Milho sobe em Chicago e na B3, mas oferta elevada mantém pressão no mercado brasileiro
Contrato dezembro recupera US$ 4,50 por bushel na manhã desta quarta-feira; negócios físicos seguem lentos, enquanto colheita nos EUA e exportações brasileiras limitam reação dos preços
Publicado em: 28/10/2026 às 11:20hs
Os preços futuros do milho avançavam em Chicago e na B3 na manhã desta quarta-feira (28), em uma tentativa de recuperação após as perdas recentes. No mercado físico brasileiro, porém, a oferta superior à demanda e a postura cautelosa dos compradores mantêm as cotações pressionadas e as negociações pontuais.
O avanço da colheita nos Estados Unidos amplia a disponibilidade internacional do cereal. No Brasil, o ritmo das exportações e o comportamento do câmbio seguem decisivos para a formação dos preços, enquanto o clima exige atenção nas lavouras de verão do Sul.
Segundo a TF Agroeconômica, os consumidores brasileiros priorizam compras para reposição de estoques. A diferença entre as propostas de compra e as expectativas dos vendedores continua restringindo a liquidez em diversas regiões.
Milho recupera US$ 4,50 por bushel em Chicago
Por volta das 9h38, no horário de Brasília, o contrato dezembro/26 era negociado a US$ 4,5125 por bushel, alta de 2,50 centavos de dólar, equivalente a aproximadamente 0,56%.
Os demais vencimentos também apresentavam valorização:
- Março/27: US$ 4,6475 por bushel, avanço de 2 centavos;
- Maio/27: US$ 4,7275, ganho de 1,50 centavo;
- Julho/27: US$ 4,7925, alta de 1,25 centavo.
A recuperação recolocava o dezembro acima de US$ 4,50, mas ainda não indicava uma mudança consolidada na trajetória do mercado. A entrada da produção norte-americana e as projeções de estoques elevados permanecem como fatores de pressão.
Nos pregões recentes, a valorização do dólar frente a outras moedas e a queda do petróleo também contribuíram para o ambiente desfavorável às cotações do cereal.
Colheita americana chega a 60% e amplia oferta
De acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a colheita do milho atingiu 60% da área até 25 de outubro, ante 44% na semana anterior.
O avanço de 16 pontos percentuais superou as expectativas dos analistas, embora o ritmo ainda estivesse abaixo da média dos últimos cinco anos, de 66%.
O tempo predominantemente seco em parte do cinturão produtor favorece a continuidade dos trabalhos e a entrada de milho recém-colhido no mercado.
Quanto às condições das lavouras, o USDA classificou 56% das áreas como boas ou excelentes, 26% como regulares e 18% como ruins ou muito ruins. Na semana anterior, os percentuais eram de 56%, 27% e 17%, respectivamente.
No relatório de outubro, o órgão projetou uma produção norte-americana de aproximadamente 407 milhões de toneladas, com estoques finais próximos de 47 milhões de toneladas na temporada 2026/27.
Embarques dos EUA e produção argentina entram no radar
As inspeções de milho para exportação dos Estados Unidos totalizaram 625.233 toneladas na semana encerrada em 22 de outubro, queda de quase 10% em relação à semana anterior.
O resultado contrasta com o crescimento das vendas líquidas divulgado anteriormente. Os indicadores medem etapas diferentes: as vendas representam compromissos comerciais, enquanto as inspeções ajudam a acompanhar o fluxo efetivo de embarques.
Na América do Sul, o adido agrícola norte-americano em Buenos Aires estimou a produção argentina em 62 milhões de toneladas em 2026/27, acima dos 55 milhões de toneladas considerados oficialmente pelo USDA. A confirmação desse volume poderá ampliar a concorrência pelos compradores internacionais.
