Preço do milho cai 4,11% no Brasil com demanda fraca e exportações lentas
Média nacional recua para R$ 63,84 por saca; compradores abastecidos, real valorizado e avanço da colheita nos Estados Unidos pressionam o mercado
Publicado em: 09/10/2026 às 18:40hs
Os preços do milho registraram nova queda no mercado brasileiro, pressionados pela demanda limitada dos consumidores domésticos e pelo ritmo lento das exportações. Segundo a Safras & Mercado, a média nacional da saca ficou em R$ 63,84 em 8 de outubro, redução de 4,11% frente aos R$ 66,58 registrados no encerramento da semana anterior. safras.com.br
O movimento ocorre em um ambiente de compradores abastecidos e produtores cautelosos. Embora parte dos vendedores evite negociar grandes volumes nos preços atuais, a consultoria identifica avanço gradual da comercialização diante da perda de sustentação das cotações.
No curto prazo, a avaliação da Safras é de que os fundamentos continuam favorecendo a pressão baixista. Os consumidores, por sua vez, relatam disponibilidade de milho para atender às necessidades imediatas e mantêm uma postura tranquila nas negociações.
Exportações lentas ampliam expectativa de estoques
Os embarques brasileiros de milho seguem em ritmo inferior ao da temporada passada. Esse desempenho aumenta a perspectiva de um estoque de passagem mais confortável ao final do ciclo, conforme a consultoria.
A valorização recente do real frente ao dólar também limita a competitividade do cereal brasileiro no exterior. Ao mesmo tempo, o enfraquecimento dos prêmios de exportação reduz a atratividade das vendas internacionais.
A combinação desses fatores dificulta o escoamento externo e mantém a atenção do mercado sobre o volume que poderá permanecer disponível no país.
Colheita nos Estados Unidos pressiona Chicago
No mercado internacional, o avanço da colheita norte-americana amplia a oferta e vem pressionando os contratos de milho na Bolsa de Chicago.
Segundo a análise da Safras & Mercado, esse comportamento também influencia a formação dos preços brasileiros, somando-se à demanda doméstica enfraquecida e às dificuldades de competitividade nas exportações.
Rondonópolis e Cascavel registram os maiores recuos entre as praças citadas
Em Rondonópolis (MT), a saca foi cotada a R$ 55,00, queda de 17,91% em relação aos R$ 67,00 do fechamento da semana anterior.
No mercado disponível ao produtor em Cascavel (PR), o preço passou de R$ 64,50 para R$ 60,00 por saca, redução de 6,98%.
Em Rio Verde (GO), a referência caiu de R$ 63,00 para R$ 60,00, recuo de 4,76% na mesma comparação.
Campinas recua para R$ 68 por saca
Na referência Campinas/CIF, a cotação ficou em R$ 68,00 por saca, baixa de 4,23% frente aos R$ 71,00 da semana anterior.
Na Mogiana paulista, o milho foi negociado a R$ 65,00 por saca, ante R$ 66,00, retração de 1,52%.
Outras localidades mantiveram estabilidade. Em Erechim (RS), o preço permaneceu em R$ 72,00 por saca. Em Uberlândia (MG), a referência de venda continuou em R$ 65,00.
Comercialização avança, mas compradores seguem sem urgência
A resistência dos produtores em vender grandes volumes convive com a necessidade de acompanhar a perda de valor do cereal. Segundo a Safras, esse cenário já estimula uma ampliação gradual dos negócios.
Do lado comprador, o bom abastecimento reduz a urgência por novas aquisições. Enquanto a demanda interna e as exportações permanecerem limitadas, a consultoria avalia que o mercado seguirá com fundamentos mais favoráveis à queda dos preços no curto prazo.
Fonte: Portal do Agronegócio
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