China adia novas compras de soja e mantém disputa entre Brasil e EUA para o fim do ano
Após o encontro entre Trump e Xi Jinping, não houve anúncio de volumes adicionais. Com parte da demanda chinesa já contratada, o mercado acompanha as compras para dezembro e o início de 2027
Publicado em: 28/09/2026 às 19:20hs
A China ainda não anunciou novas compras de soja após o encontro entre Donald Trump e Xi Jinping. Sem alteração divulgada para os volumes ou as condições comerciais do produto americano, a atenção do mercado se concentra em quando os importadores chineses voltarão a contratar cargas e em qual origem escolherão.
Segundo levantamento apresentado pela Biond Agro, a China já contratou cerca de 28 milhões de toneladas de soja brasileira, 13,73 milhões de toneladas dos Estados Unidos e 1,65 milhão de toneladas da Argentina e do Uruguai. A cobertura permite ao país avaliar preços e disponibilidade antes de ampliar as compras, mas diminui para os embarques previstos a partir de dezembro.
Acordo de soja com os EUA ainda tem 11,3 milhões de toneladas em aberto
A China assumiu o compromisso de comprar pelo menos 25 milhões de toneladas anuais de soja americana entre 2026 e 2028. Desse total, 13,73 milhões de toneladas estariam contratadas para 2026, conforme os números da Biond Agro. Restariam, portanto, aproximadamente 11,3 milhões de toneladas para atingir o volume previsto para o ano. whitehouse.gov
Antes da reunião entre os presidentes, agentes do mercado consideravam a possibilidade de ampliação das compras para 27 milhões a 28 milhões de toneladas, com cenários mais otimistas próximos de 30 milhões. Nenhum volume adicional foi anunciado.
Para Isabella Pliego, analista de inteligência e estratégia da Biond Agro, o ritmo das próximas contratações será tão relevante quanto o total adquirido. Compras destinadas apenas a completar os 25 milhões de toneladas já previstos manteriam a demanda dentro do cenário esperado; volumes acima desse patamar poderiam mudar a avaliação sobre as exportações americanas.
Cobertura chinesa diminui a partir de dezembro
A necessidade de soja considerada no levantamento é de aproximadamente 111 milhões de toneladas, das quais 43,37 milhões já foram contratadas. Isso corresponde a cerca de 39% da demanda, ante 31,3% no mesmo período do ano anterior. Embora a necessidade total tenha crescido aproximadamente 3%, o volume já contratado avançou 28,8%.
No curto prazo, a cobertura é maior. Para outubro, há 10,49 milhões de toneladas contratadas diante de uma necessidade estimada de 10,5 milhões. Em novembro, as compras somam 5,54 milhões de toneladas, ou 69% das 8 milhões de toneladas previstas.
A parcela contratada cai para 40% em dezembro e 17% em janeiro. Para fevereiro, a cobertura é de 26%; em março, de 56%; e, em abril, de 44%. Esses percentuais indicam em quais meses a China ainda precisará buscar mais soja, embora as decisões de compra também dependam de preços e condições comerciais.
Safra americana lidera no curto prazo; Brasil ganha espaço em 2027
Os Estados Unidos predominam nas cargas chinesas contratadas para outubro e novembro, período de maior disponibilidade da nova safra americana. Para outubro, são cerca de 6,40 milhões de toneladas de soja dos EUA, ante 3,30 milhões de toneladas do Brasil. Em novembro, os volumes são de 2,90 milhões e 2,11 milhões de toneladas, respectivamente.
Nos meses seguintes, a soja brasileira ganha presença entre as compras já programadas. O Brasil tem aproximadamente 2,11 milhões de toneladas contratadas para fevereiro, 6,73 milhões para março e 5,48 milhões para abril, quando a nova safra estará mais disponível.
“A China entra nos próximos meses com uma parcela importante da sua necessidade já coberta e, por isso, pode esperar para avaliar preços, disponibilidade e as condições comerciais antes de ampliar as compras”, afirma Isabella. Segundo a analista, dezembro e o início de 2027 serão decisivos para observar a divisão da demanda entre as duas origens.
Tarifas entram na conta dos compradores chineses
De acordo com a Biond Agro, a soja americana enfrenta tarifa total de 13% para entrar na China, enquanto a brasileira está sujeita a 3%. A diferença integra a comparação de custos feita pelos compradores, ao lado dos preços, da disponibilidade e dos prazos de embarque.
Para o mercado brasileiro, o ponto de atenção é quanto da demanda ainda descoberta será contratado antes da chegada da nova safra. A resposta ajudará a definir a participação do Brasil nas vendas à China e poderá influenciar os prêmios de exportação. Nos Estados Unidos, o ritmo de contratação das 11,3 milhões de toneladas restantes será acompanhado por seus possíveis efeitos sobre a demanda e as cotações da soja em Chicago.
Fonte: Portal do Agronegócio
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