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Agricultura regenerativa avança no Brasil, mas desconhecimento ainda limita expansão no campo

Estudo nacional revela adoção ampla de práticas sustentáveis, porém aponta falta de informação, incentivos e conexão com o mercado


Publicado em: 29/04/2026 às 11:55hs

Agricultura regenerativa avança no Brasil, mas desconhecimento ainda limita expansão no campo
Foto: Marcus Mesquita

A agricultura regenerativa já é uma realidade prática em grande parte das propriedades rurais brasileiras, mas o conceito ainda é pouco compreendido pelos produtores. É o que revela o estudo “O Status da Agricultura Regenerativa no Brasil”, realizado por Agrosmart, 4Lab, CNH e Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG).

A pesquisa, conduzida entre outubro de 2025 e janeiro de 2026, ouviu produtores em 19 estados e 519 municípios, evidenciando que técnicas associadas ao modelo regenerativo já estão amplamente disseminadas no campo.

Práticas consolidadas, conceito pouco difundido

Entre as práticas mais adotadas estão o plantio direto (78,9%), o uso de plantas de cobertura (75,3%) e a rotação de culturas (66,4%) — pilares importantes da sustentabilidade agrícola.

Apesar disso, mais da metade dos produtores (52,1%) afirma não saber o que é agricultura regenerativa, enquanto apenas 3,8% dizem compreender e aplicar o conceito de forma estruturada.

O dado reforça que o Brasil já avança na prática, mas ainda precisa evoluir na comunicação, capacitação e reconhecimento dessas ações.

Falta de conhecimento e mercado travam avanço

O levantamento aponta entraves importantes para a expansão do modelo no país. Entre os principais desafios estão:

  • Falta de conhecimento técnico (57,1%)
  • Ausência de mercado estruturado ou preço justo (41,9%)
  • Incerteza sobre retorno financeiro (41,4%)

Além disso, 79,2% dos produtores que já adotam práticas regenerativas nunca receberam qualquer tipo de incentivo econômico.

Segundo Mariana Vasconcelos, CEO da Agrosmart, o desafio não está na adoção, mas na valorização do que já é feito no campo.

Benefícios são percebidos no dia a dia

Mesmo com limitações, os produtores relatam ganhos claros com a adoção de práticas regenerativas. Entre os principais benefícios apontados estão:

  • Melhora da fertilidade do solo (70,8%)
  • Maior resiliência climática (58,3%)

No entanto, a dificuldade de mensurar esses resultados ainda é um obstáculo para acesso a certificações, crédito e mercados diferenciados.

Potencial de crescimento depende de incentivos

A expectativa para o futuro é positiva. Cerca de 69,2% dos produtores acreditam que a agricultura regenerativa deve crescer no Brasil nos próximos anos.

O avanço, porém, depende diretamente de fatores como assistência técnica qualificada, instrumentos financeiros e desenvolvimento de mercados que reconheçam e remuneren práticas sustentáveis.

A pesquisa também mostra que 62,6% dos produtores adotariam o modelo de forma mais ampla caso houvesse um ambiente econômico favorável.

Integração da cadeia é chave para evolução

Especialistas destacam que a consolidação da agricultura regenerativa no Brasil exige coordenação entre todos os elos da cadeia produtiva.

Isso inclui avanços em métricas de mensuração, acesso a financiamento, desenvolvimento de mercados e políticas de incentivo que fortaleçam a competitividade sustentável do agro brasileiro.

Como desdobramento do estudo, será lançada durante a Agrishow 2026, em Ribeirão Preto (SP), uma cartilha prática com orientações para ampliar a adoção dessas práticas no país.

Oportunidade estratégica para o agro brasileiro

A agricultura regenerativa surge como uma oportunidade estratégica para o Brasil, aliando produtividade, sustentabilidade e resiliência climática.

Com práticas já incorporadas ao dia a dia do produtor, o próximo passo será transformar esse potencial em valor econômico, garantindo reconhecimento de mercado e maior rentabilidade ao setor.

Fonte: Portal do Agronegócio

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