Publicado em: 10/02/2026 às 10:10hs
O Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) divulgou as Agromensais de janeiro de 2026, com projeções para os principais setores do agronegócio brasileiro. O relatório aponta que o ano será marcado por recuperação em algumas culturas, ajuste de oferta e demanda em outras e movimento de cautela em setores sensíveis ao cenário internacional.
O mercado mundial de açúcar deve registrar melhor equilíbrio entre oferta e demanda na safra 2026/27. No Brasil, maior produtor e exportador global, a moagem de cana tende a crescer no Centro-Sul, impulsionada por chuvas mais regulares no fim de 2025 e pela expansão moderada das lavouras.
A produção pode superar 620 milhões de toneladas de cana, o que amplia o potencial de oferta do adoçante, embora o resultado final dependa do comportamento climático nos próximos meses.
Mesmo com uma demanda global mais moderada, o Brasil deve continuar entre os líderes mundiais na produção e exportação de algodão em 2025/26.
Embora a produção nacional possa registrar ligeira redução em relação ao recorde anterior, as exportações seguem firmes. Segundo a Conab, a retração na área do Centro-Sul pode ser compensada pelo avanço do cultivo no Norte e Nordeste.
A produção de arroz tende a diminuir no Brasil e no exterior em 2025/26, reflexo dos preços baixos e das margens apertadas em 2025.
A falta de acionamento efetivo da política de preços mínimos e restrições de crédito também desestimularam o plantio.
O consumo interno e as exportações de carne bovina devem continuar crescendo em 2026. Apesar dos desafios na produção, é esperada nova expansão moderada do rebanho. Os preços do boi gordo e da carne devem se manter em patamares elevados, sustentados pela demanda aquecida.
O início de 2026 é marcado por forte volatilidade nos preços do café. Os estoques globais seguem apertados, mantendo as cotações elevadas, embora as expectativas de safra favorável no Brasil em 2026/27 possam exercer pressão de baixa nos próximos meses.
Durante a entressafra 2025/26 (janeiro a março), o mercado de etanol tende a manter preços firmes devido à demanda aquecida e estoques menores no Centro-Sul.
Para a safra 2026/27, que começa em abril, o Cepea destaca cenário de cautela, com atenção especial ao comportamento do açúcar no mercado internacional e ao ritmo de crescimento da produção frente à demanda.
O Cepea prevê que 2026 será o ano de consolidação do acompanhamento dos preços do feijão, com ampla divulgação de cotações diárias em diferentes regiões.
O levantamento também pretende expandir o monitoramento para o feijão-caupi, que representa cerca de 20% da produção nacional, segundo a Conab.
A avicultura brasileira deve manter ritmo de expansão em 2026, apoiada por exportações sólidas e margens positivas ao produtor.
Contudo, o setor permanece em alerta para possíveis focos de Influenza Aviária, especialmente durante o período migratório de aves, que pode afetar o comércio externo.
O mercado de milho inicia 2026 com grande disponibilidade interna, resultado dos altos estoques de passagem.
Mesmo com expectativa de aumento na produção da primeira safra, os contratos futuros na B3 indicam valores abaixo dos da safra anterior, refletindo o cenário de oferta abundante.
A produção nacional de ovinos deve crescer apenas 1% em 2026, segundo estimativas do Cepea com base em dados do IBGE.
A demanda ainda enfraquecida e a ausência de estímulos de mercado limitam o avanço da atividade.
As projeções apontam que o Brasil deve atingir nova produção recorde de soja na safra 2025/26.
Com a redução de oferta nos Estados Unidos e na Argentina, o país reforça seu papel de principal fornecedor global, podendo atender até 60% da demanda mundial.
A forte queda nos preços em 2025 desestimulou o plantio de trigo no país.
Sem expectativa de aumento de área em 2026, o Brasil deve seguir dependente das importações para abastecer o mercado interno.
As exportações, por outro lado, continuam essenciais para equilibrar os preços domésticos, mesmo com a paridade de importação como principal referência de mercado.
Fonte: Portal do Agronegócio
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