B3 acompanha recuperação e novembro chega a R$ 67,08
Na Bolsa Brasileira, os contratos futuros de milho também operavam em alta. Por volta das 9h49, as referências eram:
- Novembro/26: R$ 67,08 por saca, alta de 1,10%;
- Janeiro/27: R$ 70,80, avanço de 0,50%;
- Março/27: R$ 75,90, ganho de 0,16%;
- Maio/27: R$ 75,42, valorização de 0,23%.
O movimento ocorreu depois de perdas de até 2,02% na terça-feira. Na sessão anterior, os contratos haviam registrado forte valorização, acompanhando a disparada do dólar após o resultado das eleições presidenciais.
Um câmbio mais elevado pode melhorar a paridade de exportação em reais. Entretanto, o efeito sobre o preço recebido pelo produtor também depende de fretes, prêmios, disponibilidade de compradores e condições de entrega.
Segundo a Grainsights, inteligência de mercado da Grão Direto, uma melhora da competitividade exportadora pode aparecer primeiro nos portos e nos contratos futuros, antes de alcançar as negociações no interior.
Anec reduz previsão de exportações de milho em outubro
A Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) revisou a estimativa dos embarques brasileiros de milho em outubro para aproximadamente 6,1 milhões de toneladas, abaixo das 6,87 milhões de toneladas projetadas anteriormente.
O volume representaria crescimento sobre setembro, mas permaneceria inferior ao registrado em outubro do ano passado.
O escoamento externo mais lento, combinado à disponibilidade doméstica, contribui para manter os compradores brasileiros confortáveis em relação ao abastecimento.
Preço do milho no RS varia de R$ 60 a R$ 70 por saca
No Rio Grande do Sul, as referências acompanhadas pela TF Agroeconômica ficam entre R$ 60 e R$ 70 por saca. A média estadual apurada pela Emater recuou 0,57%, para R$ 62,59, enquanto o disponível na Bolsa de Cereais de Cruz Alta apresentava referência de R$ 75.
Parte dos vendedores aceita flexibilizar valores para liberar espaço de armazenagem antes da entrada da safra de verão.
No campo, o plantio alcançou 81% da área, conforme a Conab. O excesso de umidade e as baixas temperaturas dificultam as operações e retardam o desenvolvimento das lavouras.
Diferença de preços limita negócios em Santa Catarina
Em Santa Catarina, vendedores pedem aproximadamente R$ 60 por saca, enquanto compradores indicam valores próximos de R$ 55.
A distância entre as duas pontas restringe os negócios. A expectativa de maior produção nacional também reforça a cautela dos consumidores na formação de estoques.
A semeadura catarinense chegou a 89,9% da área, com lavouras em boas condições, segundo a Conab.
Paraná tem preços distintos e atenção aos efeitos das tempestades
No Paraná, compradores evitam ampliar estoques, enquanto os produtores permanecem seletivos nas vendas.
As referências ao produtor apresentaram movimentos diferentes entre as regiões:
- Centro Oriental: recuo para R$ 60,45 por saca;
- Oeste: queda para R$ 50,58;
- Norte Central: alta para R$ 65,83.
O plantio atingiu 86% da área, conforme a Conab. A maior parte das lavouras apresenta bom desenvolvimento, mas tempestades provocaram desfolhamento em algumas áreas e favoreceram a ocorrência de pragas e doenças.
Bioenergia sustenta parte da demanda em Mato Grosso do Sul
Em Mato Grosso do Sul, as cotações variam de R$ 52 a R$ 54 por saca. A indústria de bioenergia mantém participação ativa nas compras, enquanto os demais consumidores se concentram na reposição.
Os produtores restringem a oferta de novos lotes, contribuindo para um mercado de negociações lentas.
A continuidade da recuperação nos contratos futuros dependerá dos sinais de demanda e do câmbio. No físico, a reação também passa pelo ritmo de escoamento dos estoques e pela disposição dos compradores em ampliar as aquisições.
Fonte: Portal do Agronegócio
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