Soja

Clima, Logística e Mercado Global Impactam a Soja: Preços Estáveis no Brasil e Oscilações em Chicago

Safra revisada, gargalos nos portos e alta do petróleo definem o cenário da soja no início de março


Publicado em: 03/03/2026 às 11:20hs

Clima, Logística e Mercado Global Impactam a Soja: Preços Estáveis no Brasil e Oscilações em Chicago
Produção Nacional é Revisada e Clima Reduz Potencial das Lavouras

O mercado brasileiro de soja iniciou a semana sob forte influência do clima e da logística, que seguem determinando o ritmo das negociações e impactando as projeções de produção. Segundo a TF Agroeconômica, a safra nacional foi revisada para 178 milhões de toneladas, refletindo as perdas expressivas causadas pela estiagem no Rio Grande do Sul.

A seca afetou de forma irreversível o potencial produtivo de regiões críticas do estado, levando produtores a adiarem novas vendas enquanto aguardam dados atualizados da Emater/RS-Ascar. Nos principais polos agrícolas — Ijuí, Cruz Alta, Passo Fundo e Santa Rosa — a saca foi cotada em R$ 118,00, enquanto no Porto de Rio Grande o valor se manteve em R$ 130,00, sem variações no dia.

Santa Catarina e Paraná Enfrentam Estabilidade e Dificuldades Logísticas

Em Santa Catarina, o mercado manteve estabilidade, com foco no abastecimento das agroindústrias de proteína animal. No Porto de São Francisco do Sul, a saca foi negociada a R$ 128,66, com leve recuo de 0,26%.

Já o Paraná, com 42% da área colhida, enfrenta gargalos logísticos expressivos. De acordo com o DERAL, filas de até 15 quilômetros foram registradas no acesso ao Porto de Paranaguá, levando produtores a recorrer a armazenagem temporária em silo bolsa. Em Cascavel, a saca subiu para R$ 116,23, enquanto Maringá e Ponta Grossa registraram R$ 122,50.

Mato Grosso e Mato Grosso do Sul: Atrasos e Casos de Ferrugem Asiática Elevam Custos

No Mato Grosso do Sul, a colheita atinge 6,2% da área, um atraso de 11 pontos percentuais em comparação com o ciclo anterior. Mais de 60 casos de ferrugem asiática foram confirmados, aumentando os custos de produção e pressionando as margens. Os preços variam entre R$ 107,00 e R$ 111,00 por saca.

No Mato Grosso, a colheita já alcança 78,34% da área, segundo o IMEA. A grande concentração de oferta e os gargalos logísticos, no entanto, reduzem a competitividade. Nas principais praças, as cotações variam entre R$ 101,50 e R$ 109,30.

Alta do Petróleo Impulsiona a Soja em Chicago

No cenário internacional, os contratos futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago (CME) registraram alta expressiva nesta terça-feira (3), acompanhando o forte avanço do petróleo Brent e do WTI. Por volta das 7h20 (horário de Brasília), os ganhos variavam entre 11,25 e 14,75 pontos, levando o contrato de março a US$ 11,61, o de maio a US$ 11,78 e o de julho a US$ 11,91 por bushel.

O óleo de soja avançou 1,2%, cotado a 63,47 cents de dólar por libra-peso, enquanto o farelo subiu 0,9%, a US$ 315,60 por tonelada curta. O petróleo segue em forte valorização, com o Brent atingindo US$ 82,72 e expectativa de chegar aos US$ 100,00, cenário que tem impulsionado os óleos vegetais e o complexo soja.

Correção Técnica Interrompe Sequência de Altas Recentes

Na segunda-feira (2), o mercado internacional da soja apresentou movimento misto, com realização de lucros após uma sequência de altas. Segundo a TF Agroeconômica, o contrato de março recuou 0,63%, a 1.150,00 cents por bushel, enquanto o de maio caiu 0,58%, a 1.164,00 cents.

O farelo de soja registrou queda de 2,28%, cotado a US$ 308,30 por tonelada curta, e o óleo de soja manteve alta de 1,44%, a 62,17 cents por libra-peso, impulsionado pelo avanço do petróleo e pela forte demanda global.

Perspectivas: Clima e Volatilidade Global Devem Manter Pressão no Mercado

O mercado da soja segue marcado por alta volatilidade, influenciado tanto por fatores externos — como o comportamento do petróleo e as tensões geopolíticas — quanto por questões internas, como problemas climáticos e gargalos logísticos.

As próximas semanas devem manter o mercado em alerta, com atenção redobrada às revisões de safra, ritmo de embarques norte-americanos e condições climáticas que podem redefinir o desempenho da colheita brasileira.

Fonte: Portal do Agronegócio

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