Publicado em: 05/02/2026 às 14:00hs
A decisão de implantar um sistema de irrigação não precisa ser complexa nem desmotivadora. Quando o produtor inicia o planejamento no momento certo, com orientação técnica adequada, ganha previsibilidade, reduz riscos e amplia os resultados da lavoura — um diferencial essencial em um cenário de clima cada vez mais instável.
De acordo com Danilo Silva, gerente agronômico da Netafim, o tema deve entrar nas discussões ainda nas fases iniciais da abertura de novas áreas ou reorganização produtiva.
“Quando o produtor antecipa a decisão, consegue organizar licenças, infraestrutura e análise hídrica com tranquilidade, evitando correrias perto do plantio e tornando todo o processo mais simples e eficiente”, explica Silva.
O planejamento antecipado tem se mostrado estratégico em sistemas de produção variados, como cana-de-açúcar, café, citros, fruticultura, grãos e hortaliças. O segredo está em adaptar o projeto ao regime de chuvas, à cultura e às condições locais, garantindo produtividade e estabilidade mesmo em períodos de seca.
Cada propriedade possui sua dinâmica, mas a lógica é clara: não instalar sistemas durante o pico das chuvas e garantir que tudo esteja pronto antes da janela de plantio.
“Quando o cronograma é pensado com antecedência, a implantação acontece naturalmente, sem improvisos, e o produtor percebe que o processo é totalmente viável”, complementa Silva.
Na cana-de-açúcar, por exemplo, o projeto de irrigação deve ser planejado com meses de antecedência, pois envolve a renovação do canavial e questões estruturais, como disponibilidade hídrica, energia elétrica e obras civis.
O mesmo raciocínio se aplica a culturas perenes, como citros, manga, uva e cacau, em que o planejamento prévio garante instalação segura e irrigação no momento ideal para o desenvolvimento das plantas. Já nas culturas de ciclo curto, como hortaliças e algumas frutas, antecipar o processo assegura operação imediata na safra seguinte e maior estabilidade produtiva desde as primeiras colheitas.
Antes de instalar um sistema de irrigação, alguns pontos devem ser definidos com antecedência:
Segundo Silva, o projeto técnico é o que dá segurança ao investimento.
“Um sistema de irrigação bem dimensionado para o clima, o solo e a cultura transforma o investimento em um aliado da produção. Com planejamento, o retorno aparece de forma consistente”, afirma o especialista.
Os problemas mais recorrentes estão ligados à falta de planejamento. Muitos produtores iniciam o processo sem confirmar a disponibilidade de água, sem as licenças necessárias ou deixam a instalação para muito perto do plantio.
Quando o planejamento começa cedo, essas questões deixam de ser obstáculos e se tornam apenas etapas naturais do projeto.
O intervalo entre planejamento e operação varia conforme a cultura, a região e o porte do sistema, especialmente se houver reservatórios, obras civis ou adequações elétricas. Mesmo assim, alguns meses de organização prévia costumam ser suficientes para alinhar o cronograma à safra. O resultado é mais estabilidade, melhor uso da área e maior controle sobre os efeitos climáticos.
Diferenças de clima, solo e regime de chuvas influenciam diretamente o planejamento da irrigação. No entanto, essas particularidades não representam dificuldade, e sim personalização do projeto.
Muitas vezes, ajustes simples de logística, energia ou layout já permitem adaptar o sistema às condições locais. Para quem deseja se tornar irrigante, a recomendação é buscar orientação técnica especializada e trocar experiências com produtores da região.
Como apoio, o Manual do Irrigante, desenvolvido pela Netafim, reúne orientações práticas sobre etapas, requisitos e boas práticas de implantação.
“O manual ajuda o produtor a entender o caminho antes mesmo do início do projeto, tornando a jornada mais segura e previsível”, destaca Silva.

Fonte: Portal do Agronegócio
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