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EUA colhem e não vendem/Brasil planta e aposta

A colheita chega à metade nos Estados Unidos e tira a limpo as contradições do mercado da soja e do milho geradas nas duas últimas semanas, diante da ausência de relatórios do Departamento de Agricultura, o USDA


Publicado em: 15/10/2013 às 18:40hs

EUA colhem e não vendem/Brasil planta e aposta

Enquanto não há dados oficiais atualizados sobre o que ocorre no campo, pelo impasse na aprovação do orçamento do governo, os agricultores e técnicos confirmam produção de 345 milhões de toneladas do cereal e não mais que 85 milhões de toneladas da oleaginosa. Um resultado considerado bom, mas com quebra de 10% (milho) e 5% (soja) em relação ao potencial inicialmente estimado das lavouras, apurou a Expedição Safra Gazeta do Povo, em viagem de dez dias e 2 mil quilômetros pelo país.

Volumes menores - Esses volumes são menores do que os especulados na Bolsa de Chicago e limitam a influência dos EUA na oferta global, repassando ao Brasil e à Argentina o domínio sobre as exportações dessas duas commodities. As cotações – que seguem tendência de queda – oscilam mais por avaliações otimistas do que pelos resultados comprovados pela colheita no cinturão de produção de grãos norte-americano, o Corn Belt. Há 10 dias com clima favorável, os norte-americanos tiram o atraso e o índice de colheita se aproxima da média (40% no milho e 60% na soja para a época). Mas segue pelo menos 30 pontos atrás do ano passado, quando plantio e colheita foram antecipados.

Brasil - Enquanto isso, no Hemisfério Sul, o Brasil acelera o plantio da maior área de soja de sua história e deve sustentar a liderança na oleaginosa com colheita de 89 milhões de toneladas. Cerca de um terço desse volume já teria sido comercializado e os embarques devem chegar a 42,5 milhões de toneladas, pelo menos 5 milhões a mais do que o das exportações estimadas para os EUA. A previsão consolida o país à frente do ranking mundial não só de produção, como de exportação de soja. Já no milho o Brasil deve reduzir embarques em 5 milhões de toneladas.

Recuperação - Apesar da quebra, a safra norte-americana é de recuperação. Os índices de produtividade estão abaixo do potencial, mas representam uma boa surpresa num ciclo que começou com muita chuva e teve seca de até quatro semanas. Os produtores registram variações de mais de 50% – da casa de 2 mil à de 3 mil quilos de soja por hectare e de 5 mil a 12 mil quilos de milho por hectare. No final das contas – um ano depois da maior seca em cinco décadas, que reduziu o milho a 274 milhões e a soja a 82 milhões de toneladas –, a agricultura norte-americana comemora resultados próximos das médias dos últimos dez anos.

Conferência - Os painéis digitais das colheitadeiras são conferidos a todo momento na fazenda de 1,2 mil hectares da família Birchmier, em Maxwell, Iowa, estado líder no milho e na soja. “Está difícil chegar a 180 bushels por acre de milho [11,2 mil quilos por hectare]”, conta Rhonda Birchmier, que coordena os trabalhos na propriedade. O índice é de 175 bushels em áreas que já renderam 220, ou seja, 20% menor que o teto. E os 45 bushels por acre de soja, ou 3 mil quilos por hectare, representam recuo de 25% sobre os melhores resultados. Em relação à média dos últimos anos, essa diferença cai a 10%.

Mercado tranquilo - “Com média de mais de 40 bushels por acre de soja e 160 bushels por acre de milho, o mercado está muito mais tranquilo”, afirma o analista e corretor Jack Scoville, da Price Futures Group. Essas marcas correspondem a 2,7 mil quilos e a 10 mil quilos por hectare, respectivamente. “O mercado sabe que essa produção está a ponto de ser vendida”, aponta. As estimativas em Chicago são de que apenas entre 10% e 15% da colheita foram comercializados. No campo, os produtores confirmam que estão lotando armazéns, mas dizem que o volume vendido passa de 20%.

Soja brasileira consolida liderança - Sem condições de atingir a marca das 90 milhões de toneladas inicialmente estimada, os Estados Unidos deixam o caminho livre para o Brasil se consolidar como o maior produtor e exportador mundial de soja. Com volume estimado pela Expedição Safra em 89 milhões de toneladas, na temporada 2013/14 o agronegócio brasileiro tem potencial para embarcar mais de 42,5 milhões de toneladas de soja em grão, diante de uma expectativa de pouco mais de 36 milhões dos Estados Unidos.

América do Sul - O Brasil também puxa a participação da América do Sul na produção e exportação mundial. O trio que abrange também Argentina e Paraguai deve produzir mais de 153 milhões de toneladas, contra 140 milhões de toneladas do ciclo anterior. Os embarques de soja em grão estão estimados em 60 milhões de toneladas. A considerar o complexo soja, ao qual se somam farelo e óleo, mais de 115 milhões de toneladas produzidas pelo grupo terão como destino a exportação.

Recuo no milho - No milho a situação é inversa. Os Estados Unidos voltam ao mercado internacional e limitam os embarques brasileiros. Se na temporada anterior o Brasil exportou 24,5 milhões de toneladas (considerando o período de setembro a agosto), na safra 2013/14 não deve mandar para o exterior mais que 19 milhões de toneladas. Já os embarques dos norte-americanos tem potencial para superar as 30 milhões de toneladas. Um aumento superior a 60% em relação ao volume da safra anterior, quando os Estados Unidos reduziram à metade os embarques depois de terem perdido, para o clima, em torno 100 milhões de toneladas.

Fonte: Gazeta do Povo

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