Milho e Sorgo

Milho tem 2ª feira de ligeiro recuo em Chicago com mercado já se posicionando antes do USDA

Perto de 8h50 (horário de Brasília), as cotações cediam de 0,50 a 2 pontos entre as posições mais negociadas, com o maio/18 valendo US$ 3,84 por bushel


Publicado em: 05/03/2018 às 11:10hs

Milho tem 2ª feira de ligeiro recuo em Chicago com mercado já se posicionando antes do USDA

Nesta segunda-feira (5), o mercado do milho na Bolsa de Chicago dá início à semana trabalhado com ligeiras baixas. Perto de 8h50 (horário de Brasília), as cotações cediam de 0,50 a 2 pontos entre as posições mais negociadas, com o maio/18 valendo US$ 3,84 por bushel.

Segundo explicam analistas internacionais, os traders se mantêm ainda focados nas adversidades climáticas que vêm castigando as lavouras da Argentina, porém, já se posicionam também antes do novo boletim mensal de oferta e demanda que o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) traz nesta quinta-feira (8).

"Uma maior liquidez e o aumento dos spreads deverão ser características dessa semana na medida em que os traders se preparam para o relatório e para os desdobramentos em torno das tarifas impostas aos EUA para a China", diz o boletim diário da Allendale.

Segundo o grupo Water Street Solutions, "há muita ansiedade em torno dessa 'guerra retórica' e das negociações envolvendo o Nafta neste momento. Além da questão da China com a soja, afinal, há ainda os impactos sobre o México e o milho.

No entanto, ainda segundo a consultoria internacional, o cereal norte-americano se mantém como o mais barato no comércio global, o que ajuda a manter a demanda e, consequentemente, dá algum suporte às cotações. Atenção, portanto, aos números dos embarques semanais que o USDA traz em seu reporte nesta segunda-feira.

Sobre o clima na Argentina, de acordo com informações da Labhoro Corretora, nenhuma mudança foi registrada durante o final de semana e permanecem as altas temperaturas e o tempo seco no país. E para os próximos dias, as previsões seguem mostrando condições ainda muito adversas. Não há nos mapas climáticos chuvas consideráveis para as regiões produtoras do país e o calor deve continuar.

Veja como fechou o mercado na última semana:

Milho: Menor disponibilidade da oferta ainda impulsiona preços e mar/18 sobe 8,56% na semana na BM&F

A semana foi de forte alta aos preços do milho praticados na BM&F Bovespa. Segundo levantamento do economista do Notícias Agrícolas, André Lopes, os principais contratos do cereal subiram entre 2,96% e 8,56%. O março rompeu o patamar de R$ 40,00 a saca e encerrou a sexta-feira (2) a R$ 40,46. O maio/18 trabalhava a R$ 38,30 a saca.

Inclusive, no início da semana, os contratos março/18 e maio/18 atingiram limite de alta na bolsa brasileira, com ganho de 5%. "As cotações ainda são impulsionadas pela menor oferta de milho no mercado doméstico", reporta a analista de mercado da INTL FCStone, Ana Luiza Lodi.

Nesse momento, os produtores rurais estão focados na colheita da soja nas principais regiões produtoras e também na semeadura do milho segunda safra. "Isso tem tornado os negócios lentos e temos produtores segurando as vendas também", diz Ana Luiza.

E também é preciso ressaltar que a safra de verão nesta temporada deverá ser menor do que registrado no ciclo anterior. Dados da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) apontam para uma produção ao redor de 24,74 milhões de toneladas, contra as 30,46 milhões de toneladas colhidas no ano passado.

As valorizações nos preços são ainda mais expressivas nas regiões consumidoras, como Sudeste e Sul do país, ainda conforme ressalta Ana Luiza. "Temos poucas pessoas com milho e as indústrias, nessas localidades, estão abastecidas até março ou abril", completa a analista.

Em relação aos estoques estimados pela Conab, de mais de 18 milhões de toneladas, a analista destaca que muitas vendas foram realizadas no mês de janeiro para liberação de espaço nos armazéns. "Então, acreditamos que esse número possa ser um pouco menor", explica.

Outro fator que também tem trazido especulações ao mercado é a segunda safra de milho. Diante do comprometimento da janela ideal de cultivo depois do atraso e também na colheita da soja, é consenso entre os analistas de que a safrinha brasileira estará mais exposta ao risco climático.

"Ainda temos muitas incertezas em relação à safrinha, a perspectiva é de uma redução na área plantada nesta temporada. E também deveremos acompanhar uma redução nos investimentos em tecnologia", pondera a analista de mercado.

No estado de Goiás, por exemplo, a Aprosoja-GO já solicitou junto ao Ministério da Agricultura (Mapa) a extensão das janelas de plantio indicadas no Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC). De acordo com levantamento da AgRural, a semeadura do alcançou 63% da área estimada no centro-sul do país. O índice está abaixo do registrado no mesmo período do ano anterior, de 75%.

Mercado interno

As cotações de milho praticadas no mercado doméstico também seguem em sua trajetória de alta. Na região de Campinas (SP), a saca subiu 18,52% e fechou a semana a R$ 41,60. No Paraná, as praças de Londrina e Ubiratã, acumularam valorização de 12,77%, com a saca do cereal a R$ 26,50.

Na região de Campo Grande (MS), a alta foi de 12,50%, com a saca de milho a R$ 27,00. Já em Rondonópolis (MT), a saca terminou a semana a R$ 25,60, com ganho de 11,30%. Em Assis (SP), a saca registrou valorização de 8,62%, com a saca a R$ 31,50. No Porto de Paranaguá, a saca subiu 4,76%, com a saca a R$ 33,00.

Bolsa de Chicago

No mercado internacional, a semana também foi positiva aos preços do milho. As principais posições da commodity acumularam ganhos entre 2,18% e 3,00%. Ainda assim, nesta sexta-feira (2), os vencimentos do cereal caíram mais de 1 pontos. O março/18 era cotado a US$ 3,77 por bushel e o maio/18 trabalhava a US$ 3,85 por bushel.

A Reuters Internacional reportou que as cotações acompanharam a forte queda registrada nos preços do trigo. Os contratos do cereal exibiram perdas de mais de dois dígitos nesta sexta-feira na Bolsa de Chicago (CBOT).

"Esta foi uma fantástica semana de ganhos", disse Bill Gentry, corretor da Risk Management Commodities à Reuters Internacional. "Os fundos estão ganhando um pouco de lucro antes do fim de semana".

Apesar da influência do trigo, o mercado continua sendo direcionado pelo comportamento do clima na Argentina. E, por enquanto, as previsões climáticas não indicam grandes volumes de chuvas nos próximos dias.

Ainda nesta quinta-feira, a Bolsa de Cereais de Buenos Aires (BCBA) destacou que a colheita do milho segue no país, porém, os rendimentos permanecem abaixo do esperado para essa temporada. E as lavouras tardias e de segunda etapa estão em fase crítica e ainda precisam de precipitações.

Fonte: Notícias Agrícolas

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