Preço do milho cai no Brasil e em Chicago com oferta elevada e compradores retraídos
Projeção de safra maior nos Estados Unidos pressiona contratos internacionais, enquanto disponibilidade interna e preocupação com armazenagem ampliam a flexibilidade dos vendedores brasileiros.
Publicado em: 19/10/2026 às 11:10hs
Os preços do milho seguem em queda no mercado brasileiro, pressionados pela oferta superior à demanda e pela postura cautelosa dos compradores. No cenário internacional, a perspectiva de maior produção nos Estados Unidos também pesa sobre as cotações e mantém os contratos futuros em terreno negativo na Bolsa de Chicago.
Nesta segunda-feira (19), o cereal iniciou as negociações em baixa na CBOT. No Brasil, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), as desvalorizações se intensificam na maior parte das regiões acompanhadas, em um ambiente de baixo interesse por compras imediatas.
A combinação de estoques elevados, expectativas favoráveis para a produção e necessidade de liberar espaço nos armazéns aumenta a disposição de parte dos vendedores para negociar. As condições climáticas e o avanço do consumo para etanol, porém, permanecem entre os fatores que podem alterar esse cenário.
Oferta elevada intensifica queda do milho no Brasil
De acordo com o Cepea, a disponibilidade nacional de milho supera a demanda neste momento. As novas estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que indicam aumento da produção brasileira na temporada 2026/27, reforçam a pressão sobre os preços.
Os compradores domésticos demonstram pouco interesse no mercado spot, de entrega imediata. Quando precisam adquirir o cereal, procuram reduzir os valores oferecidos.
Do lado da oferta, parte dos vendedores está mais flexível. Além da preocupação com as quedas recentes, há necessidade de planejar a ocupação dos armazéns para a entrada da safra de verão, no início de 2027.
O estoque de passagem elevado de milho e as expectativas positivas para a produção de soja ampliam a atenção à capacidade de armazenagem.
Chicago começa a semana em baixa com safra americana no radar
Na abertura desta segunda-feira, os contratos futuros do milho recuavam em Chicago, dando continuidade ao movimento da semana anterior, quando os principais vencimentos acumularam perdas de até 1,69%.
Às 7h02, no horário de Brasília, o contrato dezembro de 2026 era negociado a US$ 4,7275 por bushel, queda de 1,50 centavo de dólar.
O vencimento março de 2027 recuava 0,50 centavo, para US$ 4,8600 por bushel. Já maio de 2027 registrava baixa de 0,75 centavo, cotado a US$ 4,9275 por bushel.
O principal elemento de pressão continua sendo a revisão das estimativas americanas de oferta, divulgada pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) em 9 de outubro.
USDA eleva produtividade, produção e estoques dos Estados Unidos
O USDA aumentou a projeção de produtividade do milho americano de 178,5 para 181,2 bushels por acre. Segundo reportagem da World Grain, publicada em 16 de outubro, esse foi o maior ajuste positivo entre setembro e outubro desde 2005.
A produção estimada passou de 401,33 milhões para 407,28 milhões de toneladas, equivalente a aproximadamente 16,034 bilhões de bushels. O crescimento foi de cerca de 1,5% sobre a previsão anterior.
Os estoques finais projetados também aumentaram, de 39,79 milhões para 46,97 milhões de toneladas, reforçando a expectativa de maior disponibilidade do cereal.
A revisão contrariou avaliações anteriores de perdas associadas ao calor e à seca. Em agosto, após percorrer lavouras de sete estados americanos, a expedição Pro Farmer havia estimado rendimento de 173,2 bushels por acre.
As preocupações com a safra ajudaram a levar os contratos de aproximadamente US$ 4,02 por bushel, no fim de junho, para US$ 5,18 no início de setembro. Após o relatório de outubro, entretanto, o vencimento dezembro caiu 4,1% em uma sessão, encerrando a US$ 4,7975 por bushel.
Exportações avançam, mas não revertem pressão sobre os contratos
Os indicadores de demanda externa dos Estados Unidos apresentaram melhora, mas foram insuficientes para impedir novas perdas na última sexta-feira (16).
Segundo análise da Agrinvest, as vendas líquidas de milho americano somaram 1,122 milhão de toneladas, aumento de 46% em relação à semana anterior e de 42% sobre a média das quatro semanas anteriores. O resultado, contudo, ficou dentro das expectativas dos analistas.
Os exportadores americanos também informaram uma venda de aproximadamente 127 mil toneladas ao Japão, com entrega na temporada 2026/27.
Nesta segunda-feira, a atenção se volta aos relatórios do USDA sobre inspeções de exportação e evolução da colheita. No levantamento anterior, divulgado em 13 de outubro, os trabalhos haviam alcançado 33% da área, abaixo da média histórica de 39%.
Esses dados ajudarão o mercado a avaliar tanto a entrada da nova safra quanto a capacidade da demanda de absorver a produção prevista.
Clima exige atenção no Brasil apesar do avanço do plantio
Mesmo com chuvas volumosas em parte das regiões produtoras, a semeadura do milho de verão avança satisfatoriamente, conforme o Cepea.
O andamento do calendário agrícola mantém a expectativa de implantação da segunda safra dentro da janela considerada ideal. Ainda assim, os possíveis efeitos do El Niño seguem no radar.
Pesquisadores do Centro de Estudos destacam que excesso de chuva e temperaturas elevadas nos próximos meses podem prejudicar o desenvolvimento das lavouras e levar a revisões das estimativas de produção.
Assim, embora a oferta esperada pressione os preços no curto prazo, a confirmação desse volume dependerá das condições das lavouras ao longo da temporada.
Comercialização exige controle de custos e vendas distribuídas
Diante da pressão sobre as cotações, a TF Agroeconômica recomenda que os produtores evitem concentrar toda a comercialização em um único momento.
A orientação é distribuir as vendas e avaliar oportunidades que assegurem margens satisfatórias, considerando despesas com insumos, arrendamento, financiamento, frete e armazenagem.
A comparação entre propostas de exportadores, fábricas de ração e usinas de etanol também ganha relevância. A expansão do processamento de milho para biocombustíveis pode favorecer a demanda em determinadas regiões, mesmo em um ambiente internacional de preços mais baixos.
Para quem pretende armazenar, a decisão deve incorporar juros, custos operacionais e risco de novas desvalorizações. Cooperativas e cerealistas, por sua vez, precisam avaliar a exposição dos estoques e as margens das operações.
O câmbio, os prêmios de exportação, a logística e o ritmo de consumo industrial permanecem decisivos para a formação dos preços no Brasil. Nesse cenário, o planejamento comercial ganha importância para reduzir a dependência de uma recuperação das cotações em Chicago.
Fonte: Portal do Agronegócio
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