Publicado em: 23/03/2026 às 08:00hs
A crescente incidência da praga Helicoverpa armigera tem colocado em xeque o modelo convencional de manejo nas lavouras brasileiras. Com alta capacidade de dispersão — podendo migrar até 200 quilômetros — e potencial para atacar mais de 100 culturas, a praga mantém elevado o risco de reinfestação em diferentes regiões produtoras.
Nesse cenário, os inseticidas químicos têm apresentado eficácia cada vez mais limitada, especialmente devido à curta duração de ação no campo.
Na prática, o produtor realiza o controle, mas poucos dias depois precisa lidar novamente com a infestação. Isso ocorre porque fatores ambientais, como radiação solar, chuvas e variações de temperatura, aceleram a degradação dos defensivos químicos.
Como consequência, o período de proteção das lavouras diminui, elevando os custos de produção e dificultando o manejo eficiente da praga.
Diante dessas limitações, o controle biológico tem avançado de forma consistente no Brasil, com destaque para o uso de baculovírus. Essa tecnologia atua de forma contínua na lavoura, oferecendo proteção prolongada contra novas infestações.
A solução Destroyer, desenvolvida pela Life Biological Control, tem se destacado pela eficácia e pela capacidade de manter o controle ativo por mais tempo no campo.
De acordo com Cristiane Tibola, doutora em Entomologia pela ESALQ/USP, o diferencial do controle biológico está no seu modo de ação.
“O químico resolve o problema imediato, mas perde eficiência rapidamente. Já o biológico permanece ativo na área, protegendo contra novas infestações”, explica.
Após ser ingerido pela lagarta, o baculovírus se multiplica internamente e, ao final do ciclo, libera bilhões de partículas infecciosas na planta, prolongando o efeito de controle por semanas.
O avanço da adoção dessa tecnologia já impacta diretamente a produção. Segundo a especialista, a demanda por soluções biológicas registrou forte crescimento em 2026.
“Apenas entre janeiro e fevereiro, já produzimos mais de 200% de todo o volume registrado ao longo de 2025”, afirma.
O movimento reflete uma mudança estratégica no campo, com produtores buscando soluções mais sustentáveis e eficientes no longo prazo.
Outro diferencial relevante do controle biológico é a ausência de desenvolvimento de resistência pelas pragas, uma vez que o baculovírus atua como um inimigo natural.
Ensaios conduzidos pela Fundação Rio Verde apontam eficácia de até 85% no controle da Helicoverpa, reforçando a viabilidade da tecnologia no campo.
Para maximizar a eficiência do controle biológico, especialistas recomendam a adoção de boas práticas no manejo:
Essas estratégias aumentam o desempenho do produto e prolongam o período de controle, contribuindo para um manejo mais eficiente, sustentável e economicamente viável nas lavouras brasileiras.
Fonte: Portal do Agronegócio
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