Publicado em: 19/02/2026 às 14:30hs
Com margens de lucro cada vez mais apertadas, instabilidade climática e a busca por eficiência produtiva, o manejo do solo passou de prática básica a fator estratégico nas lavouras brasileiras. Culturas como milho, feijão e algodão — especialmente durante a safrinha — têm se beneficiado de técnicas que visam à regeneração e ao equilíbrio do solo, garantindo maior estabilidade e produtividade.
Segundo o 4º Levantamento da Safra de Grãos 2025/26 da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção nacional de grãos deve crescer 0,3%, alcançando 353,1 milhões de toneladas, impulsionada por uma expansão de 2,6% na área cultivada. Apesar disso, a produtividade ainda é afetada por fenômenos climáticos extremos e limitações físicas do solo. O milho, por exemplo, deve registrar queda de 1,5% na produção total e 5,3% na produtividade média, reflexo de veranicos, calor intenso e chuvas irregulares.
Nesse contexto, soluções voltadas ao solo têm ganhado destaque. Mais do que substituir práticas convencionais, elas atuam de forma complementar — equilibrando os aspectos físico, químico e biológico do ambiente produtivo.
Um exemplo vem de áreas de feijão voltadas à produção de sementes que utilizam o Microgeo, desenvolvido pela Allterra. A tecnologia promove a recomposição e ativação do microbioma do solo, estimulando a biodiversidade microbiana e favorecendo processos como a ciclagem de nutrientes e a bioestruturação. O resultado é um campo mais uniforme e resiliente, com plantas equilibradas e de melhor desenvolvimento ao longo do ciclo.
Essas práticas mostram como o manejo biológico contribui diretamente para a estabilidade produtiva, aspecto essencial em culturas sensíveis e de múltiplas janelas de plantio, como o feijão, ou que exigem sustentação física e nutricional prolongada, como o algodão.
Outro ponto decisivo para a resiliência das lavouras é o manejo nutricional aliado à construção do perfil de solo. O cálcio, antes visto apenas como corretivo, vem sendo reposicionado como elemento-chave para o fortalecimento do solo e tolerância ao estresse hídrico e térmico — condições frequentes na safrinha.
Produtos como o Calsite/Isofertil, também da Allterra, vêm sendo aplicados com foco na estruturação do solo e no fortalecimento fisiológico das plantas. Essa tecnologia estimula o crescimento radicular em profundidade, melhora a eficiência na absorção de nutrientes e aumenta a estabilidade das lavouras diante de adversidades climáticas.
Em lavouras de milho safrinha 2026, áreas que adotaram práticas consistentes de manejo do solo apresentaram ganhos de 10 a 20 sacas por hectare em relação às que não investiram na construção do perfil de solo — diferença que impacta diretamente a rentabilidade e a previsibilidade do sistema.
O manejo eficiente do solo não busca apenas elevar a produtividade, mas garantir previsibilidade e segurança ao produtor. No feijão, cuja produção deve atingir cerca de 3 milhões de toneladas em 2025/26, a atenção ao solo na segunda e terceira safras será essencial. Já o milho, pilar do abastecimento interno e da produção de etanol, e o algodão, que demanda estabilidade física e biológica do solo, terão na resiliência climática o fator decisivo entre lucro e prejuízo.
Integrar soluções para o solo, nutrição equilibrada e planejamento de longo prazo torna-se cada vez mais indispensável. Em um setor agrícola cada vez mais técnico e desafiador, o manejo do solo deixa de ser um coadjuvante e passa a ser o centro das estratégias de produção sustentável, assegurando eficiência, resiliência e competitividade para o futuro do agro brasileiro.
Fonte: Portal do Agronegócio
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