Milho sobe em Chicago e na B3 com apoio do trigo, dólar forte e atraso na colheita da safrinha
Mercado acompanha valorização do trigo nos Estados Unidos, avanço lento da colheita brasileira e impacto do câmbio sobre as negociações internas do cereal
Publicado em: 24/06/2026 às 11:30hs
O mercado do milho iniciou esta quarta-feira (24) em alta tanto no cenário internacional quanto na Bolsa Brasileira (B3), refletindo uma combinação de fatores que sustentam as cotações. Entre os principais elementos estão a valorização do trigo nos Estados Unidos, o fortalecimento do dólar frente ao real e o ritmo mais lento da colheita da segunda safra brasileira.
Na Bolsa de Chicago (CBOT), os contratos futuros do cereal operavam em campo positivo durante a manhã, impulsionados principalmente pelo desempenho do trigo. As preocupações relacionadas às condições da safra de trigo de inverno nos Estados Unidos aumentaram a procura pelos contratos do grão, influenciando também o mercado do milho.
Por volta das 9h17 (horário de Brasília), o contrato com vencimento em julho de 2026 era negociado a US$ 4,10 por bushel, enquanto setembro avançava para US$ 4,19. Os contratos de dezembro e março de 2027 registravam cotações de US$ 4,38 e US$ 4,53 por bushel, respectivamente, todos com ganhos moderados.
B3 acompanha movimento internacional
No mercado brasileiro, os futuros do milho também registravam valorização na abertura dos negócios desta quarta-feira. O contrato julho/26 era negociado a R$ 63,88 por saca, com avanço de 0,05%, enquanto o vencimento setembro/26 subia 0,15%, cotado a R$ 67,30.
O movimento dá continuidade ao desempenho observado na sessão anterior. De acordo com análises de mercado, a valorização do dólar contribuiu para melhorar a atratividade das vendas por parte dos produtores, ao mesmo tempo em que os dados de colheita divulgados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) trouxeram suporte adicional aos preços.
Na terça-feira (23), o contrato julho/26 encerrou a sessão a R$ 63,80 por saca, com ganho diário de R$ 0,15. O vencimento setembro fechou a R$ 67,19, enquanto novembro terminou cotado a R$ 70,60 por saca, consolidando uma sequência de ajustes positivos.
Colheita lenta da safrinha mantém atenção do mercado
O ritmo da colheita da segunda safra segue sendo um dos principais fatores monitorados pelos agentes do mercado. Em várias regiões produtoras, as condições climáticas têm limitado o avanço dos trabalhos, reduzindo a oferta imediata e contribuindo para a sustentação dos preços.
No Paraná, um dos maiores produtores nacionais, a elevada umidade interrompeu operações em diversas áreas. A colheita alcançou apenas 1% da área cultivada, bem abaixo da média histórica para o período, estimada em 8,2%.
Em Mato Grosso do Sul, os trabalhos também avançam lentamente, com apenas 1% da área colhida. Os preços variam entre R$ 49,00 e R$ 52,00 por saca. A demanda proveniente do setor de bioenergia continua sendo um fator importante de sustentação para o mercado regional.
Mercado físico segue com baixa liquidez no Sul
No Rio Grande do Sul, o mercado permanece marcado pela baixa liquidez e pela realização de negócios pontuais. As indicações de compra e venda variam entre R$ 57,00 e R$ 63,00 por saca, com média estadual próxima de R$ 58,91, ligeiramente abaixo da semana anterior.
A colheita gaúcha já atingiu 99% da área cultivada, restando apenas áreas isoladas para conclusão dos trabalhos.
Em Santa Catarina, as ofertas permanecem ao redor de R$ 65,00 por saca, enquanto a demanda gira próxima de R$ 60,00. Situação semelhante é observada no Paraná, onde compradores e vendedores seguem distantes nas negociações, limitando o volume de negócios.
Perspectivas para o mercado do milho
O mercado segue atento ao comportamento do dólar, ao avanço da colheita da safrinha e às condições das lavouras norte-americanas. A combinação desses fatores deve continuar influenciando a formação dos preços nas próximas semanas.
Enquanto o cenário internacional encontra suporte na valorização do trigo e em preocupações climáticas nos Estados Unidos, o mercado brasileiro acompanha de perto o ritmo da colheita e a capacidade de escoamento da produção, fatores que poderão definir a intensidade dos movimentos de alta ou acomodação dos preços do milho no curto prazo.
Fonte: Portal do Agronegócio
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