Publicado em: 09/04/2026 às 10:00hs
Pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp – Botucatu) e da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) investigaram o potencial de óleos essenciais extraídos de plantas no controle da mosca-branca (Bemisia tabaci), uma das pragas mais prejudiciais à agricultura.
O estudo revelou que óleos de capim-limão (Cymbopogon citratus) e cravo-da-índia (Syzygium aromaticum) podem provocar até 80% de mortalidade do inseto em testes de laboratório, atuando desde a fase de ovos até os adultos.
A mosca-branca se alimenta da seiva das plantas e transmite vírus como o B. tabaci MEAM1, comprometendo o crescimento, o desenvolvimento e a produtividade das culturas. A praga representa um desafio fitossanitário significativo, principalmente na horticultura, devido aos prejuízos econômicos e à dificuldade de manejo.
O controle convencional depende de inseticidas sintéticos, mas a eficácia desses produtos é limitada pela resistência crescente do inseto e pelo seu comportamento, que prefere a face inferior das folhas, dificultando a aplicação correta do produto.
O pesquisador João Pedro Bonfim, junto ao Grupo de Pesquisa em Manejo Integrado de Pragas (AGRIMIP-Unesp) e ao Laboratório de Produtos Naturais (LPN) da UFSCar, buscou alternativas naturais para reduzir o uso de agrotóxicos.
O estudo, publicado no Journal of Economic Entomology, analisou óleos essenciais de seis plantas:
Foram testadas diferentes fases do ciclo de vida da mosca-branca — ovos, ninfas e adultos — avaliando mortalidade, repulsão e redução na oviposição.
Segundo Regiane Cristina de Oliveira, docente da Unesp, os óleos essenciais têm a vantagem de atuar por diferentes mecanismos simultaneamente, dificultando a adaptação da praga e reduzindo a pressão de seleção que favorece a resistência a inseticidas convencionais.
Destaques do estudo:
Os efeitos inseticidas estão associados a substâncias bioativas presentes nas plantas, como monoterpenos e sesquiterpenos. Por exemplo:
A ação multifuncional desses óleos torna-os aliados do manejo integrado de pragas, reduzindo a chance de resistência rápida e promovendo controle mais sustentável.
O estudo contou com a supervisão de Regiane Oliveira e a parceria de Maria Fátima das Graças Fernandes da Silva (DQ-UFSCar), com financiamento da Fapesp, CNPq e Capes, reforçando o potencial de pesquisa científica aplicada ao desenvolvimento de tecnologias agrícolas sustentáveis.
Fonte: Portal do Agronegócio
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