Publicado em: 19/02/2026 às 18:00hs
O relatório Agro Mensal, divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA, aponta que janeiro foi marcado por ajustes nos preços do milho tanto no mercado brasileiro quanto internacional. A combinação entre produção elevada, estoques confortáveis e o avanço da colheita pressionou as cotações nas principais praças.
Após quatro meses consecutivos de alta na Chicago Board of Trade (CBOT), o milho apresentou recuo de 2%, sendo negociado a USD 4,32/bushel. Mesmo com exportações americanas acima das expectativas, o recorde de produção mantém o equilíbrio entre oferta e demanda. No início de fevereiro, o movimento de baixa persistiu, com nova desvalorização de 1%, para USD 4,28/bushel.
No Brasil, o cenário foi semelhante. Em Sorriso (MT), os preços do milho caíram 1% em janeiro, chegando a R$ 51/saca, influenciados pela queda na CBOT, pela valorização do real e pela maior oferta no mercado interno com o início da colheita da soja.
Além disso, os altos estoques de passagem da safra 2024/25 contribuíram para o recuo das cotações. Já em fevereiro, a pressão se intensificou, levando o preço a R$ 47,20/saca, uma queda de 7,8% em relação ao mês anterior.
O relatório mostra que o plantio da 2ª safra de milho começou com ritmo um pouco abaixo da média dos últimos cinco anos, mas ainda dentro da janela ideal. Cerca de 22% da área projetada já foi semeada, contra uma média histórica de 25,5%.
O Mato Grosso, principal estado produtor, apresenta 37% da área plantada. A expectativa é que cerca de 70% do plantio ocorra em fevereiro, o que concentra o período crítico das lavouras entre abril e maio — meses que exigem boas condições de chuva para garantir produtividade.
De acordo com o Itaú BBA, o atraso no início do plantio foi causado pelo excesso de chuvas em janeiro, o que impediu maior avanço das máquinas no campo.
O mercado internacional acompanha de perto os sinais da próxima safra dos Estados Unidos, especialmente no que diz respeito à definição da área de plantio e à relação entre os preços da soja e do milho.
O relatório de fevereiro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos mostrou poucas mudanças no balanço global: o consumo cresceu 0,1%, e os estoques finais caíram de 291 para 289 milhões de toneladas, redução de 0,7%.
Mesmo com a safra recorde americana, estimada em 432 milhões de toneladas, a temporada 2025/26 deve encerrar com estoques 1,8% menores em comparação à safra anterior.
O USDA revisou para cima as exportações americanas, agora projetadas em 83,8 milhões de toneladas, aumento de 2,5 milhões. Como resultado, os estoques finais de 2025/26 foram ajustados para 54 milhões de toneladas — ainda assim, 37% acima do volume da temporada anterior.
Esse cenário indica pressão sobre os preços no curto prazo, mesmo com sinais de equilíbrio gradual no mercado global.
Enquanto a soja registrou alta nas cotações da CBOT, o milho manteve estabilidade, o que tornou a relação entre os dois grãos mais favorável à oleaginosa. Atualmente, os contratos de soja (nov/26) e milho (dez/26) operam em uma média histórica de 2,4 sacas de milho por saca de soja, tendência que deve estimular o produtor americano a ampliar o cultivo de soja na safra 2026/27.
Outros fatores que podem influenciar as decisões de plantio incluem o aumento no custo dos fertilizantes nitrogenados e a necessidade de rotação de culturas. A primeira estimativa oficial para a próxima safra dos Estados Unidos será divulgada em 20 de fevereiro, durante o USDA Outlook Forum.
Fonte: Portal do Agronegócio
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