Eficiência do enxofre no solo ganha protagonismo no manejo agrícola brasileiro
Baixo aproveitamento do nutriente pelas plantas, deficiência nos solos e aumento dos custos de fertilizantes impulsionam a adoção de tecnologias para melhorar a eficiência nutricional das lavouras
Publicado em: 15/07/2026 às 08:00hs
A busca por maior eficiência no uso de fertilizantes está colocando o enxofre (S) no centro das estratégias de manejo das lavouras brasileiras. Com grande parte dos solos apresentando deficiência do nutriente e perdas significativas por lixiviação, produtores e empresas do setor agrícola ampliam investimentos em tecnologias capazes de melhorar a disponibilidade do enxofre para as plantas.
Dados técnicos apontam que menos de 40% do enxofre aplicado atualmente é efetivamente aproveitado pelas culturas, evidenciando um dos principais desafios da nutrição vegetal moderna: não apenas aumentar a quantidade aplicada, mas garantir que o nutriente esteja disponível no momento adequado para o desenvolvimento das plantas.
Segundo a engenheira agrônoma Lauren Menandro, gerente de Produtos de Solo na ICL Group, o debate sobre o enxofre passou por uma mudança de foco nos últimos anos.
“Durante muito tempo, a discussão esteve concentrada na dose de enxofre aplicada. Hoje, o principal desafio é entender como aumentar a capacidade da planta de acessar esse nutriente no período em que mais necessita”, explica.
Deficiência de enxofre desafia produtividade das lavouras
O enxofre desempenha funções essenciais no metabolismo vegetal, participando da síntese de proteínas, ativação de enzimas e processos como a fixação biológica de nitrogênio (FBN). Por isso, a disponibilidade adequada do nutriente está diretamente relacionada ao potencial produtivo das culturas.
A importância do manejo eficiente cresce em um cenário de maior pressão sobre a oferta global e os preços dos fertilizantes. Com custos elevados e maior necessidade de racionalização dos investimentos, produtores buscam soluções que reduzam perdas e aumentem o retorno dos insumos aplicados.
“O enxofre não deve ser tratado como um nutriente complementar. Ele possui papel estratégico no funcionamento da planta e influencia diretamente a produtividade das culturas. Tecnologias que ampliem sua disponibilidade e reduzam perdas ganham cada vez mais relevância”, destaca Lauren.
Avanço genético aumenta exigência nutricional das culturas
A evolução genética das plantas e o aumento dos níveis de produtividade também elevaram a demanda nutricional das lavouras brasileiras. Com cultivares mais produtivas, o manejo de nutrientes precisa ser cada vez mais preciso e baseado em eficiência agronômica.
Nesse cenário, o setor de fertilizantes tem direcionado esforços para desenvolver produtos e tecnologias que melhorem a distribuição dos nutrientes no solo e ampliem sua permanência disponível para absorção pelas raízes.
A estratégia acompanha uma tendência global de maior eficiência no uso de insumos agrícolas, com foco em produtividade, sustentabilidade e redução de desperdícios.
Tecnologias buscam aumentar aproveitamento do enxofre aplicado
Com 17 anos de atuação no segmento de fertilizantes à base de enxofre, a ICL vem direcionando investimentos para soluções voltadas ao melhor aproveitamento do nutriente.
Entre as tecnologias desenvolvidas está o Sulfurball, lançado recentemente pela empresa, com proposta de ampliar a uniformidade de distribuição do enxofre e promover uma disponibilidade mais contínua do nutriente no solo.
A iniciativa acompanha um movimento crescente no agronegócio brasileiro: transformar o manejo nutricional em uma ferramenta estratégica para elevar a produtividade sem necessariamente aumentar o volume de fertilizantes utilizados.
Por que o enxofre se tornou prioridade no campo
- Menos de 40% do enxofre aplicado é aproveitado efetivamente pelas plantas;
- Grande parte dos solos brasileiros apresenta deficiência do nutriente;
- A lixiviação reduz a eficiência do enxofre na forma de sulfato;
- O aumento da produtividade das culturas elevou a demanda nutricional das lavouras;
- Tecnologias de eficiência agronômica ganham espaço diante da pressão sobre custos de produção.
Fonte: Portal do Agronegócio
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