Publicado em: 02/01/2026 às 07:30hs
As doenças iniciais da soja têm se tornado um dos principais desafios para o bom estabelecimento da cultura nesta safra. Elas atacam a planta ainda nos estágios de germinação e emergência — fases decisivas para a produtividade final. A situação é agravada pelas condições climáticas instáveis registradas em várias regiões produtoras, com alternância entre períodos curtos de chuva e longos intervalos de calor intenso e baixa umidade, ambiente propício ao avanço de patógenos de solo.
De acordo com Diego Braga, consultor de desenvolvimento de mercado da Conceito Agrícola, os danos vão muito além do que se vê a olho nu. “Quando as doenças aparecem no início do ciclo, o prejuízo é silencioso, porém definitivo. A soja perde vigor, produz menos ramos e nós produtivos, o sistema radicular fica limitado e a planta torna-se mais sensível a estresses climáticos. Isso se traduz em menor produtividade e rentabilidade”, explica.
Braga ressalta que, além das perdas agronômicas, o produtor enfrenta custos adicionais com replantio, uso extra de fungicidas e atrasos no ciclo, o que compromete o desempenho econômico da safra.
Entre os agentes mais prejudiciais, destaca-se o tombamento (damping-off), causado por fungos como Rhizoctonia solani, Fusarium spp. e Pythium spp.. Essas doenças comprometem a germinação e a emergência, levando ao apodrecimento das sementes e à necrose do colo das plântulas, gerando falhas visíveis no estande.
Outros problemas comuns são as podridões radiculares, que retardam o desenvolvimento das plantas e causam desuniformidade no crescimento da lavoura. Já a Phytophthora sojae preocupa especialmente em áreas mal drenadas ou que enfrentam chuvas localizadas durante o plantio, provocando a morte de plantas jovens e exigindo, em muitos casos, o replantio.
A antracnose também pode surgir logo nos primeiros estádios vegetativos, gerando desuniformidade e atraso no desenvolvimento das plantas.
Além das doenças de solo, as foliares precoces vêm ocorrendo com maior frequência nas lavouras. Entre elas estão a mancha-alvo (Corynespora cassiicola), a mancha-parda (Septoria glycines), o crestamento foliar de cercospora (Cercospora kikuchii) e o míldio (Peronospora manshurica). Essas infecções reduzem a área fotossintética das folhas, afetando diretamente o vigor e o ritmo de crescimento da planta.
“O período dos primeiros 30 dias após a emergência é o mais importante. É nessa fase que a soja define seu sistema radicular, estrutura foliar e potencial produtivo. Por isso, qualquer falha inicial pode limitar o teto de produtividade”, reforça Braga.
O mofo-branco (Sclerotinia sclerotiorum), embora mais comum nas fases reprodutivas, está intimamente ligado às decisões tomadas no início do ciclo. Alta umidade, densidade excessiva de plantas e fechamento precoce do dossel favorecem a germinação dos escleródios no solo, aumentando o risco de infecções severas ao longo da safra.
Outro alerta é a ferrugem asiática (Phakopsora pachyrhizi), que pode iniciar infecções precoces mesmo antes do fechamento do dossel, especialmente em lavouras mal estabelecidas e estressadas. Segundo o especialista, plantas com crescimento desuniforme apresentam menor capacidade de defesa fisiológica, o que favorece o avanço da doença e reduz a eficiência do controle químico.
Braga destaca que o manejo preventivo é a base para manter a sanidade da lavoura. “Erros como plantar apenas ao primeiro sinal de chuva, ignorar o vigor real da semente ou utilizar tratamento inadequado podem comprometer todo o potencial da safra”, alerta.
O tratamento de sementes (TS) é a primeira linha de defesa da soja, protegendo a plântula no momento mais vulnerável ao ataque de fungos. A integração entre fungicidas químicos e biofungicidas à base de Bacillus spp. amplia o espectro de controle e prolonga o efeito residual, garantindo maior uniformidade e vigor inicial.
O uso do Tratamento de Sementes Profissional Blindado tem mostrado bons resultados em campo, com estandes mais uniformes e lavouras que mantêm ritmo de crescimento mesmo sob condições adversas.
“O acompanhamento técnico desde o planejamento até o estabelecimento do estande permite ajustar o momento ideal de plantio, escolher o tratamento mais adequado e antecipar possíveis problemas sanitários. O foco deve ser evitar falhas, e não apenas corrigi-las”, conclui o especialista.
Fonte: Portal do Agronegócio
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