Publicado em: 29/01/2026 às 11:40hs
O mercado de milho segue sem força para reação no início de 2026, especialmente nos estados do Sul e Centro-Oeste, onde a oferta elevada tem mantido o cenário de preços em queda e baixa liquidez.
De acordo com a TF Agroeconômica, no Rio Grande do Sul, o preço médio estadual recuou 1,40% na semana, passando de R$ 62,27 para R$ 61,40 por saca, reflexo do aumento da oferta e da demanda enfraquecida no mercado spot.
Em Santa Catarina, o impasse entre produtores e compradores persiste: as indicações de venda permanecem próximas de R$ 80,00/saca, enquanto as ofertas de compra giram em torno de R$ 70,00/saca, limitando os negócios. No Planalto Norte, poucos negócios foram registrados, entre R$ 71,00 e R$ 75,00/saca, sem mudanças relevantes.
No Paraná, o cenário é semelhante — o mercado opera em ritmo lento devido ao desalinhamento entre as pedidas dos produtores e as ofertas das indústrias. As negociações seguem próximas de R$ 75,00/saca (venda) e R$ 70,00/saca CIF (compra), mantendo a liquidez reduzida.
Já em Mato Grosso do Sul, o milho voltou a operar sob pressão, com preços variando entre R$ 54,00 e R$ 56,00/saca. Em Maracaju, a desvalorização foi mais intensa, enquanto Chapadão do Sul apresentou ajuste mais leve — mostrando diferentes graus de pressão regional.
O milho negociado na Bolsa Brasileira de Mercadorias (B3) registrou queda nas cotações nesta quarta (28), devolvendo parte dos ganhos da sessão anterior. Segundo a TF Agroeconômica, a perda de competitividade do milho brasileiro no cenário internacional e o ajuste nas exportações de janeiro, revisadas para 3,39 milhões de toneladas, pesaram sobre o mercado.
A valorização do real frente ao dólar reduziu a atratividade do produto nacional no exterior, enquanto os altos estoques de passagem e o início da colheita no Sul diminuíram a pressão de compra no mercado interno.
Com isso, os principais contratos futuros fecharam em baixa:
Na manhã desta quinta-feira (29), os contratos continuavam no campo negativo, variando entre R$ 67,11 e R$ 67,86, com perdas diárias de até 0,21%.
Enquanto o mercado doméstico enfrenta retração, o milho na Bolsa de Chicago (CBOT) apresentou movimento oposto, com altas moderadas sustentadas pela queda do dólar no mercado internacional.
O contrato março/26 era negociado a US$ 4,32 por bushel, o maio/26 a US$ 4,40, o julho/26 a US$ 4,46 e o setembro/26 a US$ 4,45, com ganhos entre 1,75 e 2,50 pontos.
Segundo Tony Dreibus, analista da Successful Farming, a desvalorização do dólar — que caiu 0,1% durante a noite, atingindo o menor nível em mais de quatro anos e acumulando queda superior a 11% em 12 meses — torna os produtos agrícolas dos EUA mais competitivos no mercado global.
Além do câmbio, o mercado foi impulsionado por preocupações climáticas na Argentina e pela reafirmação do uso do etanol E15 nos Estados Unidos, o que aumenta a demanda por milho destinado à produção de biocombustível.
O cenário atual combina pressão de oferta interna no Brasil, competição internacional acirrada e oscilações cambiais que influenciam diretamente o comportamento dos preços.
Enquanto os produtores brasileiros enfrentam margens comprimidas e baixa liquidez, o mercado internacional reage positivamente à desvalorização do dólar, fator que tende a sustentar os preços em Chicago no curto prazo.
A expectativa é de que o equilíbrio entre demanda global, estoques elevados e condições climáticas na América do Sul determine os rumos do milho nas próximas semanas.
Fonte: Portal do Agronegócio
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