Publicado em: 16/03/2026 às 15:00hs
A safra 2025/26 deve manter o milho entre as culturas mais relevantes do agronegócio brasileiro. No entanto, especialistas alertam que falhas no manejo podem gerar perdas significativas, principalmente na fase inicial da cultura, quando pragas podem comprometer o estabelecimento das lavouras.
De acordo com estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção brasileira de milho deve alcançar 138,45 milhões de toneladas, sendo 109,26 milhões provenientes da segunda safra, responsável por cerca de 79% do volume total.
Esse período costuma apresentar maior exposição da cultura a variações climáticas e pressão de pragas, especialmente em áreas recém-colhidas de soja.
Segundo Alexandre Gazoni, engenheiro agrônomo, diretor comercial da Sell Agro, empresa sediada em Rondonópolis (MT) especializada em tecnologias de aplicação no campo, a pressão de pragas deve se apresentar de forma cada vez mais regionalizada em 2026.
De acordo com o especialista, alguns problemas têm chamado atenção em diferentes regiões produtoras.
Entre os principais registros estão:
“A pressão de pragas está muito regionalizada. Em algumas áreas, o coró voltou a aparecer com força e já tem causado danos. Também vimos relatos de lesmas em talhões com alta densidade de palhada e, em algumas regiões, um ponto novo tem chamado atenção: o ataque de ratos reduzindo o estande do milho”, afirma Gazoni.
Entre as pragas que mais afetam o início do desenvolvimento do milho, o percevejo segue como uma das principais ameaças, principalmente em áreas onde a soja deixou grande volume de resíduos vegetais.
A palhada funciona como abrigo para esses insetos, favorecendo sua multiplicação.
“Quando a soja deixa muita palhada, esse resíduo cria um ambiente favorável para o percevejo. O impacto aparece logo na arrancada do milho: as plantas perdem vigor e o reflexo ocorre nas primeiras semanas de desenvolvimento”, explica o agrônomo.
Do ponto de vista técnico, uma das dificuldades no controle dessas pragas é o fato de muitas delas permanecerem escondidas no sistema de produção, dificultando a detecção inicial.
Estudos da Embrapa indicam que o percevejo barriga-verde, por exemplo, costuma se esconder durante as horas mais quentes do dia, o que pode atrasar a identificação da infestação.
Por esse motivo, especialistas recomendam que o monitoramento das áreas comece antes mesmo da semeadura, permitindo ações preventivas mais eficazes.
Além das pragas iniciais e de solo, as lavouras também permanecem sob risco de insetos vetores de doenças, especialmente a cigarrinha-do-milho.
Um levantamento realizado por CNA, Embrapa e Epagri aponta que os prejuízos associados à praga entre as safras 2020/21 e 2023/24 alcançaram cerca de US$ 25,8 bilhões.
Nesse período, o impacto médio na produção nacional foi estimado em:
Embora seja fundamental para o sistema de plantio direto e para a conservação do solo, a palhada também pode criar condições favoráveis ao desenvolvimento de algumas pragas.
De acordo com materiais técnicos da Embrapa, ambientes com grande quantidade de resíduos vegetais favorecem a presença de lesmas e caramujos. Esses organismos depositam ovos em fendas do solo ou sob restos vegetais em decomposição.
Os danos podem incluir:
Por isso, a observação detalhada do ambiente sob a palhada tornou-se parte importante do manejo.
Diante desse cenário, especialistas reforçam que o Manejo Integrado de Pragas (MIP) precisa ser aplicado com maior rigor nas lavouras de milho.
Segundo Gazoni, a principal mudança necessária está na frequência e na forma de monitoramento das áreas.
“Este é um ano em que o monitoramento precisa ser mais intenso e bem feito, com intervalos menores. Não basta observar apenas o que está na superfície: é preciso levantar a palhada, analisar a base das plantas e buscar o que está escondido”, afirma.
O manejo integrado combina diferentes estratégias, como:
Entre as práticas mais recomendadas para reduzir riscos de infestação nas áreas de milho estão:
Além do monitoramento, a tecnologia de aplicação também se torna um fator importante para aumentar a eficácia do controle de pragas.
Segundo Gazoni, quando os insetos permanecem protegidos pela palhada ou dentro do cartucho da planta, a eficiência do manejo depende não apenas do produto utilizado, mas também da forma de aplicação.
“A estratégia para 2026 é monitorar mais para acertar o momento da aplicação e melhorar a eficiência do controle. Em algumas situações, é necessário aumentar a cobertura e a permanência das gotas”, explica.
Ele destaca ainda que ferramentas como desalojantes podem ajudar a expor as pragas escondidas na palhada ou no cartucho da planta, aumentando a eficácia do defensivo aplicado.
Fonte: Portal do Agronegócio
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