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Milho e Sorgo

Preço do milho sobe no Brasil com clima nos EUA, atraso da safrinha e retração dos produtores

Especulação sobre o clima no cinturão produtor norte-americano, colheita lenta da segunda safra e oferta restrita sustentam as cotações do milho no mercado brasileiro


Publicado em: 10/07/2026 às 15:30hs

Preço do milho sobe no Brasil com clima nos EUA, atraso da safrinha e retração dos produtores

O mercado brasileiro de milho encerrou a semana com preços em alta e negociações moderadas, impulsionado pela combinação de fatores internos e externos. A preocupação com o clima nas principais regiões produtoras dos Estados Unidos elevou a volatilidade dos contratos futuros na Bolsa de Chicago (CBOT), enquanto o atraso da colheita da segunda safra no Brasil limitou a oferta disponível e sustentou as cotações no mercado físico.

Segundo análise da Safras & Mercado, a expectativa de temperaturas elevadas e chuvas abaixo da média no Meio-Oeste norte-americano aumentou o movimento especulativo nos mercados internacionais, refletindo diretamente na formação dos preços no Brasil.

Ao mesmo tempo, produtores brasileiros continuam adotando uma postura cautelosa nas vendas, aguardando melhores oportunidades de comercialização, enquanto consumidores mantêm compras pontuais à espera do avanço da colheita da safrinha.

Clima nos Estados Unidos influencia mercado global

O mercado internacional segue monitorando de perto as condições climáticas nos Estados Unidos, maior produtor e exportador mundial de milho.

As previsões de calor intenso e redução das chuvas em parte do cinturão agrícola americano aumentaram as preocupações sobre o potencial produtivo da safra 2026/27, elevando a volatilidade na Bolsa de Chicago e oferecendo sustentação às cotações internacionais.

Embora ainda seja cedo para confirmar impactos sobre a produtividade, o mercado costuma antecipar riscos climáticos, influenciando diretamente as negociações futuras da commodity.

Colheita da safrinha avança lentamente

No mercado doméstico, o principal fator de sustentação continua sendo o ritmo lento da colheita da segunda safra.

As chuvas registradas nas últimas semanas em importantes estados produtores mantiveram elevados os níveis de umidade dos grãos, dificultando a entrada das máquinas nas lavouras. Além disso, temperaturas mais amenas reduziram o ritmo dos trabalhos em algumas regiões.

Com menor disponibilidade imediata de milho, os vendedores permanecem retraídos, contribuindo para a valorização das cotações.

Dólar limita ganhos nas exportações

Apesar da recuperação dos contratos futuros em Chicago, o mercado exportador brasileiro não registrou avanços expressivos nos preços praticados nos portos.

A valorização do real frente ao dólar reduziu parte da competitividade do milho brasileiro no mercado internacional, limitando os prêmios de exportação e diminuindo o impacto positivo da alta da bolsa norte-americana.

O comportamento do câmbio segue sendo um dos principais fatores observados pelo setor exportador nas próximas semanas.

Preço médio do milho sobe no Brasil

O indicador médio nacional apresentou valorização ao longo da semana.

A saca de milho foi negociada, em média, a R$ 60,87 em 9 de julho, alta de 1,22% frente aos R$ 60,14 registrados na semana anterior.

Confira as principais cotações do mercado físico:

  • Campinas (SP/CIF): R$ 66,00/saca (estável);
  • Cascavel (PR): R$ 60,00/saca (estável);
  • Mogiana (SP): R$ 58,00/saca (estável);
  • Rondonópolis (MT): R$ 56,00/saca (+5,66%);
  • Uberlândia (MG): R$ 60,00/saca (+3,45%);
  • Rio Verde (GO): R$ 55,00/saca (estável);
  • Erechim (RS): R$ 69,00/saca (estável).

O destaque da semana ficou para Mato Grosso, onde a valorização refletiu principalmente a menor oferta imediata disponível no mercado físico.

Exportações de milho começam julho em ritmo mais lento

Os embarques brasileiros de milho iniciaram julho abaixo do desempenho registrado no mesmo período do ano passado.

Nos três primeiros dias úteis do mês, o Brasil exportou 120,311 mil toneladas, gerando receita de US$ 30,607 milhões. O preço médio da tonelada exportada ficou em US$ 254,40.

Na média diária, os embarques somaram:

  • US$ 10,202 milhões em receitas;
  • 40,103 mil toneladas exportadas.
  • Na comparação com julho de 2025:
  • a receita média diária caiu 53%;
  • o volume médio embarcado recuou 62,1%;
  • o preço médio da tonelada aumentou 24%.

O avanço da colheita da segunda safra deverá ampliar a disponibilidade de milho para exportação nas próximas semanas, período em que tradicionalmente os embarques brasileiros ganham força.

Mercado segue atento ao clima, câmbio e avanço da colheita

Para as próximas semanas, analistas apontam que o comportamento do mercado continuará sendo determinado por três fatores principais: a evolução das condições climáticas nos Estados Unidos, o ritmo da colheita da safrinha brasileira e a movimentação do dólar.

Caso persistam os riscos climáticos no cinturão agrícola norte-americano e a oferta doméstica continue limitada, o milho deverá manter preços sustentados no mercado interno. Entretanto, uma aceleração da colheita e o aumento da disponibilidade de grãos podem reduzir a pressão altista e trazer maior liquidez às negociações entre produtores, consumidores e exportadores.

Fonte: Portal do Agronegócio

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