na produtividade do Maranhão, da Bahia e de outros estados do Norte, que enfrentaram atraso nas chuvas e menor regularidade climática.
No Paraná, um dos maiores produtores nacionais, eventos climáticos extremos como geadas e tornados afetaram parte das lavouras. Mesmo assim, o estado deve colher cerca de 21,7 milhões de toneladas, superando a safra passada, mas abaixo do potencial inicial projetado.
Silveira destaca que, mesmo com os ajustes, o Brasil deve registrar safra recorde em 2026, com produção próxima a 178,7 milhões de toneladas. “O corte foi pequeno, e a produtividade segue robusta em diversas regiões produtoras”, afirma.
O relatório de oferta e demanda da Safras & Mercado projeta que o Brasil exportará 109 milhões de toneladas de soja em 2026, alta de 2% em relação às 107 milhões previstas para 2025.
O esmagamento interno também deve subir, passando de 58,5 milhões para 59,5 milhões de toneladas.
A oferta total da oleaginosa deve alcançar 184,29 milhões de toneladas, um aumento de 6%, enquanto a demanda deve atingir 171,4 milhões, avanço de 2% sobre o ciclo anterior. Como resultado, os estoques finais devem mais que dobrar, saltando de 5,52 milhões para 12,89 milhões de toneladas, crescimento de 133%.
Segundo Silveira, as exportações brasileiras foram ajustadas de 111 para 109 milhões de toneladas, diante da possibilidade de uma atuação mais ativa da China nas compras da safra norte-americana.
“O principal ponto de atenção é que, se as exportações brasileiras não atingirem volumes recordes, o país poderá acumular estoques elevados”, avalia o analista.
Fonte: Portal do Agronegócio
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