Preço do milho fecha setembro a R$ 66,58 na média nacional, com diferenças entre regiões
Cautela dos produtores restringiu a oferta, mas compras moderadas e falta de avanço na paridade de exportação limitaram as altas; Campinas, Mogiana e Rio Verde registraram quedas
Publicado em: 05/10/2026 às 19:20hs
O preço do milho encerrou setembro praticamente estável na média brasileira, mas com movimentos distintos nas principais regiões de comercialização. Segundo a consultoria Safras & Mercado, a saca foi cotada a R$ 66,58 em 30 de setembro, recuo de 0,04% em relação aos R$ 66,61 registrados no fechamento de agosto.
A estabilidade nacional reuniu realidades diferentes: enquanto Cascavel, no Paraná, e Erechim, no Rio Grande do Sul, apresentaram valorização, Campinas e Mogiana, em São Paulo, e Rio Verde, em Goiás, terminaram o mês com preços menores.
O mercado foi marcado pela cautela dos produtores nas vendas e pelo ritmo moderado das compras. A volatilidade dos contratos futuros e do câmbio influenciou as decisões de comercialização, sem criar condições para uma alta consistente das cotações domésticas.
Produtores restringem vendas, mas demanda limita valorização
De acordo com a Safras & Mercado, os produtores mantiveram a oferta controlada durante boa parte de setembro, na expectativa de negociar o cereal a preços mais elevados.
Essa postura, porém, encontrou uma demanda sem urgência de abastecimento. Os consumidores realizaram compras de forma cadenciada e, em alguns casos, direcionaram as aquisições para entregas nos meses seguintes.
A paridade de exportação também não apresentou avanços capazes de oferecer maior sustentação ao mercado interno. Com isso, a menor disposição dos produtores para vender não foi suficiente para provocar aumentos generalizados.
Exportações abaixo da temporada anterior mantêm estoques no radar
O desempenho dos embarques brasileiros foi outro ponto de atenção ao longo do mês. Segundo a consultoria, o volume acumulado de exportações de milho permanece inferior ao registrado no mesmo período da temporada anterior.
O ritmo das vendas externas continuará sendo acompanhado pelos agentes nos próximos meses, devido ao seu potencial impacto sobre os estoques domésticos e a disponibilidade do cereal.
Nesse cenário, as decisões de comercialização seguem relacionadas tanto à demanda interna quanto às condições de competitividade do milho brasileiro no mercado internacional.
Chicago e B3 recuam após divulgação dos estoques americanos
No mercado externo, setembro teve forte volatilidade, com os investidores reagindo aos relatórios de oferta e demanda e de estoques trimestrais dos Estados Unidos.
A divulgação dos estoques americanos pressionou os contratos futuros no encerramento do mês. Em 30 de setembro, o milho registrou fortes quedas na Bolsa de Chicago e na B3, ampliando a cautela nas negociações.
O câmbio também permaneceu no radar dos participantes do mercado, em conjunto com as oscilações das bolsas e as referências de exportação.
Preços do milho mostram diferenças entre as principais praças
Em Cascavel (PR), a saca no mercado disponível ao produtor encerrou setembro a R$ 68,50, alta de 0,78% sobre o fechamento de agosto.
Em Erechim (RS), a valorização foi de 2,86%, com o preço passando de R$ 70,00 para R$ 72,00 por saca.
Já em Campinas (SP), na modalidade CIF, a cotação terminou o mês a R$ 71,00, com queda de 3,40%, conforme o levantamento da Safras & Mercado. Na Mogiana paulista, o recuo foi de 2,94%, de R$ 68,00 para R$ 66,00 por saca.
Em Rio Verde (GO), o milho foi negociado a R$ 63,00 por saca no fechamento do mês, redução de 3,08% em relação aos R$ 65,00 registrados no fim de agosto.
Outras praças mantiveram estabilidade. Em Rondonópolis (MT), a referência permaneceu em R$ 67,00 por saca. Em Uberlândia (MG), o preço de venda ficou em R$ 65,00, também sem alteração na comparação mensal.
Clima e avanço do plantio devem orientar o mercado
As condições climáticas na América do Sul estiveram entre os principais temas acompanhados em setembro e continuarão influenciando as expectativas para o milho.
Nos próximos meses, a atenção estará voltada ao avanço do plantio e ao desenvolvimento inicial das lavouras. Eventuais mudanças no regime de chuvas poderão afetar o potencial produtivo e, consequentemente, as perspectivas de oferta e a formação dos preços.
Ao lado do clima, o ritmo das exportações, a demanda dos consumidores e a disposição dos produtores para comercializar serão determinantes para o comportamento do mercado brasileiro.
Fonte: Portal do Agronegócio
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