Soja

Brasil consolida liderança global na soja em 2025, mas acordo entre China e EUA pode redefinir mercado em 2026

Com safra recorde e exportações em alta, país mantém posição de maior produtor mundial, mas novas negociações comerciais entre chineses e americanos acendem alerta no agronegócio brasileiro


Publicado em: 19/01/2026 às 20:00hs

Brasil consolida liderança global na soja em 2025, mas acordo entre China e EUA pode redefinir mercado em 2026
Safra recorde e desafios regionais marcaram o ciclo de 2025

O ano de 2025 foi histórico para o mercado de soja brasileiro, com o país registrando uma safra recorde, apesar das adversidades climáticas. Segundo a equipe de Inteligência de Mercado da StoneX, o cenário agrícola foi influenciado principalmente pelas condições do clima na América do Sul, que impactaram a produtividade e os preços da oleaginosa ao longo do ano.

O Rio Grande do Sul foi o estado mais afetado, com perdas significativas que reduziram parte da oferta nacional. Em contrapartida, a maioria dos demais estados apresentou excelente desempenho produtivo, alcançando índices de produtividade acima da média e até recordes locais.

Argentina e Estados Unidos também tiveram bons resultados

Na Argentina, o clima adverso limitou o potencial produtivo, mas o país ainda conseguiu colher uma safra consistente, sem grandes ameaças à oferta global.

Nos Estados Unidos, embora tenha havido uma redução de 7% na área plantada — que ficou em 32,86 milhões de hectares —, a produção se manteve robusta, totalizando 116 milhões de toneladas, impulsionada por uma produtividade recorde de 3,56 toneladas por hectare.

Produção mundial supera consumo e mantém preços sob controle

Com a consolidação da safra 2024/25, a produção global de soja superou o consumo, o que resultou em estoques elevados e limitou o avanço das cotações internacionais.

Apesar disso, a demanda mundial segue em crescimento, ainda que em ritmo mais previsível e moderado. As condições climáticas continuam sendo o principal fator de incerteza, mas os últimos anos não registraram quebras significativas que alterassem o equilíbrio entre oferta e demanda.

China manteve protagonismo nas importações e redefiniu estratégias

No comércio internacional, as tensões entre China e Estados Unidos voltaram a influenciar o mercado da soja. Após períodos de taxações mútuas e redução nas compras, os países assinaram um novo acordo comercial em outubro de 2025, restabelecendo o fluxo de exportações norte-americanas.

Durante o período, a China direcionou suas compras à safra recorde brasileira de 2024/25, importando mais de 85 milhões de toneladas. Com o novo acordo, o país asiático deve adquirir 12 milhões de toneladas de soja dos EUA até fevereiro de 2026 e 25 milhões de toneladas por ano nos três anos seguintes, patamar semelhante ao observado antes do acirramento das disputas comerciais.

Expectativas para 2026: novo recorde brasileiro e incertezas chinesas

As projeções da StoneX indicam que o Brasil deve registrar outro recorde de produção em 2026, consolidando sua posição como maior exportador mundial. A Argentina tende a manter bons resultados, ainda que com redução de área cultivada, e o mercado global deve continuar com produção superior ao consumo, embora com diferença menor em relação ao ano anterior.

No entanto, as incertezas sobre a demanda chinesa permanecem. O país enfrenta margens mais apertadas na suinocultura e crescimento econômico mais lento, o que pode limitar o avanço das importações. Ainda assim, a China continua sendo o principal destino da soja brasileira, sem outro mercado capaz de substituir sua relevância no curto prazo.

Fonte: Portal do Agronegócio

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