Publicado em: 06/07/2026 às 11:25hs
O mercado brasileiro de milho iniciou a semana com sinais de recuperação nos preços, impulsionado pela valorização dos contratos futuros na Bolsa de Chicago (CBOT), pela alta observada na Bolsa Brasileira (B3) e pela postura mais firme dos produtores, que seguem limitando as vendas enquanto avaliam o comportamento do clima nos Estados Unidos e o potencial de valorização no segundo semestre.
Embora a colheita da segunda safra continue avançando em ritmo acelerado e mantenha elevada a disponibilidade do cereal no país, compradores têm intensificado aquisições pontuais para abastecimento imediato, enquanto vendedores permanecem cautelosos, sustentando os preços em diversas regiões.
Levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostram que os preços do milho voltaram a subir nas principais praças paulistas ao longo da última semana.
A valorização ocorre em função da combinação entre estoques reduzidos, necessidade imediata de abastecimento por parte dos consumidores e do fortalecimento das cotações internacionais.
Mesmo diante do avanço da colheita da segunda safra, compradores que necessitam de entregas no curto prazo voltaram ao mercado e aceitaram pagar preços mais elevados no mercado disponível (spot), contribuindo para a recuperação das cotações no estado.
Já nas demais regiões produtoras, especialmente no Centro-Oeste, os preços continuam pressionados pela entrada da safrinha no mercado, embora o ritmo das negociações permaneça moderado devido à postura cautelosa tanto de compradores quanto de vendedores.
Apesar do aumento da disponibilidade de milho com a evolução da colheita, o mercado físico brasileiro continua registrando baixa liquidez.
Produtores seguem retendo parte da produção nos armazéns, aguardando melhores oportunidades de comercialização, enquanto indústrias e consumidores compram apenas volumes necessários para reposição imediata dos estoques.
Outro fator que limita os negócios é a expectativa em relação ao consumo de milho pela indústria de etanol e ao desempenho das exportações brasileiras durante o segundo semestre.
Esse cenário mantém o mercado relativamente equilibrado, impedindo movimentos mais intensos de baixa mesmo diante da oferta crescente.
Após o feriado da Independência dos Estados Unidos, a Bolsa de Chicago retomou os negócios nesta segunda-feira com ganhos expressivos para os contratos futuros do milho.
As cotações avançaram impulsionadas principalmente pelas novas previsões meteorológicas para o Meio-Oeste norte-americano.
Modelos climáticos indicam a possibilidade de um período mais quente e seco nas principais regiões produtoras, aumentando as preocupações sobre o desenvolvimento das lavouras durante uma fase considerada crítica para definição da produtividade.
Ao mesmo tempo, chuvas intensas registradas em parte do estado de Iowa elevaram a incerteza quanto ao comportamento climático nas próximas semanas, fator que aumentou a volatilidade dos contratos.
Os principais vencimentos registraram ganhos superiores a dois dígitos em pontos na CBOT, refletindo a preocupação dos investidores com possíveis riscos à safra norte-americana.
No mercado brasileiro de derivativos, os contratos futuros negociados na B3 também iniciaram a semana em alta.
Os vencimentos mais negociados avançaram acompanhando a valorização internacional e o movimento de recuperação das commodities agrícolas.
O contrato para julho opera próximo de R$ 64,70 por saca, enquanto setembro supera R$ 67,50. Os vencimentos para janeiro e março de 2027 permanecem acima de R$ 73 por saca, indicando expectativa de preços mais sustentados no médio prazo.
O comportamento do dólar e das exportações continuará sendo determinante para a formação dos preços domésticos ao longo das próximas semanas.
O avanço da colheita mantém diferenças importantes entre as regiões produtoras.
No Rio Grande do Sul, a safra já está praticamente concluída e a liquidez permanece reduzida, com compradores abastecidos e preços variando conforme a qualidade dos lotes.
Em Santa Catarina, a distância entre os valores pedidos pelos vendedores e as ofertas apresentadas pelos compradores continua restringindo a realização de novos negócios.
No Paraná, a colheita da segunda safra avança gradualmente, enquanto os impactos das geadas foram considerados pontuais até o momento.
Já em Mato Grosso do Sul, a demanda das usinas de etanol contribui para dar sustentação aos preços regionais, embora os negócios permaneçam concentrados em compras de curto prazo.
Analistas destacam que o comportamento das exportações será um dos principais fatores para definir a trajetória dos preços nos próximos meses.
Caso os embarques brasileiros ganhem força entre julho e dezembro, parte da oferta interna poderá ser direcionada ao mercado externo, reduzindo a pressão provocada pela entrada da safrinha.
Além disso, qualquer deterioração das condições climáticas nas lavouras norte-americanas poderá ampliar os preços internacionais e beneficiar diretamente o milho brasileiro.
A TF Agroeconômica avalia que o mercado entrou em uma fase de transição, exigindo maior planejamento por parte dos agentes da cadeia produtiva.
Para os produtores rurais, a orientação é evitar vendas agressivas em momentos de preços abaixo do custo de produção. A recomendação é aproveitar eventuais altas provocadas pelo clima nos Estados Unidos para negociar parte da safra e utilizar instrumentos de proteção, como operações de hedge, sempre que possível.
Cooperativas podem aproveitar o avanço da colheita para formar estoques de maneira escalonada e reforçar estratégias de proteção na Bolsa, enquanto cerealistas devem evitar posições excessivas e acompanhar atentamente o ritmo das exportações.
Para a indústria de rações, o momento ainda oferece oportunidade para ampliar gradualmente a cobertura de matéria-prima, reduzindo riscos diante de uma eventual recuperação mais consistente das cotações.
A avaliação predominante entre consultorias é que o mercado de milho deverá permanecer relativamente estável nas próximas semanas, mas com viés de recuperação moderada.
A elevada oferta da segunda safra continua limitando avanços mais expressivos nos preços. Entretanto, a resistência dos produtores em negociar abaixo dos custos de produção, a possibilidade de maior ritmo das exportações e as incertezas climáticas nos Estados Unidos começam a estabelecer um piso para as cotações.
Nesse ambiente, o mercado seguirá acompanhando de perto a evolução da safra norte-americana, o comportamento do câmbio, a demanda internacional e o ritmo da comercialização da safrinha brasileira, fatores que deverão definir a direção dos preços ao longo do segundo semestre.
Fonte: Portal do Agronegócio
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