Milho e Sorgo

Quebra na safra de milho em MT chegará a 10 milhões de toneladas, estima Famato

Mato Grosso colherá até 10 milhões de toneladas de milho a menos este ano do que em 2015


Publicado em: 29/07/2016 às 17:30hs

Quebra na safra de milho em MT chegará a 10 milhões de toneladas, estima Famato

A estimativa da Federação da Agricultura e Pecuária (Famato) é que a quebra de safra do cereal para a temporada 2015/2016 será, no melhor dos cenários, o dobro do volume previsto pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). No 10º Levantamento de Safra, divulgado pela estatal no início do mês, foram projetadas perdas de 4,648 milhões (t) do milho 2ª safra no atual ciclo produtivo, que renderá 15,964 milhões (t), ante 20,763 milhões (t) na última safra.

Já o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), vinculado à Famato, estima redução de 5,975 milhões (t) ou 22,8% na produção total do cereal na atual safra, que totalizará 20,223 milhões (t), contra 26,199 milhões de toneladas na safra 2014/2015. “O Imea traça a estimativa com base no volume colhido, mas a cada semana a produtividade tem caído violentamente”, observa o diretor administrativo e financeiro da Federação, Nelson Piccoli.“As áreas que restam ser colhidas devem apresentar produtividade entre 12 a 30 sacas por hectare. Em algumas áreas sequer terão produção”, lamenta.

E é com base nesse cenário que a federação prevê perdas de, no mínimo, 8 milhões (t) de milho na safra atual, em comparação com o ciclo anterior. Para ilustrar a gravidade da situação, Piccoli comenta que na região médio-norte mato-grossense, a que mais produz o cereal, o rendimento médio das lavouras até agora está em 85 sacas por hectare, ante 106 sacas/ha na safra anterior. “Na região, a redução não foi tão catastrófica (-19,81%), mas em alguns lugares a quebra de produtividade chega a 70%”.

No boletim do Imea da última semana, os analistas destacaram a heterogeneidade das lavouras de milho nesta safra, que “vêm mostrando, desde o início da colheita, um intervalo bastante considerável entre as produtividades máximas e mínimas em todas as macrorregiões do Estado”, descrevem em um dos trechos do informativo. Além disso, este ano as produtividades médias estão mais próximas das mínimas, reflexo do estresse hídrico que as plantas sofreram enquanto se desenvolviam, o que serve como mais um indicador de que esta safra será menor do que as expectativas iniciais.

Com o agravamento da quebra de safra, a cotação do milho no mercado interno continuará a escalada em plena colheita, que ultrapassa 50% da área plantada de 4,245 milhões de hectares em Mato Grosso. Nesta segunda-feira (25), o cereal foi vendido a R$ 35,65 a saca em Campo Verde, segundo indicador do Imea. Neste início de semana, o preço mínimo registrado é de R$ 31,15/sc. Na semana passada, os preços subiram entre 3,23% (Campo Verde) e 8,08% (Diamantino) em Mato Grosso, segundo o Imea. Na média, a saca ficou cotada a R$ 28,39 na sexta-feira (22), após acumular alta semanal de 2,30%.

Em 2015, no mesmo período, o indicador Imea registrava preço médio de R$ 15,31 a saca, uma valorização anual de 85,43%. “Nos próximos 30 dias, o preço do milho será maior que o atual”, garante o diretor administrativo e financeiro da Famato, Nelson Piccoli, que projeta alta futura de aproximadamente 30% sobre a média de preço atual, tendo como referência a região de Sorriso. “A maioria dos consumidores de milho compraram o suficiente para um determinado período e, com a queda na produção, o produtor irá segurar o milho para vender quando o preço estiver acima do atual”.

A sustentação da demanda combinada com a baixa oferta pressiona a alta dos preços, lembra Piccoli, que comenta as medidas de regulação adotadas pelo governo federal. “O governo não tem estoque para ofertar ao mercado e a importação não garante que o milho chegará a preços mais competitivos aqui, porque nenhum país tem disponibilidade do cereal porque a quebra de produção é geral”.

Mesmo com a sustentação dos preços em patamares mais elevados nesta safra, os produtores que tiveram perdas mais acentuadas não param de contabilizar prejuízos. Quem plantou finalizou a colheita e obteve rendimento muito aquém do esperado se vê forçado a adquirir o cereal no mercado interno para cumprir o contrato de venda com as tradings, pagando 58% a mais atualmente. Isso porque a multa cobrada por essas companhias equivalem a 50% do valor do contrato, pontua Nelson Piccoli. “Muitos produtores que colheram muito mal por causa da seca e venderam antecipado, acima do que colheram. Agora têm que comprar no mercado para entregar às tradings”, esclarece. “Vão amargar prejuízo de no mínimo R$ 10 por saca, porque venderam a R$ 17/sc e agora têm que comprar por R$ 27, na média”.

E os prejuízos envolvem também os suinocultores e avicultores. Na suinocultura há produtores que abandonam a atividade, diz o diretor executivo da Associação dos Criadores de Suínos do Mato Grosso (Acrismat), Custódio Rodrigues. “Em Campo Verde, um suinocultor que mantém um plantel grande está deixando a criação aos poucos. E os pequenos que fizerem as contas vão acabar fechando porque o custo de produção está muito elevado”.

Para ele, a redução de imposto de importação do milho adotada pelo governo federal não atende os suinocultores mato-grossenses. “A logística de transporte torna a importação inviável”. Na avaliação do presidente da Associação dos Avicultores de Mato Grosso (Amav), Tarcísio Schroeder, os preços do milho até recuaram um pouco no início da colheita, mas voltaram a subir. “Várias empresas de porte maior estão importando milho, mas para Mato Grosso não adiantou. E agora os produtores que têm milho disponível não vendem porque sabem que o preço subirá mais”. A solução para o avicultor, completa ele, é continuar a adquirir pouco volume do cereal.

Fonte: A Gazeta

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