Milho e Sorgo

Produção de milho deve atingir 138 milhões de toneladas em 2026, mas logística e câmbio desafiam exportações

Relatório AgroInfo 2026 do Rabobank eleva projeção da safra brasileira de milho e aponta pressão sobre preços diante da maior oferta e custos de transporte mais elevados


Publicado em: 30/06/2026 às 10:30hs

Produção de milho deve atingir 138 milhões de toneladas em 2026, mas logística e câmbio desafiam exportações

O mercado brasileiro de milho segue em trajetória de forte expansão. De acordo com o relatório AgroInfo Junho 2026, divulgado pelo Rabobank, a produção nacional do cereal deverá alcançar 138 milhões de toneladas na safra 2025/26, um milhão de toneladas acima da estimativa anterior, consolidando uma das maiores colheitas da história do país.

A revisão positiva reflete, principalmente, o bom desempenho do milho safrinha em Mato Grosso, favorecido por condições climáticas adequadas durante o desenvolvimento das lavouras. Apesar de perdas pontuais em algumas regiões produtoras, os ganhos de produtividade no principal estado produtor compensaram parte dessas limitações.

Safra robusta amplia oferta e pressiona mercado

Com uma produção recorde e aumento da disponibilidade interna, o mercado passa a enfrentar um novo desafio: a absorção desse volume adicional. Segundo os analistas do Rabobank, a combinação entre maior oferta e concorrência internacional mais acirrada deverá limitar o ritmo das exportações brasileiras ao longo de 2026.

A valorização do real frente ao dólar reduz a competitividade do milho brasileiro no mercado externo, especialmente diante da forte presença dos Estados Unidos e da Argentina no comércio global do cereal.

Diante desse cenário, a projeção para os embarques foi revisada para cerca de 39 milhões de toneladas, volume aproximadamente 3 milhões de toneladas inferior ao exportado em 2025.

Custos logísticos ganham protagonismo

Outro fator que preocupa o setor é o aumento dos custos de transporte. O relatório destaca que os fretes rodoviários acumularam alta superior a 10% no primeiro semestre de 2026, impactando diretamente a rentabilidade dos produtores.

Além de reduzir as margens no campo, o encarecimento da logística pode desacelerar a comercialização e estimular uma maior permanência do milho no mercado doméstico.

Esse movimento tende a beneficiar consumidores internos, como a indústria de proteína animal e as usinas de etanol de milho, que deverão ampliar sua participação na demanda pelo cereal.

Consumo interno segue em crescimento

Enquanto as exportações enfrentam desafios, o mercado doméstico continua apresentando fundamentos sólidos. O Rabobank estima que o consumo brasileiro de milho alcance aproximadamente 97 milhões de toneladas em 2026, crescimento de cerca de 5% em relação ao ano anterior.

A expansão é impulsionada principalmente por dois segmentos estratégicos:

  • Produção de proteínas animais, especialmente aves e suínos;
  • Indústria de etanol de milho, que segue ampliando sua capacidade operacional.

Esse avanço ajuda a equilibrar parte da oferta adicional disponível no mercado.

Preços sentem impacto da oferta elevada

A combinação entre safra volumosa, menor ritmo exportador e custos logísticos mais altos já começa a refletir nas cotações.

Segundo o levantamento do Rabobank, os preços do milho registraram queda próxima de 2% no último mês, acompanhando o ajuste natural do mercado diante do aumento da disponibilidade do cereal.

Além disso, uma eventual confirmação de produção elevada também em outros países exportadores poderá manter pressão sobre os preços internacionais nos próximos meses.

Clima continua no radar dos produtores

Apesar das perspectivas positivas para a safra, o clima segue sendo um fator de atenção para o setor.

Dados do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (IMEA) mostram que a colheita do milho safrinha em Mato Grosso atingiu 11% da área cultivada, desempenho superior ao registrado no mesmo período do ano passado.

Por outro lado, massas de ar polar têm provocado geadas localizadas em áreas produtoras do Paraná e de Santa Catarina, situação que continua sendo monitorada pelos agentes do mercado.

Perspectiva para o milho em 2026

O cenário traçado pelo Rabobank aponta para um mercado abastecido, com produção robusta, crescimento do consumo interno e exportações ligeiramente menores.

Embora a demanda doméstica ajude a absorver parte da oferta, fatores como câmbio, custos logísticos, concorrência internacional e condições climáticas continuarão determinando a dinâmica dos preços e da rentabilidade dos produtores ao longo do segundo semestre.

Com uma safra estimada em 138 milhões de toneladas, o Brasil reforça sua posição entre os principais produtores e exportadores mundiais de milho, mas terá de enfrentar um ambiente cada vez mais competitivo para manter sua participação no comércio global.

Fonte: Portal do Agronegócio

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