Publicado em: 10/11/2025 às 11:20hs
O Brasil atingiu um novo marco nas exportações do complexo soja. De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), analisados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP), o país embarcou 19,6 milhões de toneladas de farelo de soja entre janeiro e outubro, o maior volume já registrado para o período.
A demanda internacional segue aquecida, com destaque para novos compradores e destinos menos tradicionais, como Espanha, Dinamarca, Bangladesh e Portugal. No mercado interno, o consumo também mostra força, com indústrias mais ativas nas aquisições do derivado.
Em relação à soja em grão, o Brasil exportou 100,6 milhões de toneladas na parcial de 2025, volume 6,7% superior ao do mesmo período do ano passado. A China continua como principal destino, respondendo por 78,8 milhões de toneladas do total exportado.
As chuvas registradas nas últimas semanas beneficiaram as lavouras em diversas regiões do país, melhorando as condições para o avanço das atividades de campo. No entanto, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o plantio da soja atingiu 47,1% da área estimada até 1º de novembro, resultado inferior aos 53,3% observados em 2024 e também abaixo da média dos últimos cinco anos, de 54,7%.
No Rio Grande do Sul, o mercado opera em compasso de espera, com foco nas atividades de campo e baixo volume de novos negócios. Em Não-Me-Toque, a saca de 60 kg foi cotada a R$ 121,00, queda de 0,82%. No porto, o preço para pagamento em novembro ficou em R$ 142,00/sc (+0,35%), enquanto no interior as referências giraram em torno de R$ 133,00/sc em localidades como Cruz Alta, Passo Fundo, Santa Rosa e São Luiz.
Em Santa Catarina, o comportamento do mercado segue alinhado à instabilidade climática que afeta todo o Sul. No porto de São Francisco do Sul, a soja foi cotada a R$ 139,31/sc, recuo de 0,65%.
No Paraná, a estrutura de armazenagem das cooperativas garante equilíbrio na comercialização, evitando gargalos no escoamento da safra. Os preços permaneceram relativamente estáveis: R$ 143,50/sc em Paranaguá, R$ 127,82/sc em Cascavel, R$ 129,95/sc em Maringá e R$ 131,73/sc em Ponta Grossa.
No Mato Grosso do Sul, o plantio segue em ritmo constante, beneficiado pela umidade no leste do estado. Os preços ficaram em R$ 124,75/sc em Dourados, Campo Grande e Maracaju, leve queda de 0,41%, e R$ 120,27/sc em Chapadão do Sul (+0,72%).
Já no Mato Grosso, as negociações continuam lentas, com variações discretas. Em Campo Verde e Rondonópolis, a soja foi cotada a R$ 121,33/sc (–0,11%), enquanto em Lucas do Rio Verde, Nova Mutum e Sorriso, os preços ficaram próximos de R$ 120,00/sc (–0,46%).
Os contratos futuros da soja iniciaram a semana em alta na Bolsa de Chicago (CBOT), com o vencimento de maio cotado acima de US$ 11,40 por bushel. O movimento reflete o otimismo dos traders diante da retomada das exportações norte-americanas e das expectativas em torno da nova safra brasileira.
Além disso, os futuros do farelo e do óleo de soja também registraram ganhos, o que contribui para sustentar os preços do grão.
A soja encerrou a última semana em alta, impulsionada pelo anúncio de uma trégua comercial entre Estados Unidos e China, que renovou o ânimo dos investidores. No entanto, o mercado mantém cautela quanto ao cumprimento efetivo das compras prometidas pelo país asiático.
A atenção agora se volta ao relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que deve trazer atualizações sobre a safra 2025/26 e as perspectivas de demanda global, após atrasos causados pela paralisação do governo americano.
No acumulado da semana, os contratos da soja em Chicago avançaram 0,94%, enquanto o farelo subiu 0,48% e o óleo teve leve alta de 0,06%, reforçando o bom momento do complexo soja no mercado internacional.
Fonte: Portal do Agronegócio
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