Preços do milho recuam no Brasil com demanda fraca e oferta elevada; Chicago tenta recuperação
Compradores priorizam reposição de estoques, produtores flexibilizam negociações e exportações abaixo do ano passado ampliam a pressão sobre o mercado interno; plantio da safra 2026/27 avança no Sul
Publicado em: 05/10/2026 às 11:00hs
Os preços do milho seguem pressionados no Brasil pela baixa disposição dos compradores para fechar novos negócios, pela perspectiva de oferta abundante e pelo desempenho das exportações. Enquanto o mercado doméstico registra negociações pontuais, os contratos futuros em Chicago tentam recuperar parte das perdas recentes nesta segunda-feira (5), com o vencimento dezembro/26 novamente próximo de US$ 5,00 por bushel.
Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), parte dos consumidores brasileiros dispõe de estoques suficientes para atender às necessidades imediatas e permanece afastada da compra de novos lotes. A expectativa de maior disponibilidade interna também reduz a urgência das aquisições.
Do lado da oferta, produtores demonstram maior flexibilidade para negociar preços, condições de entrega e prazos de pagamento. O cenário combina pressão sobre as cotações, diferenças regionais e maior atenção aos custos de manter o cereal armazenado.
Oferta elevada e exportações menores pressionam o milho
A estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apresentada no levantamento aponta uma produção recorde de 144 milhões de toneladas de milho na safra 2025/26, apesar da redução da produtividade.
Esse volume, associado às exportações brasileiras inferiores às do ano passado, sustenta entre compradores a percepção de que haverá mais cereal disponível no mercado doméstico. Com isso, as aquisições ficam concentradas em necessidades de curto prazo.
A TF Agroeconômica também identifica pressão sobre os preços. Conforme a análise da consultoria, o indicador Cepea/B3 recuou da faixa de R$ 71,00 para valores entre R$ 68,50 e R$ 68,60 por saca.
Embora o movimento predominante seja de enfraquecimento, as condições variam entre as regiões. Demanda industrial, disponibilidade local e distância entre os valores pedidos e oferecidos ajudam a explicar essas diferenças.
Rio Grande do Sul tem milho entre R$ 60 e R$ 69 por saca
No Rio Grande do Sul, as referências de preços variam de R$ 60,00 a R$ 69,00 por saca, segundo a TF Agroeconômica. Os negócios seguem pontuais, com compradores voltados à reposição e produtores seletivos na comercialização.
No levantamento da Emater, o preço médio estadual apresentou alta de 1,84%, para R$ 62,67 por saca, mostrando um comportamento distinto da pressão observada em outras praças.
O plantio da safra 2026/27 alcançou 73% da área prevista, ante 68% no levantamento anterior. As lavouras apresentam bom desenvolvimento inicial, embora geadas e granizo tenham provocado danos localizados.
Em Santiago, aproximadamente 180 hectares foram atingidos, com perdas de produtividade estimadas em 60% nas áreas afetadas. Já a semeadura do milho destinado à silagem chegou a 46%.
Diferença de preços limita negócios em Santa Catarina e no Paraná
Em Santa Catarina, vendedores trabalham com referências próximas de R$ 60,00 por saca, enquanto compradores indicam valores ao redor de R$ 55,00. A diferença restringe os negócios, mesmo em um estado que depende do abastecimento de outras regiões para atender à demanda.
No Paraná, as aquisições também se concentram na reposição de estoques. As referências apresentadas pela TF Agroeconômica mostram valores próximos de R$ 60,00 por saca e ofertas da demanda ao redor de R$ 55,00 na modalidade CIF, que inclui o frete até o destino.
As cotações regionais recuaram para R$ 66,44 no Norte Central e R$ 58,06 no Oeste. Em Ponta Grossa, a queda foi de 0,61%, com o preço a R$ 65,85 por saca.
Segundo o Departamento de Economia Rural (Deral), a colheita da segunda safra 2025/26 atingiu 99%, enquanto o plantio do ciclo 2026/27 alcançou 72%. As chuvas interferem no ritmo dos trabalhos de semeadura.
Em Mato Grosso do Sul, os preços variam entre R$ 54,00 e R$ 55,50 por saca. Depois de sucessivas altas, o mercado passou a registrar estabilidade e recuos, incluindo uma queda semanal de 3,37% em Maracaju. A indústria de bioenergia continua absorvendo parte da oferta, enquanto os demais compradores priorizam volumes para reposição.
Milho em Chicago volta ao patamar de US$ 5 por bushel
No mercado internacional, os futuros do milho operavam em alta na manhã desta segunda-feira (5), após as perdas da semana anterior.
Por volta das 9h05, no horário de Brasília, o contrato dezembro/26 avançava 2,50 pontos, para US$ 5,00 por bushel. O vencimento março/27 subia 3,25 pontos, a US$ 5,14, enquanto maio/27 ganhava 3,00 pontos, a US$ 5,21. Julho/27 registrava valorização de 3,50 pontos, para US$ 5,26 por bushel.
A recuperação recebia apoio da alta do trigo, diante das preocupações com os corredores de exportação do Leste Europeu e das tensões na região do Mar Negro.
Ainda assim, os estoques elevados e o avanço da colheita nos Estados Unidos limitam uma reação mais consistente. Segundo a análise da TF Agroeconômica, os estoques americanos ficaram em 53,22 milhões de toneladas, acima das 48,72 milhões esperadas pelo mercado.
O volume superior às expectativas, divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) na semana passada, pressionou Chicago e levou o contrato dezembro/26 a perder o patamar de US$ 5,00 por bushel antes da recuperação desta manhã.
Consultoria orienta vendas graduais e controle dos custos de armazenagem
Diante da pressão de oferta, a TF Agroeconômica recomenda que agricultores com milho da safra 2026 realizem vendas escalonadas, aproveitando eventuais recuperações das cotações, sem depender de uma alta expressiva para comercializar.
Para cooperativas, a orientação é acelerar a saída dos estoques com maior custo financeiro, oferecer alternativas de vendas graduais aos associados e avaliar contratos futuros quando os preços forem considerados satisfatórios.
No caso dos cerealistas, a consultoria recomenda compras com margem definida, possibilidade de proteção e giro rápido. Para exportadores, o acompanhamento deve considerar Chicago, câmbio, fretes, prêmios e preços FOB, além da concorrência dos Estados Unidos e da Argentina.
Indústrias encontram oportunidades de compra nos recuos
A queda dos preços abre oportunidades para consumidores industriais ampliarem a cobertura de matéria-prima de forma planejada.
Segundo a TF Agroeconômica, usinas de etanol de milho podem avaliar aquisições e proteção de margens futuras, considerando também as cotações do etanol, do óleo e dos grãos secos de destilaria, conhecidos como DDG.
Para as fábricas de ração, a recomendação é aproveitar os recuos para compras graduais, evitar cobertura excessivamente longa e acompanhar a relação de preços entre milho e farelo de soja.
O mercado permanece condicionado à capacidade da demanda interna e das exportações de absorver a oferta. Ao mesmo tempo, o avanço da colheita americana e o comportamento de Chicago seguem influenciando as decisões de comercialização no Brasil.
Fonte: Portal do Agronegócio
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