Publicado em: 29/04/2026 às 07:00hs
O cultivo do algodão, uma das culturas mais valiosas do agronegócio brasileiro, enfrenta desafios constantes relacionados ao manejo de pragas, clima e nutrição das plantas. Entre esses desafios, o bicudo-do-algodoeiro se destaca como a principal ameaça à cotonicultura nacional, responsável por prejuízos estimados em mais de R$ 3 bilhões por safra.
Diante desse cenário, soluções tecnológicas vêm ganhando espaço no campo, com foco em precisão, redução de custos e sustentabilidade produtiva.
Uma inovação desenvolvida pela Fox Agritech, startup sediada em Sinop (MT), propõe uma nova abordagem para o monitoramento de pragas: uma armadilha inteligente baseada em ondas eletromagnéticas, inteligência artificial e análise de dados em tempo real.
A tecnologia foi criada pelo técnico agrícola Kennedy Martins Gnoatto, de 25 anos, que transformou sua trajetória pessoal em um projeto voltado à inovação no campo.
Segundo ele, o desenvolvimento da solução começou a partir do estudo do comportamento dos insetos e da forma como eles identificam e migram para as lavouras.
A armadilha desenvolvida pela Fox Agritech conta com um sistema de processamento que ajusta automaticamente a emissão de ondas eletromagnéticas e padrões de LED para atrair insetos-alvo.
O equipamento opera com base em inteligência artificial preditiva, cruzando informações como temperatura, umidade, horário e comportamento das pragas.
Quando o inseto é capturado, uma câmera integrada realiza a identificação e envia os dados para um sistema de processamento, que gera informações detalhadas sobre:
Esses dados são disponibilizados em tempo real ao produtor.
As informações coletadas são integradas ao aplicativo Fox Fieldcore, que permite ao produtor rural acompanhar o monitoramento de toda a fazenda diretamente pelo celular.
A ferramenta possibilita maior agilidade na tomada de decisão, reduzindo a necessidade de visitas técnicas frequentes e permitindo ações preventivas antes da instalação da praga na lavoura.
De acordo com o desenvolvedor, o objetivo é oferecer uma visão completa da propriedade:
“Queremos monitorar a fazenda de ponta a ponta e informar o produtor sobre tudo o que acontece em cada talhão em tempo real”, explica Kennedy Gnoatto.
Além da eficiência no controle de pragas, a tecnologia também tem forte impacto ambiental. Estudos iniciais da startup indicam a possibilidade de redução de 10% a 20% no uso de inseticidas, contribuindo para a diminuição dos custos de produção e dos impactos ambientais.
O sistema também foi projetado para evitar a atração de insetos benéficos, como abelhas e joaninhas, preservando o equilíbrio ecológico das lavouras.
A Fox Agritech avança agora para a fase de testes em campo, após firmar parceria com a Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa).
O acordo tem como objetivo ampliar o banco de dados da tecnologia e aprimorar sua aplicação no controle do bicudo-do-algodoeiro em condições reais de cultivo.
A startup também avalia a adaptação da solução para outras culturas, como milho e grãos, ampliando seu potencial de uso no agronegócio brasileiro.
A empresa integra atualmente a Cyklo Agritech, aceleradora voltada a startups do setor agro. Segundo o fundador, o suporte tem sido essencial para estruturar o crescimento do negócio, fortalecer o networking e acelerar a entrada no mercado.
Com equipe multidisciplinar formada por engenheiros de hardware, software e inteligência artificial, a Fox Agritech projeta iniciar sua operação comercial até 2028.
A proposta da startup reforça uma tendência crescente no agronegócio: o uso de tecnologias avançadas para aumentar a eficiência produtiva, reduzir perdas e promover sustentabilidade.
Cotonicultores interessados em testar a solução, especialmente na região do MATOPIBA (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), já podem agendar visitas técnicas para implantação de áreas experimentais.
Fonte: Portal do Agronegócio
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