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Milho e Sorgo

Milho supera US$ 5 em Chicago, mas dólar em queda pressiona mercado brasileiro

Recuperação internacional contrasta com cautela nas negociações no Brasil; plantio da safra 2026/27 avança no Sul, enquanto investidores aguardam novo relatório do USDA


Publicado em: 06/10/2026 às 11:10hs

Milho supera US$ 5 em Chicago, mas dólar em queda pressiona mercado brasileiro

O mercado do milho apresenta sinais distintos nesta terça-feira (6). Enquanto os contratos futuros recuperam parte das perdas recentes na Bolsa de Chicago, o recuo do dólar reduz o suporte cambial aos preços brasileiros. No mercado físico, compradores mantêm aquisições para reposição de estoques, e produtores seguem seletivos nas vendas.

O avanço do plantio da primeira safra 2026/27 também concentra as atenções no Sul do país. As chuvas favorecem a semeadura em algumas regiões, mas temporais e excesso de umidade exigem acompanhamento das condições das lavouras.

Milho recupera os US$ 5 por bushel em Chicago

No levantamento das 8h59, pelo horário de Brasília, apresentado no material de mercado, o contrato dezembro/26 era negociado a US$ 5,01 por bushel, com avanço de 4,50 centavos.

Os demais vencimentos também subiam. Março/27 alcançava US$ 5,16 por bushel, maio/27 era cotado a US$ 5,23 e julho/27 atingia US$ 5,27, com ganhos entre 4,50 e 5,00 centavos.

A recuperação ocorre após uma semana de forte pressão sobre os preços internacionais. Os futuros do cereal acumularam perdas próximas de 6% na semana anterior, em meio à reação aos números dos estoques norte-americanos divulgados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). 

Apesar da reação positiva, o avanço da colheita nos Estados Unidos e a entrada de novos volumes no mercado continuam entre os fatores que limitam uma recuperação mais consistente.

Dólar abaixo de R$ 5 reduz suporte aos preços no Brasil

O câmbio permanece decisivo para o mercado brasileiro. Segundo atualização publicada às 10h16 desta terça-feira, o dólar comercial para venda era cotado a R$ 4,946, com queda de 1,11%. Na segunda-feira (5), a moeda havia recuado cerca de 4,1%, encerrando a sessão a R$ 5,001. 

A valorização do real tende a reduzir o valor em reais das receitas de exportação, podendo compensar parte dos ganhos registrados pelo milho em Chicago. O efeito sobre os preços domésticos também depende dos prêmios nos portos, dos custos logísticos e da demanda pelo cereal.

No último fechamento disponível da B3, referente a segunda-feira, os contratos de milho recuaram. Novembro/26 encerrou a R$ 70,55 por saca, janeiro/27 a R$ 75,12 e março/27 a R$ 78,07, com quedas de 1,52%, 1,55% e 1,31%, respectivamente. 

O Indicador do Milho Esalq/B3 também caiu na segunda-feira, fechando a R$ 67,26 por saca de 60 quilos, baixa diária de 1,85%. Esses valores representam o fechamento anterior, e não as negociações intradiárias desta terça-feira.

Rio Grande do Sul tem preços de R$ 60 a R$ 69 e plantio avançado

Segundo o levantamento da TF Agroeconômica apresentado no material-base, as cotações do milho no Rio Grande do Sul variam de R$ 60 a R$ 69 por saca. A média estadual acompanhada pela Emater avançou 1,84%, chegando a R$ 62,67.

Em Cruz Alta, a referência informada é de R$ 75 por saca. As diferenças entre as praças refletem condições locais de oferta, demanda, frete e entrega.

No campo, os dados da Conab citados no levantamento apontam semeadura em 78% da área prevista, ante 72% na semana anterior, acima da média histórica. Entretanto, temporais na Campanha e nas Missões provocaram danos em lavouras e estruturas de irrigação.

Diferença entre ofertas e compradores trava negócios em Santa Catarina

Em Santa Catarina, as indicações de venda estão próximas de R$ 60 por saca, enquanto compradores trabalham com referências ao redor de R$ 55. A distância entre os valores dificulta o fechamento de negócios.

O estado continua dependendo do abastecimento de outras regiões para atender ao consumo local. Nesse cenário, o frete e a disponibilidade de milho fora de Santa Catarina influenciam o custo de reposição.

O plantio avançou de 63,8% para 65%, conforme os dados apresentados. As lavouras mostram bom desenvolvimento no Oeste e no Extremo-Oeste, embora o excesso de chuvas dificulte as operações e aumente os riscos para a produção.

Paraná acelera semeadura, mas compradores evitam estoques maiores

No Paraná, o plantio passou de 56% para 72% da área prevista, favorecido pelas precipitações. O avanço dos trabalhos, porém, não foi acompanhado por valorização das referências regionais.

No levantamento da TF Agroeconômica, a saca foi indicada a R$ 66,44 no Norte Central, R$ 65,55 no Centro Oriental e R$ 58,06 no Oeste.

As ofertas próximas de R$ 60 por saca encontram demanda ao redor de R$ 55 na modalidade CIF, com frete incluído até o destino. Os compradores mantêm cautela e evitam ampliar os estoques.

Mato Grosso do Sul apresenta diferenças entre praças

Em Mato Grosso do Sul, a TF Agroeconômica indicou preços entre R$ 53 e R$ 56 por saca, com recuos após uma sequência de altas. A demanda da indústria de bioenergia absorve parte da oferta, enquanto outros compradores concentram as aquisições na reposição.

Uma referência complementar, da Granos Corretora, mostrou diferenças entre municípios no fechamento de segunda-feira (5): R$ 52 em Maracaju, R$ 53 em Dourados e Campo Grande e R$ 58 em Chapadão do Sul. Os valores pertencem a levantamentos distintos e podem variar conforme as condições comerciais.

Relatório do USDA será o próximo foco do mercado

O próximo relatório de oferta e demanda mundial, o WASDE, está previsto para sexta-feira, 9 de outubro, às 12h no horário do leste dos Estados Unidos, conforme o calendário oficial do USDA. A divulgação poderá atualizar as projeções de produção, consumo, exportações e estoques de milho. 

Até lá, o mercado acompanha a colheita norte-americana, as condições da primeira safra brasileira e o comportamento do câmbio. No Brasil, a reação de Chicago oferece suporte externo, mas o dólar em queda e a cautela dos compradores mantêm as negociações físicas em ritmo moderado.

Fonte: Portal do Agronegócio

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