Publicado em: 21/05/2026 às 18:40hs
Mesmo diante de um cenário mais rigoroso para concessão de crédito rural, a soja segue em expansão no Centro-Oeste e Norte do país. Dados inéditos da série “Mapas Agro”, da Serasa Experian, apontam crescimento de aproximadamente 294 mil hectares na área plantada de soja em Mato Grosso e Rondônia na safra 2025/26.
Do total ampliado, cerca de 268 mil hectares estão em Mato Grosso, enquanto Rondônia adicionou aproximadamente 26 mil hectares ao cultivo da oleaginosa.
O levantamento, realizado com base em imagens de satélite e sensoriamento remoto, também identificou aumento de 13% na área de milho primeira safra nos dois estados.
Segundo a datatech da Serasa Experian, o uso de imagens de satélite vem se consolidando como ferramenta estratégica para acompanhamento agrícola, rastreabilidade e avaliação de conformidade ambiental.
De acordo com Dyego Santos, gerente de soluções agro da empresa, o avanço da soja demonstra a resiliência da atividade mesmo em um ambiente financeiro mais seletivo.
“O levantamento mostra a relevância da produção de soja para a região analisada e como, mesmo frente a um cenário de crédito agrícola mais restritivo, a cultura continua resiliente e em expansão”, afirma.
O executivo destaca ainda que o monitoramento remoto contribui para decisões mais estratégicas ao longo da safra e atende às crescentes exigências do mercado por rastreabilidade e conformidade.
O Mato Grosso segue como principal produtor de soja do Brasil. Na safra 2025/26, o estado alcançou cerca de 12,4 milhões de hectares plantados, equivalente a aproximadamente um quarto da produção nacional.
A análise mostra ainda forte concentração da atividade em grandes propriedades rurais, responsáveis por cerca de 60% da área cultivada. Já as pequenas propriedades representam aproximadamente 18% do total.
Entre os municípios que mais expandiram o plantio de soja estão:
Por outro lado, cerca de 20 municípios registraram retração superior a mil hectares, com destaque para Alta Floresta, que apresentou redução de 6% em relação ao ciclo anterior.
O estudo também mostra elevado nível de conformidade ambiental nas áreas monitoradas.
Em Mato Grosso, aproximadamente 97% da área cultivada com soja está cadastrada no CAR, reforçando o avanço da regularização fundiária e ambiental no estado.
Segundo a Serasa Experian, o cruzamento entre dados territoriais e informações regulatórias tende a ganhar ainda mais relevância diante das novas exigências para operações de crédito rural.
“Com o avanço das exigências de monitoramento no crédito rural, o cruzamento entre dados territoriais e informações regulatórias se torna fundamental para avaliar conformidade e risco das operações”, explica Dyego Santos.
Em Rondônia, a soja continua avançando como uma das principais culturas agrícolas do estado. A área plantada atingiu aproximadamente 730 mil hectares na safra 2025/26.
Nos últimos seis ciclos, o crescimento acumulado foi de cerca de 84,4%, consolidando o estado como uma nova fronteira agrícola da oleaginosa no país.
Diferentemente de Mato Grosso, o perfil produtivo em Rondônia apresenta maior equilíbrio entre tamanhos de propriedades:
O levantamento aponta que 93% da área de soja em Rondônia já possui registro no Cadastro Ambiental Rural. Ainda assim, cerca de 48 mil hectares permanecem fora do sistema.
Além disso, aproximadamente 410 mil hectares estão inseridos em imóveis rurais sujeitos às novas regras de monitoramento previstas pela Resolução CMN 5.267, que exige acompanhamento contínuo via sensoriamento remoto em propriedades acima de 300 hectares vinculadas ao crédito rural.
Entre os municípios com maior expansão da soja em Rondônia estão:
Mesmo com um ambiente mais restritivo para financiamento agrícola, Mato Grosso e Rondônia seguem ampliando suas áreas de soja e milho. O movimento reforça a força da produção agrícola brasileira e evidencia a crescente importância do monitoramento via satélite, da regularização ambiental e da rastreabilidade como fatores estratégicos para acesso ao crédito e expansão sustentável do agro.
Fonte: Portal do Agronegócio
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