Publicado em: 03/06/2024 às 08:00hs
Para o desenvolvimento agrícola, é essencial a harmonia entre água, solo e clima. No entanto, o desequilíbrio de qualquer um desses elementos pode inviabilizar a agricultura, resultando em baixa produtividade e, em casos extremos, quebra de safra. Nos últimos anos, a instabilidade climática tem se tornado mais evidente, destacando a necessidade urgente de uma gestão eficiente dos recursos hídricos.
Reconhecendo a importância da irrigação, os governos do Paraná, São Paulo e Mato Grosso têm priorizado ações para reduzir os impactos climáticos em suas lavouras. A adoção de tecnologias de irrigação é uma das principais estratégias desses estados.
Paraná, liderado pelo Governador Ratinho Junior, busca se destacar cada vez mais no cenário do agronegócio nacional. O estado, além de ser um grande produtor de soja e milho, é referência no cultivo de cevada, feijão, mandioca, erva-mate, triticale e centeio. Contudo, dos quase 15 milhões de hectares de terras agrícolas, menos de 2% são irrigados atualmente.
São Paulo enfrenta fortes estiagens nos últimos anos, causando prejuízos bilionários. O Governo do Estado, representado pelo Secretário de Agricultura e Abastecimento, Guilherme Piai, desenvolve um plano ambicioso de irrigação para aumentar em mais de 2 milhões de hectares a área irrigada, que hoje cobre apenas 6% da área de plantio. A meta é atingir 15% até 2030.
Mato Grosso, sob a liderança do Governador Mauro Mendes, destaca-se pelo grande potencial de crescimento na agricultura irrigada. Atualmente, apenas 178 mil hectares são irrigados, em comparação com os 8,2 milhões de hectares em todo o país. Um estudo recente aponta que o estado pode expandir essa área para até 3,9 milhões de hectares.
Segundo Eduardo Navarro, Presidente da Câmara Setorial de Equipamentos para Irrigação (CSEI) e vice-presidente da Lindsay Corporation, o crescente interesse pela irrigação devido às quebras de produtividade traz benefícios para toda a cadeia. "A utilização de pivôs é uma excelente solução para proteger a produtividade, funcionando como um seguro", afirmou Navarro. A CSEI e a Rede Nacional da Agricultura Irrigada (Renai) têm se empenhado em apoiar essa causa.
Empresas do setor, como a Lindsay, colaboram com os governos no desenvolvimento de políticas e planos de ação para acelerar o incremento da agricultura irrigada. "Temos realizado reuniões e visitas em nossa sede em Nebraska, EUA, para ajudar a desburocratizar a atividade e solucionar gargalos", destacou Navarro. A disponibilidade de energia elétrica e a agilidade na emissão de outorgas e licenças ambientais são barreiras que necessitam de atenção conjunta entre governos e companhias de energia elétrica.
A indústria também investe na formação de profissionais especializados em irrigação. Equipamentos foram doados para escolas técnicas no Paraná e São Paulo com esse objetivo. "Estamos dispostos a continuar essa mentoria e fomentar cada vez mais esse importante tema", afirmou Navarro.
Ampliar o tema da irrigação para outras regiões é crucial, dado o impacto significativo das quebras de safra na economia local e nacional. "Quanto mais governadores incluírem a irrigação em suas agendas, melhor será, expandindo essa pauta para o âmbito federal. A aproximação público-privada, como ocorre nos EUA, ajudará o Brasil a reduzir os efeitos climáticos e aumentar a produtividade de forma sustentável", concluiu o executivo.
Fonte: Portal do Agronegócio
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