Publicado em: 26/05/2026 às 16:00hs
A safrinha de milho 2025/2026 no Cerrado brasileiro entra em uma fase decisiva, marcada por desafios climáticos, variação no calendário de plantio e maior pressão de pragas. Segundo projeções da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a segunda safra do país deve alcançar 108,4 milhões de toneladas, consolidando o milho como uma das principais culturas do agronegócio nacional.
Apesar da expectativa positiva para a produção, o momento exige atenção redobrada dos produtores, especialmente em regiões onde o plantio ocorreu fora da janela ideal devido ao atraso na colheita da soja.
No Mato Grosso, maior produtor de milho do Brasil, o plantio da safrinha já foi concluído. No entanto, parte das áreas foi semeada mais tardiamente, reflexo direto do atraso na colheita da soja. De acordo com a Conab, houve regiões que conseguiram compensar essa situação com aumento de área plantada, mas o resultado é um cenário heterogêneo no campo.
Essa diferença de calendário entre as lavouras já é visível no desenvolvimento das plantas. Enquanto algumas áreas estão em fase inicial de germinação, outras já avançam para o estágio de florescimento, aumentando a complexidade do manejo e a necessidade de monitoramento constante.
A irregularidade no desenvolvimento eleva os riscos associados ao clima, além de ampliar a pressão de pragas e doenças, que podem impactar diretamente a produtividade final da safra.
O cenário também varia entre os estados do Cerrado. No Maranhão, a irregularidade das chuvas no fim de 2025 atrasou o ciclo da soja, levando produtores a optar por alternativas consideradas mais seguras. No Piauí, mesmo com parte do milho fora da janela ideal e leve redução de área, as lavouras apresentam bom desenvolvimento inicial.
Já no Tocantins, uma parcela significativa do plantio ocorreu mais tarde, reforçando o desafio de condução técnica da cultura diante de condições climáticas instáveis.
Para o gerente de inteligência de mercado da ORÍGEO, Manoel Álvares, joint venture entre Bunge e UPL especializada em soluções integradas para o agronegócio no Cerrado, o cenário exige maior planejamento e acompanhamento de campo.
“Cada produtor vive uma realidade diferente nesta safrinha. Além de acompanhar o clima, é fundamental observar de perto a evolução da lavoura e manter atenção ao avanço de pragas, que podem comprometer o potencial produtivo”, destaca o especialista.
Segundo Álvares, o momento da safrinha exige decisões rápidas e bem fundamentadas no campo, especialmente diante da variabilidade climática e do calendário apertado de produção.
“O milho é uma das culturas mais estratégicas do país. Planejamento, monitoramento constante e tomada de decisão ágil fazem diferença para aproveitar melhor o potencial da safra e as oportunidades de mercado”, completa.
Mesmo com os desafios climáticos e operacionais, a expectativa para a safrinha de milho no Cerrado permanece positiva, sustentada pela importância da cultura para o abastecimento interno, a indústria de ração e o mercado externo.
O desempenho final da safra, no entanto, dependerá diretamente da capacidade dos produtores em lidar com a heterogeneidade das lavouras, controlar pragas e otimizar o manejo diante de um cenário climático ainda instável.
Fonte: Portal do Agronegócio
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