Publicado em: 02/02/2026 às 10:35hs
A cigarrinha-do-milho, antes restrita a algumas regiões, se transformou em um dos maiores desafios do agronegócio brasileiro. Entre as safras 2020/2021 e 2023/2024, a praga causou prejuízos estimados em US$ 25,8 bilhões, segundo estudo da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). O impacto representa uma redução média de 22,7% na produção nacional de milho, o que equivale a cerca de 31,8 milhões de toneladas anuais.
Os dados foram publicados na revista científica Crop Protection, em artigo elaborado por especialistas da CNA, Embrapa e Epagri. A pesquisa utilizou informações do projeto Campo Futuro, que acompanha custos e produtividade de propriedades rurais em todo o país.
Foram analisados 34 municípios representativos das principais regiões produtoras de milho. Em 79,4% deles, os produtores relataram perdas significativas relacionadas à cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis) e ao complexo de enfezamentos transmitido pela praga.
Além da queda na produtividade, os pesquisadores identificaram um aumento médio de 19% nos custos de produção. O gasto com defensivos para o controle da cigarrinha ultrapassou US$ 9 por hectare nas safras avaliadas. Mesmo com o uso intensivo de inseticidas, o controle químico tem se mostrado insuficiente em áreas com alto índice de infestação.
O complexo de enfezamentos, causado por microrganismos do tipo molicutes, não possui tratamento curativo. Em casos graves, quando há uso de híbridos suscetíveis e grande presença da praga, as perdas podem chegar a 100% da lavoura, gerando um cenário crítico para a sustentabilidade da produção de milho.
O estudo, conduzido por Tiago Pereira e Larissa Mouro, com colaboração dos pesquisadores Charles Martins de Oliveira (Embrapa Cerrados) e Maria Cristina Canale (Epagri), destaca a necessidade de uma ação coordenada entre produtores, pesquisadores e formuladores de políticas públicas.
Os autores classificam a cigarrinha-do-milho como um risco sistêmico para a cadeia produtiva, dada a relevância do cereal na economia brasileira. O Brasil é hoje o terceiro maior produtor mundial de milho e um dos principais exportadores globais — o que torna o impacto da praga um fator de risco não apenas para os produtores, mas também para a competitividade internacional do país.
A CNA reforça que a consolidação científica dos dados é fundamental para embasar políticas públicas e orientar investimentos em estratégias de manejo. O estudo defende o fortalecimento da pesquisa genética para o desenvolvimento de cultivares resistentes e a adoção de protocolos de manejo integrado de pragas (MIP).
Como não há tratamento curativo, a prevenção e o monitoramento constante são as principais ferramentas para reduzir os danos. “Transformar relatos em dados foi um passo essencial para dimensionar o problema em escala nacional”, destaca o relatório.
Fonte: Portal do Agronegócio
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