Publicado em: 06/03/2026 às 15:30hs
A safra brasileira de milho 2025/26 inicia com um cenário estrutural mais apertado e margem de erro reduzida. De acordo com levantamento da Biond Agro, a produção total deve alcançar 137,5 milhões de toneladas, uma queda de aproximadamente 3,5 milhões de toneladas em relação às 141 milhões da safra anterior.
Enquanto isso, a demanda deve crescer de 133,8 milhões para 141,8 milhões de toneladas, impulsionada pelo consumo doméstico, especialmente pela indústria de etanol de milho e pelo setor de proteína animal. O resultado é um estoque final projetado em 8,2 milhões de toneladas, o equivalente a apenas 6% do consumo nacional, o que reduz significativamente a capacidade de absorver eventuais perdas de produção.
“O sistema entrou neste ciclo com menos folga. Quando o estoque é mais enxuto, qualquer perda adicional ganha peso maior na formação dos preços”, destaca Felipe Jordy, gerente de inteligência de mercado da Biond Agro.
A segunda safra, que responde por cerca de 79% da produção nacional (estimada em 108,3 milhões de toneladas), começa com atrasos no calendário agrícola. O motivo é o plantio tardio da soja e o excesso de chuvas, que têm dificultado a colheita da oleaginosa e comprometido a janela ideal para o milho.
No Centro-Oeste, principal polo produtor, o excesso hídrico vem dificultando o avanço das máquinas no campo. Embora o clima ainda não indique deterioração severa, o problema atual é operacional, e o atraso na semeadura eleva o risco de perdas de produtividade.
O estado do Mato Grosso mantém o equilíbrio nacional, respondendo por quase metade do volume produzido, mas Goiás e Mato Grosso do Sul apresentam maior exposição ao atraso.
“A partir da segunda quinzena de fevereiro, cada dia de atraso reduz a chance de aproveitar o melhor regime de chuvas”, explica Jordy.
O aperto no balanço de oferta e demanda reforça o potencial de sustentação dos preços do milho. Após a recomposição observada na safra 2024/25, quando os estoques subiram para 8% do consumo, a nova projeção de 6% recoloca o mercado em um patamar intermediário, mas ainda sensível a qualquer choque produtivo.
Uma perda de apenas 5% na segunda safra — cerca de 5 milhões de toneladas — seria suficiente para desequilibrar o mercado. Segundo a Biond Agro, o milho agora conta com um “piso estrutural” de preços, sustentado pela combinação de estoques reduzidos e demanda firme.
“Mesmo antes de qualquer evento climático adverso, o milho já apresenta suporte estrutural. O balanço mais justo limita quedas e amplia a sensibilidade a fatores externos”, reforça Jordy.
O câmbio deve exercer papel decisivo na competitividade do milho brasileiro. Após um período de real desvalorizado, que elevou o preço interno e reduziu a atratividade das exportações, a apreciação recente da moeda pode melhorar a competitividade internacional e impulsionar o escoamento externo ao longo de 2026.
No campo climático, a possível transição para o fenômeno El Niño no segundo semestre traz riscos adicionais. Embora nem sempre provoque perdas diretas, o evento aumenta a variabilidade regional de chuvas, especialmente durante o enchimento dos grãos — fase crítica para a produtividade da segunda safra.
“O mercado ainda precifica normalidade climática, mas se o atraso no plantio se ampliar e parte relevante da área sair da janela ideal, a reprecificação pode ocorrer rapidamente”, alerta Jordy.
Com produção menor, estoques ajustados e demanda firme, o mercado de milho entra em 2026 com menor capacidade de absorver choques produtivos. O cenário descrito pela Biond Agro indica que a volatilidade dos preços deve aumentar, especialmente se houver eventos climáticos que afetem a produtividade da safrinha.
A combinação entre atrasos no plantio, balanço mais apertado e incertezas geopolíticas e cambiais tende a manter o milho em um ambiente de preços firmes, com possibilidade de movimentos bruscos conforme o avanço da colheita e as condições climáticas nas próximas semanas.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias